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Qua, 31/Out/07
Qua, 31/Out/07
Nélson de Matos, aquando do encontro da semana passada na Casa Fernando Pessoa e tal como tinhamos referido num post anterior, optou não se pronunciar. Felizmente, o Nélson de Matos levou o nosso post como um desafio, e como tal publicou no seu blog um texto sobre o assunto. Este texto, informa-nos o editor, «foi lido na Gulbenkian durante o 1º Congresso de Editores, realizado em Abril de 2001. Com pequenas adaptações, foi mais tarde publicado (13.09.2003) no DNA.» Aqui fica:


A presença de Grupos empresariais na área da edição ou da comercialização do livro, não está em Portugal ainda suficientemente tratada, provavelmente por não temos ainda para a pensar nem a experiência, nem os dados, nem o distanciamento suficientes.

Em algumas intervenções recentes, tenho ouvido classificar esta situação – repetidamente – como de uma “grave ameaça” para o nosso mercado.

É evidente que esta é uma forma barroca (e bacoca?) de considerar o problema. A não ser que consideremos “ameaçadora” a própria realidade em que nos movemos.

Em toda a parte tem sido esta a tendência dominante no mundo empresarial, não apenas no sector da edição. As empresas associam-se, fundem-se, constituem grupos poderosos, internacionalizam-se, os grandes envolvem os pequenos, procuram novos mercados para um mais largo exercício da sua actividade.

São um dos efeitos da globalização, como agora se diz. Não há nada a fazer. Ou melhor: não está nas nossas mãos fazer diferente, enquanto esta for a tendência dominante da economia mundial.
Esta é a realidade com que temos de contar no nosso dia a dia, não vale a pena fugir dela. Tão-pouco considerá-la “ameaçadora”, porque não será isso que a transformará.

O que temos é de aprender a viver com ela, modificando alguns dos nossos critérios profissionais e de gestão, as nossas estratégias empresariais, explorando as oportunidades e os espaços que consideramos poder e dever ocupar.

Os Grupos não são necessariamente "inimigos", nem são irremediavelmente “maus”, antes, em alguns casos, poderão ser parceiros interessantes para o contraste e alargamento das nossas próprias experiências, para o desenvolvimento da nossa criatividade e capacidade de reacção.

Mesmo em Portugal, onde estas coisas chegam sempre com atraso, algumas destas tendências manifestam-se já desde há alguns anos, não são uma realidade nova. Começaram na área da comercialização com o aparecimento das grandes superfícies de venda, os hipermercados, todos integrados em grupos empresariais poderosos; passaram depois pela formação de fortes grupos livreiros nacionais como foi o caso das dezenas de livrarias da Bertrand, culminaram com a chegada ao nosso mercado de um grupo europeu como a Fnac, já com várias lojas em funcionamento, e alguns outros se aproximam, como por exemplo El Corte Inglês, que se instalou entre nós há menos tempo.

Mesmo na área da edição, poderemos citar a já antiga presença em Portugal do Grupo Bertelsmann, com o seu clube do livro, o Circulo de Leitores e com a Temas e Debates a sua editora dirigida ao mercado tradicional das livrarias; do Grupo Noticias/Lusomundo/Portugal Telecom, com a Editorial Noticias, a editorial Oficina do Livro, a sua distribuidora e a sua rede livrarias; da própria Dom Quixote hoje integrada no Grupo Planeta, o mais importante grupo editorial da Península Ibérica, ou de muitas outras iniciativas que todos sabemos se aproximam.
Todos estes Grupos têm estratégias ambiciosas, objectivos de liderança do mercado, alguns deles visam, inclusivamente, o objectivo mais largo de liderança em todo o espaço da língua portuguesa. Refiro-me ao Brasil e aos países africanos de língua oficial portuguesa.

A par desta actuação, coexistem evidentemente com o seu imprescindível e meritório trabalho muitas editoras designadas por “independentes” – embora esta designação mereça hoje, também, alguma clarificação. Dado que para se manterem “independentes” muitas destas empresas tiveram também de criar as “dependências” específicas que melhor lhes permitam resistir, persistir e actuar.

Quanto a mim, encaro com poucas diferenças a dependência de um Grupo empresarial de edição, da dependência de um Banco, de um Distribuidor, ou até das poderosas redes livreiras existentes no mercado. Ou melhor: porque já tive as duas experiências, prefiro de longe a dependência de um Grupo profissional com quem possa partilhar objectivos similares.
Os verdadeiros editores são, como se sabe, por princípio e definição, “independentes”... quer exerçam a sua actividade no interior de um Grupo, quer isoladamente.

Todos compreendemos hoje que só obtendo resultados se garante a sobrevivência a médio e longo prazo, e que esta é uma regra a que nenhuma empresa (pequena ou grande, “independente” ou em Grupo) poderá fugir. Para isso, cada um cria as dependências que considera mais convenientes para salvaguarda da continuidade do seu trabalho. Até mesmo os editores que gostam de continuar a designar-se como “independentes”...

Nos últimos anos, em Portugal, a propósito da falência de uma grande Distribuidora nacional e das graves consequências dessa situação para muitos pequenos editores “independentes”, tenho ouvido culpar a lógica e o funcionamento dos grupos empresariais que entre nós actuam na área da comercialização.

Trata-se evidentemente de uma reacção emocional, muito motivada pelas previsíveis dificuldades que terão de ser geridas por essas dezenas de pequenas editoras, que recorriam antes aos serviços e ao apoio financeiro da referida Distribuidora.
Aqui, como em tudo o mais, há pois que saber controlar as nossas emoções e preocupações, tentando encontrar a correcta análise da realidade.

Os Grupos não podem ser responsabilizados por todas as nossas “desgraças”.

E, evidentemente, não parece correcto, tal como aconteceu nessa altura, tentar solicitar que seja o Estado, torneando provavelmente a legislação europeia reguladora da concorrência e do funcionamento do mercado, a intervir em casos como esses, moderando a capacidade de gestão dessas unidades empresariais relativamente a outras que operam em idênticas condições e circunstâncias de mercado.

Portugal pode dizer que tem hoje um público de leitores e de compradores regulares de livros que antes não existia – pena que as pobres estatísticas oficiais (referidas ainda aos anos em que nem sequer existiam Fnacs...), nos não consigam mostrar mais do que uma arqueologia do sector. E onde há mais leitores e mais leitura aumentam certamente as oportunidades para as empresas do sector do livro, tanto editores como livreiros.

Por formação cultural, eu não sou partidário (como parecem ser alguns dos nossos actuais responsáveis culturais) de um total liberalismo de funcionamento do mercado. Trata-se afinal da cultura de um país, do modo como nos vemos uns aos outros, ou de como queremos ser vistos do exterior. A cultura é a nossa cara, e mais do que a nossa cara é a nossa respiração.

Deixá-la entregue, livremente, com todas as suas fragilidades e especificidades, às puras regras de funcionamento do mercado é correr o risco do que pode designar-se como o fenómeno “Big-Brother”. Se o mercado exige, é isso apenas o que devemos fornecer-lhe…
Não pode ser assim... os gostos educam-se, o “pensar” ensina-se, e todos (incluindo o Estado) teremos de fazer algum esforço nesse sentido.

Mas também não pode exigir-se ao Estado que intervenha fora dos limites da sua função reguladora. O apelo vulgar e sistemático à intervenção do Estado nas situações de crise, só pode ser revelador da nossa falta de capacidade para encontrar as soluções adequadas para os problemas que teremos de ser nós a resolver.

Eu costumo dizer que devemos deixar (e sobretudo vigiar) que o Estado cumpra o seu papel e faça o trabalho que lhe compete: que produza e melhore a legislação necessária (uma boa Lei do Preço Fixo dos livros, uma mais clara legislação sobre a concorrência, um Código do Direito de Autor adaptado aos tempos modernos, etc.); que promova na actividade escolar o gosto dos jovens pela leitura e pelo estudo do nosso património literário; que intensifique o alargamento da rede de bibliotecas escolares e de leitura pública; que apoie o reconhecimento externo da nossa língua e dos nossos escritores; que apoie a edição, não estritamente comercial, do nosso património literário fundamental; que compre livros para as bibliotecas pelas quais é responsável, e não que legisle de modo a que estes lhes sejam entregues gratuitamente sob a forma de Depósitos Legais; que reflicta sobre os efeitos desse verdadeiro imposto sobre a leitura que é o IVA aplicado aos livros; ou que, ao menos, aproveite as receitas do IVA para reais acções de dinamização da leitura, etc.

O que não podemos é exigir do Estado que corrija as más decisões dos gestores editoriais.
Os Grupos empresariais na área do livro ocuparam o seu espaço em Portugal tal como aconteceu noutros países. Inundaram o mercado de muitos livros bons e de muitos livros maus, desenvolveram novas regras de funcionamento junto dos autores, aplicaram ao livro e aos seus produtores novas regras de comercialização, de marketing, de venda. Introduziram no mercado as suas regras de funcionamento, a sua elevada capacidade negocial, mas também um maior dinamismo, imaginação e criatividade que foram capazes de abrir novos espaços para a leitura, o lazer, a aprendizagem através do livro.

Construíram além disso uma indústria editorial mais forte. E sem uma indústria editorial forte não há espaço de trabalho independente para os criadores ou para os profissionais do sector.
Os Grupos não publicam só best-sellers, ou só lixo editorial. E sobretudo não são sequer os únicos a fazê-lo…

Só criando novos leitores se aumentam os hábitos de leitura permanentes; só despertando o interesse pela leitura se formam leitores cada dia mais capazes de livremente seleccionar aquilo que querem ler.

Cabe-nos a nós a adaptação e o contraponto a estes desafios. O que não podemos é continuar a repetir a filosofia da desgraça e da crise permanente, ou a solicitar o paternal apoio do Estado perante estas ditas “ameaças” – onde apenas nos é exigido uma melhor definição e ocupação do espaço enorme que nos sobra para o exercício da nossa criatividade e profissionalismo.

O mercado está a crescer acentuadamente, pelo menos em Portugal. Há que aproveitar as suas oportunidades.

A presença dos grupos de edição ou de comercialização do livro tornou o nosso mercado mais dinâmico, aberto, competitivo. Cabe aos editores e livreiros “independentes”, retirarem disso, com imaginação e trabalho, maiores benefícios e oportunidades.
Ou unirem-se, também, é outra possibilidade.


por Booktailors às 19:30 | comentar | partilhar

Qua, 31/Out/07

Sobre as capas:

“Nós não lançamos um livro do Umberto Eco ou do Saramago, lançamos do David Liss ou da Janet Wallach, que são excelentes autores, têm grandes livros mas ninguém os conhece, não vendem pelo nome. Então como é que vendem? A primeira aposta é na capa. Quem entra numa livraria tem que olhar para os nossos livros antes de olhar para os outros. Tem que os folhear, tem que ver uma paginação bonita, algum design interior pensado, não é só um logótipo a preto e branco e toca a despachar! Não, os livros dão algum trabalho e nós temos tido bons resultados com isso.”

Luis Corte Real, Os Meus Livros, Janeiro 2006, p.20


por Booktailors às 18:12 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Qua, 31/Out/07
Voltamos, então, à sessão da passada quarta-feira na Casa Fernando Pessoa, sob o tema da Concentração Editorial.

Uma dos temas abordados nessa sessão foi o papel do editor nas novas estruturas.

Tendo sido referido pelos respectivos CEO’s dos grupos representados que os editores das empresas compradas iriam manter as suas função «como anteriormente», a verdade parecia ser sempre diferente vista à luz dos respectivos interlocutores.

Se, por um lado, é referida a pretensão de manter as linhas editoriais e o processo de escolha de programação, por outro, é referida a necessidade de uma maior segmentação de cada uma das editoras (Isaías Teixeira Gomes), o que significa que não poderá permitir que as editoras actuais se desposicionem da forma como o têm vindo a fazer.
Igualmente, é referida a alteração do processo de edição executiva, que passa a ser partilhada entre o editor e um «gestor de marca», alguém cuja especialidade é observar à luz das necessidades e objectivos da empresa a validade das escolhas editoriais.

Face a isto, o processo de decisão do editor fica subalternizado e dependente de uma co-avaliação, o que levará, na melhor das hipóteses, somente à manutenção da parte mais importante para o grupo da linha editorial anterior.

Francisco Vale também referiu um facto importante, que deriva de muitos dos projectos anteriores (referia-se em particular à Teorema) terem por detrás um espírito de projecto pessoal que leva a uma maior entrega e comprometimento nas escolhas. De facto, Francisco Vale colocava a questão: «será que um editor que vendeu a sua empresa e que agora irá executar a mesma função para outros, [tendo de cumprir os objectivos dos outros,] irá conseguir ter a mesma entrega e capacidade de arriscar?» De facto, não passará esse editor a ser somente alguém que tentará manter uma linha anterior, uma gestão editorial operacional?

João Rodrigues acrescentava o facto de muitos editores que ele conhece – mormente em Espanha, segundo disse – que entraram nesse processo acabaram por ter de abandonar os seus anteriores projectos, pois não tinha sido possível manter a mesma liberdade de escolha, tendo sempre havido um ponto de ruptura onde o representante do detentor do capital (gestor) acabava por sair como vencedor.
Nelson de Matos, apesar de ter estado presente e para pena de todos, absteve-se de comentar o tema – apesar de já o ter vindo a fazer publicamente em algumas ocasiões.

Face a estas questões não foram apresentados muitos argumentos em contrário, tendo o mercado e os editores que passaram a estar nessa situação de esperar para ver.

(a continuar)


por Booktailors às 10:14 | comentar | partilhar

Qua, 31/Out/07
Mil perdões para quem esperava ontem a continuação do Edição em Desassossego, mas os valores de mercado da Gfk (4.º grupo mundial de estudos de mercado) são um tema de importância extrema (dada a falta generalizada de informação) e o post acabou por não sair no dia de ontem.

Em relação aos valores de mercado, o estudo da Gfk representa somente as vendas no retalho de highstreet, rede de livrarias e hipermercados (cerca de 700 pontos), através do cálculo dos valores à boca de caixa.
Nos primeiros seis meses de 2007 venderam-se, desta forma, 7,3 milhões de livros, sendo de recordar que o 1.º semestre é sempre mais fraco do que o 2.º semestre em termos de vendas - aliás, um dos desequilíbrios deste mercado:

Valor de quota por segmento:
- Literatura geral: 28,3%
- Infanto-juvenil: 19,9%
- Turismo e Lazer: 13,7% (em parte devido ao período das pré-férias)
- Ciências: 10,9%
- outros: abaixo de 10%

De realçar que os hipermercados já ultrapassaram neste estudo a quota dos 30% (31,4%).


por Booktailors às 09:21 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Ter, 30/Out/07
Ter, 30/Out/07
Via Con Valor e «Meios & Publicidade».

Felizmente os nossos amigos de Espanha estão atentos e interessados, pelo que tivemos conhecimento que a RBA comprou a Hachette Filipacchi Publicações - Portugal, cuja presença no nosso país se limita às publicações periódicas, tendo na sua carteira a revista «Elle», «Ragazza», «Premiere», «Casa Dez» e «Cozinha Dez».

A RBA Edipresse publica em Portugal a revista «National Geographic», aumentando assim consideravelmente o seu portefólio.


por Booktailors às 10:40 | comentar | partilhar

Ter, 30/Out/07
Para quem espera a continuação do Edição em Desassossego, a mesma aparecerá da parte da tarde.

Entretanto, e porque de facto merece a pena ser lido, deixo-vos o texto que José Afonso Furtado leu no lançamento do livro Indústrias Culturais - Imagens, Valores e Consumos, de Rogério Santos - oriundo do blogue homónimo -, e publicado pelas Edições 70.

«Como a intervenção é curta, seleccionei dois pontos que gostaria de referir.

O primeiro tem a ver com os blogues em geral e o Indústrias Culturais em particular, já que a quase totalidade dos temas, textos e imagens agora recolhidos na obra tiveram a sua origem naquele blogue.

Chris Anderson, escreveu em Maio de 2005 no seu blogue The Long Tail, que a primeira regra da blogosfera é evitar generalizações sobre os blogues, com o que pretende significar que é inútil tentar transformar os blogues numa instituição como o jornalismo, por exemplo, pois eles são muito diversos em termos de conteúdo, qualidade, ambição e sensatez. E se o seu modelo óbvio de configuração formal é o diário, ele pode ser íntimo ou intelectual, mundano ou cultural, pois os blogues resultam de diferentes motivações sociais e são, basicamente, individuais. Apesar disso, Rebecca Blood refere que a maioria dos blogues seguem ainda hoje o seu formato inicial, apresentando links para zonas da web ou para artigos e notícias consideradas relevantes, quase sempre acompanhados por curtos comentários. Contudo, o crescimento exponencial da blogosfera veio questionar esse formato, pois os blogues tornaram-se tão numerosos quanto difíceis de navegar e tão confusos como a própria web para o utilizador pouco experimentado.

Desse modo, a par do estilo «links e comentários pessoais», os blogues têm vindo a aproximar-se do modelo «website regularmente actualizado com novos posts no início da página», o que não deixará de ter relação com o facto de profissionais e investigadores usarem agora os blogues para reflectirem sobre o seu trabalho, para acompanharem os desenvolvimentos no seu campo e para publicarem ou testarem as suas ideias. Os blogues são assim profundamente maleáveis como são inúmeras as formas que podem assumir, muito embora quase todos privilegiem a divulgação de informação e a interacção com uma comunidade de interesses. Acrescente-se aliás que o seu sucesso depende em grande medida da qualidade e da relevância dos seus conteúdos para essa comunidade.

Posto isto, como caracterizar o «Indústrias Culturais»? Tendo começado por assumir um aspecto pedagógico de suplemento das aulas do seu criador, centrado essencialmente na genealogia e teorização do conceito de indústrias culturais e de indústrias criativas, rapidamente as características do meio e as idiosincrasias do blogueiro, levaram a uma verdadeira «explosão» temática. Encontramos assim num só blogue uma diversidade de formatos, correlato da multiplicidade de interesses do seu responsável, e que oscilam, nas suas próprias palavras, entre dois polos: «a perspectiva clássica da academia em termos de reflexão» e «o trabalho jornalístico de abordar os temas agendados e de actualidade».

Cremos que a importância, a originalidade e o sucesso deste blogue têm a ver com as suas sólidas reflexões teóricas, por vezes próximas do modelo «Thinking by Writing», com o seu papel de filtro e de organizador de agenda (o termo é de Jose Luis Orihuela) - resenhas, notas de leitura, análises e sugestões -, com a sua atenção aos acontecimentos nas áreas das artes e espectáculos e à agenda mediática e, certamente, com a exuberante diversidade das suas «obsessões». Rogério Santos pertence claramente à categoria dos consumidores insaciáveis (omnívoros) segundo o modelo de Jordi Lopez e Ercília García, modelo que ele analisa detidamente, o que aliás me permitiu conhecer o seu interesse pela zarzuela!

Por outro lado, algumas vezes o blogue transforma-se em metablogue e o blogueiro em teórico da blogosfera. Numa desses momentos (22 de Abril de 2005), Rogério Santos faz uma chamada de atenção para a absoluta necessidade de um mínimo de regras de conduta, num momento em que se assiste a uma progressiva mercantilização da blogosfera, a uma expansão do que chama blogues de entretenimento e em que muitas vezes se verificam casos de «cibervandalismo». Gostaria de enfatizar a importância desta questão da ética na blogosfera, porventura decisiva para a sua credibilidade e sobrevivência a prazo. Mas, sobretudo, Rogério Santos manifesta uma constante atenção, disponibilidade e generosidade em relação a tudo o que de novo vai surgindo: reflexões de alunos, teses de mestrados, jovens blogueiros, novos criadores, primeiras obras … o que não deixará de contribuir para um efeito de rede, para a criação de novas formas de sociabilidade e de comunicação interpessoal.

O segundo ponto que gostaria de referir muito brevemente é o da relação entre blogues e livros. Chris Chesher refere que o autor, que muitos deram como ameaçado pelas características da escrita e do texto digital, afinal está vivo, encontra-se bem e tem um blogue. Blogue que de algum modo o perpetua, que com ele coexiste mas que também o transforma. Na verdade, os escritores lidam nesse ambiente com condições materiais dos textos muito diferentes das tradicionais. Os blogues não são livros: os livros são produzidos, distribuídos, promovidos e chegam ao consumidor através de pontos de venda comerciais (simplifico, naturalmente). Os blogues são criados por um indivíduo ou por um pequeno grupo, acessíveis com facilidade e distribuídos electronicamente quase sem custos. Por outro lado, os blogues operam numa ordem temporal muito diferente. Se os livros têm uma data de publicação (que apõe um selo ao seu conteúdo), os blogues lêem-se como uma espécie de narrativa em episódios e por ordem inversa. Mais ainda, se os textos de um livro são cuidadosamente organizados, formalmente expressos, completos e internamente consistentes, os blogues apresentam com frequência primeiros drafts, são coloquiais, familiares e fragmentários, e podem ter o imediato feedback dos seus leitores. Há uma autoria nos blogues, mas ela não se correlaciona com os mesmos campos sociais da autoria no impresso.

Nada que Rogério Santos não saiba. Como ele afirma, entre a edição na internet e a escrita em papel alteram-se os ritmos, os alcances de leitura, a organização de materiais e mesmo os próprios materiais. Acresce que «o livro em papel é ponto de chegada, sujeito apenas ao crivo crítico posterior dos seus leitores», enquanto «a internet é continuamente ponto de partida e ponto de chegada, aceitando a rasura, o retomar de um assunto como se fosse um diário ou uma conversa». Ou seja, como conclui lapidarmente, «o blogue é mais aberto que o livro, o livro é mais espesso que o blogue».

Não cabe aqui estabelecer hierarquias, pois a aparente debilidade de um blogue – o carácter efémero de muita informação – tem como contrapartida o seu dinamismo, facilidade de inserção de informação e reacção à leitura quase em tempo real, características que as novas ferramentas da chamada Web 2.0 vêm facilitar e expandir. Mas também porque, na terminologia de Eliseo Veron, com os blogues estabelece-se um novo «contrato de leitura», que pouco tem a ver com o posicionamento discursivo de outros media mais tradicionais.

Em conclusão, se a frequência do blogue de Rogério Santos é uma exigência para quem se interessa ou trabalha no campo das indústrias culturais, temos a partir de hoje acesso a um livro que com ele se não confunde, porventura a espaços mais focado e aprofundado nalgumas tematizações, e que é, a um tempo, uma obra teoricamente preciosa e um texto de leitura fascinante.

José Afonso Furtado»


por Booktailors às 10:12 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Seg, 29/Out/07
Seg, 29/Out/07
O neto do escritor Jorge Amado pondera a hipótese de doar todo o espólio do autor a uma universidade norte-americana. Esta intenção surge na consequência da dificuldade em obter financiamento por parte do Governo da Bahia para a conservação das 250 000 peças que compõem o espólio.

O embaixador português no Brasil, Seixas da Costa, mostrou o interesse de Portugal em receber o dito espólio.

Por seu lado, Miriam Fraga, directora da Fundação Jorge Amado, já veio dizer que a doação do espólio para fora do Brasil será o último recurso.

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por Booktailors às 20:07 | comentar | partilhar

Seg, 29/Out/07
Orfeu Negro será o nome de uma imprint da Antígona, dedicada às Artes Contemporâneas. A apresentação do primeiro livro decorrerá amanhã, dia 30 de Outubro, no Lux Frágil, durante a qual será lançada o primeiro livro da editora: A arte da Performance: do futurismo ao presente, de RoseLee Goldberg.

Segundo o website da Antígona a nova editora caracteriza-se da seguinte forma: «Da dança à arquitectura, passando pela música, o teatro, a fotografia, o cinema e as artes plásticas, ORFEU NEGRO privilegia a transversalidade do pensamento artístico e as áreas híbridas da criação. Mito da transgressão, Orfeu representa também a aventura da criação artística. Orfeu Negro, designação furtada ao título do filme de Marcel Camus, que por sua vez adapta a peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, acrescenta mais uma leitura às várias interpretações.»


por Booktailors às 20:00 | comentar | partilhar

Sáb, 27/Out/07
Sáb, 27/Out/07
Gostaria de apresentar um novo blogue, irmão no tema, que surgiu para os lados da Avenida de Berna.
Trata-se de O Caderno de Teoria da Edição, um blogue idealizado por Rui Zink e implementado pelos seus mestrando do curso de Edição de Texto da Universidade Nova e que, esperamos nós, se irá juntar à pequena mas interessante comunidade de blogues de edição que começam a existir em Portugal.

Para já convido-vos a visitar O Caderno de Teoria da Edição.


por Booktailors às 08:34 | comentar | partilhar

Sex, 26/Out/07
Sex, 26/Out/07
valter hugo mãe, escritor e autor do blogue Casa de Osso, acaba de ganhar o Prémio José Saramago que visa distinguir autores com menos de 35 anos, com a obra «O Remorso de Baltazar Serapião», publicado pela Quidnovi.

Desde já damos os parabéns ao valter, mas ficamos com uma dúvida: não tens 36 anos?





Biografia do autor (texto e fotografia cedidos pela editora):

Nasceu em 1971, na cidade angolana de Saurimo.
Passou a infância em Paços de Ferreira e vive em Vila do Conde.
Licenciou-se em Direito e é pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea.


Publicou nove livros de poesia, entre os quais três minutos antes de a maré encher, a cobrição das filhas, útero, o resto da minha alegria, livro de maldições e pornografia erudita. Recebeu o Prémio de Poesia Almeida Garrett da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto com o livro egon schiele, auto-retrato de dupla encarnação. Para além da escrita, estende ainda a sua actividade artística às artes plásticas.


Foi fundador e co-responsável pelas Quasi Edições, até 2004.


A obra (texto cedido pela editora):

Numa Idade Média brutal e miserável, Baltazar casa com a mulher dos seus sonhos e, tal como o pai fizera antes com a mãe e com a vaca Sarga, fêmeas irmanadas em condição e estatuto familiar, leva muito a sério a administração da sua educação. Mas o senhor feudal, pondo os olhos sobre a jovem esposa, não desiste de exercer sobre ela os seus direitos. Entregue aos desmandos do poder e do destino, Baltazar será forçado a seguir por caminhos que o levarão ao encontro da bruxaria, da possessão e do remorso.


Com um notável trabalho de linguagem que recria poeticamente a língua arcaica e rude do povo, o remorso de baltazar serapião, de valter hugo mãe — autor, entre outros, de o nosso reino, seleccionado pelo Diário de Notícias como um dos melhores romances portugueses de 2004 — é uma tenebrosa metáfora da violência doméstica e do poder sinistro do amor.

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por Booktailors às 14:50 | comentar | partilhar

Sex, 26/Out/07
O encontro de Escritores decorrerá entre hoje e amanhã, em Torres Vedras. A programação está a cargo do Luis Cristóvão, responsável da livrododia.

A Booktailors - Consultores Editoriais participará neste evento, no debate O mercado dos Livros, marcado para as 17h30 de amanhã, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Este painel contará ainda com a participação de Miguel Real, Pedro Mexia e José Prata, da Lua de Papel.

Para mais informações, cliquem p.f. na imagem.


por Booktailors às 14:12 | comentar | partilhar

Sex, 26/Out/07
A partir do blog homónino, decorreu ontem, pelas 17h na Almedina do Saldanha, o lançamento da obra de Rogério Santos. Edição a cargo das Edições 70. De leitura obrigatória.

Deixamos aqui a informação enviada aos jornalistas sobre a obra.

Sobre a obra:
As indústrias culturais remetem para o universo de reprodução técnica (registo e difusão) da cultura, casos da televisão, cinema, música e fotografia. Um bem cultural torna-se acessível a qualquer pessoa graças à cópia ou ao envio de ficheiro pela internet. Mais recentemente, ganharam força as indústrias criativas, presentes nas artes do espectáculo e cuja articulação com a publicidade, vídeo, actividades de lazer e indústrias culturais contribui para a formação do PIB de um país ou região.O livro resulta do cruzamento de vários caminhos teóricos e práticos, como a reflexão a partir do texto fundador de Adorno e Horkheimer sobre indústrias culturais e a análise destas actividades com especialistas e estudantes universitários. Inclui-se também a compreensão dos grupos receptores: audiências de televisão, consumidores de centros comerciais, fãs de bandas musicais ou jogos como o Sudoku.
O ponto de partida do livro é o blogue Indústrias Culturais (http://industrias-culturais.blogspot.com/), espaço que o autor alimenta diariamente e onde observa e comenta a realidade dos acontecimentos, faz a leitura de livros e artigos de jornais sobre a área e partilha os mesmos assuntos com outros investigadores ou simples leitores.

Sobre o autor:
ROGÉRIO SANTOS é doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa. Lecciona na licenciatura e mestrado de Comunicação na Universidade Católica Portuguesa, onde também coordena a área científica de Ciências da Comunicação e pertence ao conselho editorial da revista Comunicação e Cultura e ao Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (CECC). Integra, também, os corpos sociais do CIMJ (Centro de Investigação Media e Jornalismo) e é membro fundador da SOPCOM (Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação). No CIMJ, é membro do conselho editorial da revista Media & Jornalismo e foi investigador em projectos financiados pela Fundação Ciência e Tecnologia. Tem também uma relação muito próxima com o Obercom (Observatório da Comunicação), de que foi vogal no primeiro conselho directivo. Dos livros que publicou, destacam-se A Negociação entre Jornalistas e Fontes (Minerva, Coimbra, 1997), Os Novos Media e o Espaço Público (Gradiva, Lisboa, 1998), Jornalistas e Fontes de Informação – a sua Relação na Perspectiva da Sociologia do Jornalismo (Minerva, Coimbra, 2003), As Vozes da Rádio, 1924-1939 (Editorial Caminho, 2005) e A Fonte não Quis Comentar – um Estudo sobre a Produção das Notícias (Campo das Letras, Porto, 2006). É co-autor de O Estudo do Jornalismo Português em Análises de Caso (Caminho, Lisboa, 2001) e de Rumo ao Cibermundo? (Celta, Oeiras, 2000). De 2003 a 2005 dirigiu a revista MediaXXI...


por Booktailors às 13:48 | comentar | partilhar

Sex, 26/Out/07
Agradecemos desde já o link deixado no post abaixo, por um leitor. Reproduzimos aqui a notícia publicada no Jornal de Notícias:

Paes do Amaral quer controlar espaço lusófonoA 'holding' de Miguel Paes do Amaral quer assumir a liderança no mercado de edição de livros no espaço lusófono, criando um grupo sediado no Brasil, e com operações em Portugal e nos países africanos de língua portuguesa.A revelação foi feita anteontem por Isaías Gomes Teixeira, administrador executivo (CEO) do grupo editorial, num debate promovido pela Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. O ex-director do extinto jornal "O Independente", disse ainda ter sabido, no mesmo dia, que a Autoridade de Concorrência aprovou a aquisição das editoras Nova Gaia e Gailivro.A entrada da 'holding' no negócio dos livros começou após a venda dos activos do grupo de Paes do Amaral na Comunicação Social (Media Capital), quando o dossiê da Texto Editora foi apresentado. Numa primeira fase, revelou, o negócio pareceu pouco atraente, "mas depois vimos o peso das vendas de Angola e Moçambique" nas contas da editora lusófona e nasceu a ideia de avançar para uma operação de grande dimensão no espaço lusófono. Seguiram-se as compras da editora Asa, da Caminho - que edita o único Nobel de língua portuguesa, José Saramago, e controla a angolana Ndjira e a moçambicana Nzila - e finalmente da Nova Gaia e Gailivro.


por Booktailors às 13:11 | comentar | partilhar

Sex, 26/Out/07

Via Con Valor.

A Fnac está de facto convencida em alargar a sua presença na península ibérica.

Após alguns anos de estabilização, resolveu começar a apostar na abertura de novos espaços e, agora, anuncia uma mega operação de alargamento dos seus estabelecimentos na vizinha Espanha.

São 48 milhões de euros que permitirão à Fnac aumentar de 16 para 30 os espaços nesse país, nada de exagerado, se se souber que a facturação da empresa em Espanha foi, em 2006, de quase 400 milhões de euros - de realçar que o editorial (livros, revistas, CD's e DVD's conjuntamente) representam apenas 44% desse valor.


por Booktailors às 12:35 | comentar | partilhar

Qui, 25/Out/07
Qui, 25/Out/07
A sessão de ontem foi de tal forma preenchida que iremos abordá-la em mais do que um post.
Para já, segue um esboço com algumas das informações de que todos esperávamos.

De uma forma breve, poderemos começar por dizer que a sessão foi concorrida e durou até altas horas (00:30).
Tendo esta sido a primeira apresentação de Isaías Gomes Teixeira (que afinal pôde estar presente por motivos relacionados com a greve da TAP, substituindo à última hora o seu n.º 2, João Amaral) e do novo projecto à comunidade de editores, não podia ter tido melhor recepção, tendo contado com a presença de parte muito significativa da comunidade – alguns deles envolvidos nos processos de concentração –, ou representados por elementos de topo das suas estruturas.
Tendo começado de forma calma, Francisco Vale (Relógio d’Água) escolheu para escolha do mês obras de 3 editoras diferentes, 2 deles pertencentes a grupos editoriais, demonstrando à partida não partilhar da opinião que os grupos editoriais só publicam livros de menor valor e interesse.
Inês Pedrosa apresentou o seu livro futuro (a sair pela D. Quixote no próximo dia 22 de Novembro), cuja temática foi suscitada pelo CNC, pela celebração dos 400 anos do nascimento do Padre António Vieira (1608-2008), numa viagem pelo percurso dele pelo Brasil.

Iniciou-se depois o diálogo em torno do tema que a todos nos levava.

A primeira e mais importante questão que todos queríamos saber (não era propriamente o tema, que esse já foi discutido há trinta anos lá fora, como disse Carlos da Veiga Ferreira, da Teorema) era: o que é o grupo editorial Paes do Amaral.
Pelas palavras de Isaías Gomes Teixeira, é um grupo de irá durar mais do que os 3 ou 5 anos que muitos prognosticam.
O projecto deles é transnacional mas não translinguístico, pretendendo criar «o maior grupo editorial de língua portuguesa».
Para isso compraram em Portugal editoras com presença relevante nos países lusófonos (tanto no escolar, como a Texto, como no não escolar, como a Caminho), e pretendem comprar agora do outro lado do atlântico, apontando para editoras com presença lusófona (escolar e não escolar) e que tenham relevância em termos de autores de língua portuguesa.
Referiu ele que será um projecto para mais de 10 anos. A ver vamos.
Outros dados relevantes referidos por Isaías Gomes Teixeira:
O downsizing vai centrar-se no back-office, onde chegou a referir – desconheço se somente como exemplo – uma redução de 75% dos efectivos que verão a sua ligação terminada com as empresas ou que serão reconduzidos para outras funções e áreas ainda não exploradas actualmente.
Referiu também que todos os editores manterão a liberdade anterior, mas terão um «gestor de marca» (ou de produto) a trabalhar conjuntamente.
Outro dado interessante foi o facto de terem, no decorrer da sua explicação do processo de reorganização do grupo, e das necessidades de maior segmentação por parte das editoras compradas, actualmente uma quota de mercado totalmente absolutamente astronómica da literatura infanto-juvenil.

Mais d’a edição em desassossego brevemente.

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por Booktailors às 16:24 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Qua, 24/Out/07
Qua, 24/Out/07
A Explorer Investments, conhecida no meio editorial pela sua ligação à Oficina do Livro e à Teorema, admitiu estar em negociações com a Media Capital, com vista à aquisição da Media Capital Outdoor. Uma notícia Meios e Publicidade:

"Não temos ainda fechado o negócio, mas estamos em negociações com o fundo Explorer [Investments]." A afirmação é de Manuel Polanco, administrador-delegado da Media Capital, proferida hoje num encontro com os jornalistas, relativamente à venda da MCO. As negociações para a venda da empresa de publicidade exterior devem estar concluídas "entre o final deste mês, princípio do próximo", escusando-se, no entanto, Manuel Polanco a revelar o valor do negócio.Recorde-se que a Media Capital anunciou em Julho a intenção de colocar à venda o braço outdoor, dado que "nesta postura de produtor e fornecedor de conteúdos a MCO não se enquadra", como explica Manuel Polanco referindo-se à estratégia do grupo de media. JC Decaux, Cemusa e um fundo de investimento norte-americano foram alguns dos nomes apontados no mercado como presentes na corrida, nomes nunca confirmados pelas partes. A Explorer Investments, uma sociedade portuguesa de capital de risco liderada por Rodrigo Guimarães, chegou à fase final das conversações de um negócio que é apontado como valendo entre 30 a 40 milhões. A MCO é o segundo maior operador de publicidade exterior segundo a Media Monitor. Manuel Polanco referiu ainda a intenção de dispersar parte do capital do grupo de media em bolsa - "entre 20 a 30%" - ainda que sem precisar metas temporais. "Quanto mais cedo melhor, mas o mercado neste momento não atravessa uma fase estável", justifica o administrador-delegado.


por Booktailors às 14:11 | comentar | partilhar

Qua, 24/Out/07

João Pereira Coutinho (JPC): Porque é que lês?

Miguel Esteves Cardoso (MEC): Para além de gostar, porque é a forma mais económica de conhecimento. É uma forma de roubo. Um gajo está dois anos a escrever um livro e tu lês aquilo numa noite, percebes? É roubar. É como roubar num supermercado.

(…)

JPC: Detesto aqueles tipos que têm uma atitude utilitária em relação a tudo: lêem para saber mais, para fazer currículo...

MEC: Isso é uma coisa dos portugueses de agora. A ideia de ler para: para tirar um curso, ir não sei onde, porque é obrigatório ler, etc. Essas pessoas não sabem o que verdadeiramente perdem. É como comprar um livro de viagens para depois ir conhecer o sítio. É ridículo. Os livros servem sobretudo a nossa curiosidade e também um sentimento de controlo que todos temos. Tu, ao leres um livro, és um pequeno deus. Pode ser um gajo de que gostas, tipo Gore Vidal ou Oakeshott. Quando queres, podes parar a leitura para pensar, ou saltas umas folhas, ou mandas o livro para o lixo. Isso não acontece na vida real, essa possibilidade de escolha.

JPC: E aqueles tipos que dizem que estão a ler várias coisas ao mesmo tempo nos inquéritos da praxe?

MEC: Isso são pessoas que não lêem. É tudo mentira. Pessoas que se lembram de dizer os livros todos que andam a ler são pessoas que não lêem.

João Pereira Coutinho e Miguel Esteves Cardoso, Independente, 07.09.2001 (disponível no website de JPC)


por Booktailors às 08:53 | comentar | partilhar

Ter, 23/Out/07
Ter, 23/Out/07
A não perder amanhã, pelas 21h30, na Casa Fernando Pessoa, o encontro moderado por Carlos Vaz Marques, subordinado ao tema "Concentração editorial: perigos e vantagens".

O encontra conta com as participações de João Amaral (director coordenador de edições gerais do novo grupo do empresário Paes do Amaral), António Lobato Faria (responsável editorial pelo grupo Oficina do Livro), João Rodrigues (editor da Sextante) e Francisco Vale (responsável pela editora Relógio d’Água.)


por Booktailors às 15:09 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Ter, 23/Out/07

Hoje, no Público, página 2 e 3 (secção destaque), um especial de Bárbara Wong sobre os resultados do Plano Nacional de Leitura e algumas estatísticas.

ARTIGO 1 “José Sócrates anunciou investimento de cinco milhões de euros para que todas as escolas tenham biblioteca escolar até ao final do ano lectivo"

Os portugueses estão a ler mais do que há dez anos atrás. Lêem mais jornais, revistas e livros, mas ainda assim não lêem o suficiente quando se compara com outros países europeus. Em dez anos, o número de leitores de livros aumentou sete por cento e o de jornais quase 20 por cento, diz o estudo A Leitura em Portugal que será hoje divulgado na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no âmbito do congresso de avaliação do Plano Nacional de Leitura (PNL).

Este ligeiro aumento do número de leitores ainda fica "aquém" do espectável, considera a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Por isso, o Governo vai continuar a investir quer no PNL, quer na rede de bibliotecas escolares.

O investimento foi anunciado pelo primeiro-ministro José Sócrates: até ao final do ano lectivo, todas as escolas do ensino básico estarão integradas na rede de bibliotecas escolares, o que implica um investimento de cinco milhões de euros, noticia a Lusa.

O Ministério da Educação vai investir 1,5 milhões de euros no apetrechamento de bibliotecas com livros, e as autarquias investirão outros 1,5 milhões de euros com o mesmo fim. A rede de bibliotecas nas escolas básicas vai ser concluída com a construção de 130 novos espaços e em 17 secundárias serão renovadas as bibliotecas. Nos últimos dez anos, foram criadas 1880 bibliotecas, 847 no 1.º ciclo e 1033 nos restantes, tendo sido investidos 33,5 milhões em recurso técnicos e docentes.

Maria de Lurdes Rodrigues elogiou o trabalho do Gabinete de Bibliotecas Escolares, com poucos recursos humanos e sob a "liderança segura" de Teresa Calçada, desde que foi criado, há dez anos. "Dou os parabéns à coordenadora, mas também ao ministro da Educação de então [Marçal Grilo] e aos seguintes, que foram respondendo pela política educativa".

Para José Sócrates, as bibliotecas "favorecem o acesso de todos aos livros e à leitura, a escola fica mais completa e serve melhor os alunos e, se forem organizadas segundo um padrão nacional, reduzem as desigualdades e as assimetrias".


Bibliotecas em meio rural
Fazendo referência a um dos estudos que serão hoje apresentados, Isabel Alçada, comissária do Plano Nacional de Leitura, diz que as bibliotecas escolares têm maior importância nos meios rurais, provavelmente porque nos urbanos há mais recursos. Contudo, segundo o inquérito aos Hábitos de Leitura da População Escolar, a importância da biblioteca escolar vai diminuindo à medida que os alunos vão crescendo em idade e exigências de leitura.
Os estudantes vão à biblioteca para procurar livros, mas o seu número diminui drasticamnente do 2.º ciclo para o secundário, onde apenas 12 por cento dizem recorrer àquele espaço para esse efeito. A biblioteca serve também para preparar trabalhos escolares. Para isso, é procurada por 35 por cento dos alunos do 2.º ciclo, 23 por cento do 3.º e 21 por cento do secundário. Em sentido contrário sobe o uso da Internet, que é mais procurada pelos do secundário (22 por cento).

Também o estudo A Leitura em Portugal, coordenado por Maria de Lourdes Lima dos Santos, do Observatório das Actividades Culturais, sobre os hábitos de leitura dos portugueses, se debruça sobre o uso da biblioteca. No universo de 2552 inquiridos, foi criada uma subamostra de 737 pais e encarregados de educação que dizem que, em 36,5 por cento dos casos, os seus filhos nunca frequentaram a biblioteca escolar e 50,6 nunca foram à biblioteca municipal. Porque não o fazem? Porque têm outras maneiras de aceder aos livros, respondem.

No entanto, os que frequentam consideram que a biblioteca pode estimular a leitura dos filhos de várias formas porque tem uma selecção adequada de livros para as suas idades, oferece condições para desenvolver trabalhos escolares e tem um ambiente atractivo.No entender de Isabel Alçada, ainda há muito trabalho a fazer, porque "a leitura não é só para a escola, mas é essencial para a vida", conclui a coordenadora do PNL.


ARTIGO 2: "Estudantes crescem e tornam-se leitores menos entusiasmados"


Gostam de ler. Não o fazem só por obrigação escolar, mas porque gostam de livros de aventuras, banda desenhada... E romances, dizem os mais velhos. As raparigas parecem gostar mais do que os rapazes, para quem a leitura é um aborrecimento

Ao contrário do que diz o senso comum, os estudantes não são tão maus leitores quanto isso. Lêem, gostam de ler e não lêem pouco, diz o estudo sobre os Hábitos de Leitura da População Escolar, coordenado por Mário Lages, da Universidade Católica Portuguesa, que é hoje apresentado na Fundação Gulbenkian, em Lisboa.

É no 2.º ciclo, quando os estudantes estão no 5.º e no 6.º anos, que aparentam ser leitores mais entusiasmados. Lêem livros juvenis, de aventuras, banda desenhada, mas gostam menos de romances. São os mais velhos, os alunos do secundário, quem dedica mais tempo a este género literário.
Se, no 2.º ciclo, nove em cada dez alunos dizem que gostam de ler, no secundário apenas três em cada dez confessam "gostar muito", revela o inquérito do Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Católica. A análise foi feita com base em cinco inquéritos realizados a cerca de 24 mil alunos do 1.º ao 12.º anos, em Portugal continental, no final de 2006 e princípio de 2007.

"É nos primeiros anos que se formam atitudes e comportamentos face à leitura, os quais irão condicionar em grande medida o futuro gosto de ler", escreve-se no capítulo das conclusões. E embora, nos primeiros anos, além da leitura, as crianças tenham outras actividades muito diversificadas que combinam o físico e o intelectual, o que se observa é que, 61 por cento dos meninos dos 3.º e 4.º anos confessam que "gostam muito" de ler. É no 2.º ciclo, quando já sabem ler bem e compreender o que está escrito, que os alunos se entusiasmam com a leitura: 90 por cento diz "gostar muito ou assim-assim de ler" - é a percentagem mais elevada dos quatro níveis de ensino. Apenas quatro por cento não dedicam nenhum tempo diário à leitura de livros não escolares, jornais ou revistas. Os pré-adolescentes manifestam uma atitude positiva e associam à leitura conceitos como "imaginação, aprendizagem, diversão, prazer e utilidade".

Contudo, estes dados são vistos com alguma precaução pela equipa de Mário Lages, que considera as respostas dos alunos um pouco inflacionadas. "Estes alunos já entendem qual o papel do inquirido e o que dele é esperado", justifica. No entanto, cabe à família, à escola e ao grupo de pares não deixar esmorecer o entusiasmo que sentem por um "novo mundo", recomenda o estudo.

Chegados ao 3.º ciclo, os valores caem: há 29 por cento dos inquiridos que dizem "gostar pouco ou nada de ler". Quase 3/4 não leram outros livros que não os escolares, mais de metade não tinha lido sequer os escolares e cerca de um terço não leu jornais ou revistas, no último ano. E o desinteresse vai crescendo à medida que passam de ano, ou seja, é maior no 9.º do que no 7.º ano.

No caso do ensino secundário, verifica-se um movimento inverso: o gosto cresce quase exponencialmente dos que desejam ficar pelo 12.º ano até aos que pretendem chegar ao doutoramento, revela o inquérito. Portanto, são estes últimos que mais gostam de ler. No secundário, 29 por cento dizem que "gostam muito" de ler e, entre estes, há cinco por cento que se confessam viciados na leitura.

Em todos os ciclos, as raparigas revelam-se mais interessadas na leitura do que os rapazes e despendem mais tempo com esta actividade. Para elas, ler está a associado ao desejo de conhecer coisas novas, de aprender e de se divertir; para eles, é um aborrecimento, fazem-no com esforço, por dever e consideram que é uma inutilidade.

As crianças e jovens gostam de falar sobre o que lêem com a mãe (46 por cento), um amigo (41 por cento), os irmãos (26 por cento), o pai (25 por cento), o professor (oito por cento) e o bibliotecário (2 por cento). A intervenção da família revela-se importante. O estudo mostra que são os pais com maior escolaridade que inculcam o gosto e o hábito de leitura aos mais novos.

Dois em cada três estudantes diz ter entre 20 a 100 títulos e apenas nove por cento referem ter mais de 500 livros. O estudo aponta que o não gostar de ler resulta de uma ausência de livros em casa, mas também de incentivo, de utilização de espaços de leitura e troca de livros.

Os professores têm um papel importante, sobretudo junto dos alunos de famílias com menos recursos e nos meios rurais, "possivelmente" onde há menor oferta cultural. B.W


ARTIGO 3: "Plano Nacional de Leitura "globalmente positivo" "
O balanço do Plano Nacional de Leitura (PNL) é "globalmente positivo", sobretudo no que diz respeito à adesão das escolas e autarquias. Todos os actores envolvidos são da opinião que o projecto deve continuar, apontam os resultados da Avaliação Externa do PNL, feita pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (CIES/ISCTE), coordenado por António Firmino da Costa. O estudo é hoje apresentado na Gulbenkian, em Lisboa.

A adesão das escolas ao PNL é positiva: 7500 (incluindo jardins-de-infância e escolas de 1.º e 2.º ciclos), o que corresponde a um milhão de crianças envolvidas. Também as bibliotecas públicas estão a trabalha projectos de promoção da leitura. Do ponto de vista financeiro, 676 escolas receberam reforço de orçamento para comprar livros para ler na sala de aula, num valor de cerca de um milhão e meio de euros. Cerca de 150 autarquias estabeleceram protocolos para apoio das escolas dos seus concelhos.

O CIES/ISCTE fez um inquérito a que responderam mais de 35 por cento das escolas. Para 83 por cento das inquiridas, o PNL é positivo para reforçar a promoção da leitura, nomeadamente na sala de aula.

A adesão dos alunos às actividades é avaliada como "forte ou muito forte" nos vários níveis de ensino. No inquérito, as escolas respondem que as actividades foram "muito favoráveis" ao incremento de práticas de leitura dos alunos, do seu interesse e das suas competências. Em cerca de 70 por cento, os professores terão notado progressos "parciais" dos alunos no domínio da leitura.

Mas os inquiridos também enunciam dificuldades. A saber: o tempo e os recursos disponíveis, que são considerados por 77 por cento das escolas como escassos. O CIES/ISCTE fez ainda estudos de caso em 17 escolas, 14 bibliotecas escolares, sete públicas e oito câmaras municipais. Nestes, os aspectos menos positivos que apontam são os atrasos na comunicação de iniciativas, críticas às listas de livros e a não inclusão de algumas escolas nos apoios financeiros.

E como é que o público em geral acompanha o PNL? Mais de metade dos inquiridos com ensino superior já ouviu falar (53 por cento), mas, à medida que a escolaridade diminui, decresce o número dos sabem o que é. Apesar disso, a opinião é unânime: um plano destes é "importante, ou mesmo muito importante, para desenvolver os hábitos e as capacidades de leitura dos portugueses". B.W.


ESTATÍSTICAS:
O que lêem os portugueses?
- Livros (1997): 53,4%
- Livros (2007): 56,9 [+3,5%]

- Jornais (1997): 69,4%
- Jornais (2007): 83%[+13,6%]

- Revistas (1997): 69,2%
- Revistas (2007): 73%[+3,8%]

- Não-leitores (1997): 12,4%
- Não-leitores (1997): 4,7% [-7,7%]


Quantos livros compraram no último ano
:
- 1 a 5: 32%
- 6 a 10: 8%
- >11: 4,9%
- Nenhum: 51,4%
- Ns/nr: 3,7%


Quem são os portugueses que lêem livros, jornais e revistas?
- Livros: 64,3% Mulheres
- Homens: 48,8% Homens

- Jornais: 91,2% dos homens
- Jornais: 75,6 das Mulheres

- Revistas: 62,4% dos homens
- Revistas: 82,7 das Mulheres

Por idades:
15-24 anos
- 73,8%: livros
- 79,1%: jornais
- 84,9%: revistas

25-34 anos
- 67,2%: livros
- 86%: jornais
- 80,6%: revistas

35-54 anos
- 54%: livros
- 86,7%: jornais
- 74,6 %: revistas

>55 anos
- 41,8 %: livros
- 78,7 %: jornais
- 57,2 %: revistas

Por Grau de escolaridade:
Até 2º ciclo
- 37,4%: livros
- 79,4 %: jornais
- 62,7 %: revistas

3º Ciclo
- 65 %livros
- 86 %: jornais
- 82,9 %: revistas

Secundário
- 74 %livros
- 86,6 %: jornais
- 81,9 %: revistas

Ens. Médio e Superior
- 89,1 %livros
- 85,9%: jornais
- 80,7 %: revistas

Total
- Livros: 59%
- Jornais: 83%
- Revistas: 73%


Actualmente que livros lêem?
- romances de amor: 18,1%
- Romances de grandes autores contemporâneos: 17,4%
- Policiais, espionagem, ficção científica: 17,2%
- Científicos, técnicos: 13,5 %
- Culinária, decoração, jardinagem, bricolagem: 10,6 %
- Escolares: 8,1%
- Banda desenhada: 7,2 %
- Ensaios políticos, filosóficos ou religiosos: 7%
- Viagens, explorações, reportagens: 6,4%
- Enciclopédias, dicionários: 5,7 %
- Infantis, juvenis: 3,2 %
- Arte. Fotografia: 2,1%
- Não lê livros: 43,1%

Quem não lê livros, revistas e jornais, o que é que lê?
- Contas, recibos: 78,5%
- Marcas e preços de produtos: 75,2%
- Indicações de folhetos de medicamentos: 62,8%
- Cartas ou recados: 61,2%
- Publicidade, anúncios: 61,2%
- Indicações de embalagens de alimentos e outros produtos: 59,5 %
- Formulários, documentos: 56,2%
- Receitas de cozinha: 31,4%
- Mensagens de telemóvel: 29,8%
- Conteúdos na Internet, troca de e-mails: 8,3%

Quem os incentivou a ler quando eram pequenos?
- Mãe: 69,4%
- Pai: 61,6 %
- Professores: 36,1 %
- Outros familiares: 19,7%
- Amigos: 2,6%
- Outras pessoas: 0,4%

Como evoluiu o gosto pela leitura?
- Aprender / cultivar-se: 37 %
- Gosto / Prazer: 32,4%
- Passatempo: 29,8%
- Manter-se informado: 21,9%
- Curiosidade / Interesse: 10,6%
- Outras razões: 10,4 %
- Não sabe: 0,4

Porque se deixou de gostar de ler? [sic]
- Desinteresse: 51,4%~
- Falta de tempo: 48%
- Saúde: 15%
- Outras razões: 9,2 %
- Não sabe :0,2%

O que fazem os portugueses no seu tempo livre
? (frequência diária ou quase)
- Ver televisão: 97,5%
- Ouvir rádio: 71,2%
- Ler jornais: 64,9%
- Ouvir música: 39,2%
- Usar Internet: 30,6%
- Ler livros: 17,3%
- Ver filmes: 9,5%
- Jogos electrónicos: 8,9%
- Jogar (Cartas, xadrez): 4.6%


por Booktailors às 11:49 | comentar | partilhar

Seg, 22/Out/07
Seg, 22/Out/07
Hoje, no Público, página 14, um artigo de Bárbara Wong, a propósito da avaliação ao Plano Nacional de Leitura.


por Booktailors às 17:37 | comentar | partilhar

Sex, 19/Out/07
Sex, 19/Out/07
Jorge Reis-Sá é o rosto principal das Quasi Edições, depois de uma parceria que se quebrou em 2004 com valter hugo mãe. Editor, poeta e escritor, Jorge Reis-Sá respondeu às nossas questões por e-mail.

As dificuldades inerentes a uma editora que tem na poesia a sua matriz orientadora, o projecto Do impensável que além das Quasi Edições alberga a
Editorial Magnólia e um ateliê de produção editorial. A gestão bicéfala, esquizofrénica, de equilíbrio num projecto empresarial que se pretende, simultaneamente, cultural.



As Quasi nasceram de um projecto pessoal ou de uma ideia que ainda hoje se mantém?
As Quasi nasceram de um projecto pessoal que ainda hoje se mantém. Mas não nasceram com a pretensão que hoje têm. De todo. A história é conhecida, um rapaz de 22 anos com um livro (mau por sinal) para publicar porque tinha ganho um prémio da terra onde tinha nascido e uma ideia de compilação dos poemas do pai para o final desse ano de 1999 (quando faria 5 anos da sua morte). Fazer uma edição de autor do "À Memória das Pulgas da Areia" e depois chamar o quê ao "Desde Sempre"? Chamemos a ambos os livros Quasi Edições, porque não? E assim nasceu um editora.

Entretanto o fascínio da edição, inexplicável. E o segundo livro em Dezembro já foi quinto. Em 2000 a constituição da empresa Do Impensável - Projecto de Atitudes Culturais onde se inseriram as Quasi. Depois, sinceramente, uma coisa daquelas que não acontece: editar livros, trabalhar neles, sem nenhum investimento financeiro, só uma força de vontade enorme e um anexo que a avó emprestou em sua casa
O crescimento foi exponencial. As Quasi hoje não são mais "o menino no fundo dos teus olhos" para de cor citar o Eugénio. As Quasi são a co-editora do Eugénio de Andrade, uma dos maiores poetas de todos os tempos em Portugal. E são editora de nomes que pareciam nunca poder ter cabido no anexo da minha avó. Coibir-me-ei de citá-los? Um passeio em http://www.quasi.com.pt/ e estão lá todos.


Como caracteriza actualmente as Quasi Edições?
Uma editora de literatura. Cada vez mais uma editora que se alarga do âmbito «quasi» restrito da poesia de onde surgiu e edita romances, portugueses e estrangeiros, ensaio literário ou científico, literatura musical, biografias, crónicas, entrevistas. E que aposta na edição de autores, com as obras completas em bibliotecas autónomas do já citado Eugénio, de Natércia Freire, de Daniel Faria, de Cruzeiro Seixas e, com início marcado para 2008, de António Botto e Vinicius de Moraes.
Uma editora de literatura. Uma editora de autores literários. Uma editora onde impera uma estética sob o primado da qualidade literária.


Quasi Edições, Editorial Magnólia, Ateliê de Produção Editorial. Quais são as principais diferenças?
O Atelier é, como o nome expressa, um prestador de serviços de edição. Por exemplo, o senhor Joaquim quer editar as suas memórias, mas não tem quem nele invista? Nós prestamos o serviço de lhe fazer um livro rigoroso, na pré-impressão, no design, na escolha de papéis, na distribuição. Não é, portanto, uma editora é uma prestadora de serviços de produção editorial.

As Quasi são o que tempo fez delas. Sei o que quero que sejam, mas já me parecem ter exposição e anos suficientes para ser o público leitor a defini-las.

A Editorial Magnólia um projecto novo, que se caracteriza pela edição de obras com pertinência editorial mas editadas para um público mais alargado do que o das Quasi. Como acontece no estrangeiro há anos e agora aos poucos em Portugal (ver as marcas da Asa - Caderno, Lua de Papel, Oceanos, Asa - ou da Cotovia (com as Livros da Raposa), da Bertrand (com a Quetzal) e agora muito recentemente com a Cavalo de Ferro (e o seu Paralelo 40) uma marca nova para permitir diferentes concepções estéticas, neste caso, da Magnólia, com livros mais acessíveis, mais ligeiros, mais vendáveis, esperamos.


De que forma se pode viabilizar uma empresa, cujo catálogo assenta em obras de poesia, sendo que muitos dos títulos são primeiras obras?
A empresa Do Impensável, conforme a pergunta e resposta anteriores, não são só as Quasi. E não são só as Quasi, a Magnólia e o Atelier. São também a Transporte de Animais Vivos, por exemplo, a editora discográfica. E, mesmo que com a utilização de algumas destas marcas, a ideia de dessacralização do livro necessária para os colocar em pontos de venda diferentes do retalho tradicional.

Mas a pergunta tem duas nela, pelo que responderei separadamente. As Quasi não são viáveis por si só. Ou se o são (e estamos no exacto momento em que escrevo a terminar o estudo do primeiro ano de distribuição com a DLB para tirar isso mesmo a limpo), são-no sem a pretensão de lucros. E quando falo nas Quasi, falo apenas no mercado livreiro, claro. Por isso, além da dessacralização falada, a aposta é nas pré-vendas, na procura de apoios públicos ou privados para cada título, tratando-o não como mais um livro no orçamento global, mas um livro que necessita de uma atenção maior do que o que seria normal (editar, colocar nas livrarias, esperar o retorno das vendas).

A segunda pergunta tem a ver com a empresa. E isso ultrapassa tanto o âmbito das Quasi como o âmbito editoral em si mesmo. Como viabilizar uma empresa? Eu, que sou «quasi» biólogo, ainda só aprendi uma maneira: reduzindo custos e aumentando receitas. E é isso que aqui tentamos diariamente fazer. Manter uma estrutura muito pequena, onde cada colaborador tem um papel muito definido (e ainda assim somos já 7 seremos 9 dentro de pouco tempo) e ir apostando paulatinamente e sem dar passos maiores do que as pernas em ideias que possam permitir a sobrevivência financeira, em última análise, o lucro, claro.

A Do Impensável é uma empresa, tendo um papel cultural a desempenhar (presunção e água benta, bem sei...) desempenhando-o, não pode esquecer que tem a seu cargo pessoas com famílias, que dela tiram o sustento. Isso é sempre uma das minhas maiores preocupações.


Que podemos esperar das Quasi Edições e da Editorial Magnólia para o futuro?
O Miguel Esteves Cardoso escreveu uma vez num prefácio a um conjunto das suas crónicas que o difícil não é nem começar, nem acabar. O difícil é continuar. Por isso podem esperar continuação. Nas Quasi a aposta reiterada na literatura, nos seu autores e em alguns que se vão juntando; na Magnólia a aposta reiterada em livros mais acessíveis, principalmente de índole ficcional e de bem-estar. E na empresa a criação em Março da primeira Loja das Quasi. Será em Vila Nova de Famalicão, num espaço que esperamos em tudo diferente das convencionais livrarias, e onde pode encontrar não só os livros das Quasi, mas fundos de catálogo e novidades na área da literatura, arte e literatura infantil. Já que, para além de livraria, será uma galeria no sentido lato, com 3 a 4 inaugurações de exposições de pintura e fotografia por ano, com objectos de arte onde a sua condição única imperará, desde cerâmica, ourivesaria ou outros que tais.

As Quasi Edições tiveram de passar por uma alteração profunda ao nível da distribuição. Quais as vantagens e desvantagens que sentiram e porque optaram pelo modelo actual?
O modelo actual é o da colaboração estreita com a DLB (Distribuidora de Livros Bertrand) que nos comercializa os títulos de todas as marcas. A alteração deveu-se tanto ao tamanho da própria editora (que não sustentava uma área comercial com custos fixos de pelo menos 3 pessoas, 3 carros, etc.) como da dificuldade nas cobranças às livrarias. Ainda hoje, mais de um ano depois de termos deixado a distribuição directa, e já depois de termos contratado uma empresa vocacionada para a cobrança, temos milhares de euros fora de portas. Preparamos, infelizmente, para este mês, a acção jurídica contra duas dezenas de livrarias do país.

Perdemos, como seria de esperar, o contacto com o retalhista. Mesmo que o tentemos promover trabalhando em conjunto com a DLB. Mas conseguimos uma coisa fundamental: segurança na tesouraria e redução de custos. O saldo é portanto positivo.


Como gostaria que os leitores vissem as Quasi Edições? Que tem feito para que a editora seja percepcionada dessa forma?
Uma editora com as dificuldades que indiquei não pode, infelizmente, apostar em marketing forte, que impliquem custos. Não temos margem, tão-só. Mas temos ideias. E uma delas passa pela revitalização do site da internet (http://www.quasi.com.pt/ ou http://www.magnolia.com.pt/) que deverá ser feita ainda este trimestre, tentando a relação directa com o público leitor. Gostava, claro está, que vissem as Quasi como um projecto honesto e de qualidade.

Quando, há anos, as Quasi estavam em estado de graça crítico (depois tornaram-se engraçadas e depois... não, não caíram em desgraça. Tornaram-se, antes, numa editora - o maior feito), perguntaram-me o que fazíamos nós para isso, eu respondia numa única palavra: livros. É isso que temos feito todos os dias para que as pessoas vejam as Quasi como algo de pertinente: livros. Bons livros, esperamos...


De que forma se podem promover obras de poesia, quando as receitas são regra geral muito baixas?
Quem souber responder a esta pergunta descobriu o Santo Graal da edição de poesia. Não sei. Mesmo. Talvez promovendo os autores em sessões de lançamento, mas vai tão pouca gente... Enviando os livros para os críticos, mas já nem suplementos literário existem... Talvez apostando no longo prazo.


Jorge Reis-Sá é uma figura pública, é poeta e escritor, é editor. Qual delas é realmente Jorge Reis-Sá? Não acha que por vezes os papéis se podem confundir?
Todos somos muitos e isso é o que de mais precioso existe em cada um de nós. Sim, sou poeta e escritor (embora não gosta do soma das palavras: acho-me apenas escritor, que também escreve poesia). Sim, sou editor. Mas sim, também sou estudante de biologia (assim me tenham deixado inscrever na FCUP este ano para terminar de uma vez o curso); leitor de ensaios sobre a transição entre o Cretácico e o Terciário e suas implicações mais extraordinárias; gestor de uma empresa; melómano amador; cinéfilo dos fracotes; torcedor do Famalicão e do Sporting; pai. E tanto mais que não vale a pena dizê-lo aqui.

Sou no período laboral, e julgo ser esse a que se refere a questão, três coisas e em três partes iguais: gestor, editor e escritor. Os papeis confundem-se? Certamente. Tento não fazer por isso, mas é impossível ser escritor e editor e esperar que os outros me separem como Dr Jekyll e Mr. Hyde. Como é muito complicado que as pessoas entendam que há decisões de gestão que se imiscuem nas editoriais. Não sou, nem nunca fui, um homem de carreira. Enquanto me apetecer escrever, tiver nisso prazer e algo para dizer - serei escritor. Enquanto mantiver o barco à tona - gestor. Enquanto o cheiro de um livro chegado da gráfica me encher de alegria - editor. E já tenho trabalho para umas 48 horas por dia...


por Booktailors às 14:05 | comentar | partilhar

Qui, 18/Out/07
Qui, 18/Out/07


Todas as formas são úteis para atrair os jovens para a leitura, e esta tentativa do Pedro Tochas (goste-se ou não dele) é muito interessante.


por Booktailors às 18:21 | comentar | partilhar

Qui, 18/Out/07
Print-on-demand technology might not produce beautiful books, but it provides access to physical texts that otherwise wouldn't exist.

Ler mais aqui, no theblogbooks, do Guardian.


por Booktailors às 18:09 | comentar | partilhar

Qua, 17/Out/07
Qua, 17/Out/07
Algumas fontes:

- Comunicado da Porto Editora à imprensa

Imprensa:

- Correio da Manhã, 19.10.2007
- Jornal de Notícias, 19.10.2007
- Diário de Notícias, 19.10.2007

- Portugal Diário, 18.10.2007, 20h26
- Diário Digital, 18.10.2007, 19h45
- Destak, 18.10.2007, 19h44
- Diário Económico, 18.10.2007, 19h33
- Agenda Financeira, 18.10.2007, 17h15
- Portugal Diário, 18.10.2007, 15h18
- Diário Económico, 18.10.2007, 15h14
- Portugal Diário: 18.10.2007, 14h57
- Acoreano Oriental, 18.10.2007, 14h47
- Diário Económico: 18.10.2007, 13h56
- Destak: 18.10.2007, 13h54
- TVI: 18.10.2007, 13h51
- Portugal Diário: 18.10.2007, 13h31
- Dinheiro Digital: 18.10.2007, 13h31
- Díário Digital, 18.10.2007, 13h19
- Expresso, 18.10.2007, 13h19
- Açoriano Oriental: 18.10.2007, 12h37
- TSF, 18.10.2007, 11h47
- Público :18.10.2007, 10h36
- Diário Digital: 18.10.2007, 8h32
- Agência Financeira, 18.10.2007, 8h21
- SIC, 18.10.2007, 08h09
- Rádio Renascença, 18.10.2007, 02h40
- Diário Económico, 18.10.2007, 00h05
- Diário de Notícias (Madeira), 18.10.2007,
- Jornal de Negócios, 18.10.2007
- Jornal de Notícias (II), 18.10.2007
- Jornal de Notícias, 18.10.2007
- Correio da Manhã, 18.10.2007

- Portugal Diário, 17.10.2007, 21h50
- RTP: 17.10.2007, 21h20
- Expresso: 17.10.2007, 21h17
- Diário Digital: 17.10.2007, 21h17
- Portugal Diário, 17.10.2007, 21h05
- TVI: 17.10.2007, 20h26
- Diário Económico: 17.10.2007, 20h18
- Sol : 17.10.2007
- Jornal de Negócios: 17.10.2007

Blogosfera
- Pópulo
- Textos de contracapa, de Nélson de Matos

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por Booktailors às 21:41 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Qua, 17/Out/07
Para ver, aqui e aqui.


por Booktailors às 15:09 | comentar | partilhar

Qua, 17/Out/07

A autora irlandesa Anne Enright, com a obra The Gathering, não publicada em Portugal.

Anne Enright é pouco conhecida fora do mundo anglosaxónico, protegida de Colm Tóibín, este é o seu quarto romance. Enquanto escritora Anne conta também com um livro de contos publicado e algumas histórias dispersas na Granta, The New Yorker e The Paris Review, assim como um ensaio sobre maternidade.

Bibliografia:
- The Portable Virgin (contos, publicado pela Secker and Warburg, 1991, vencedor do «Rooney Prize»);
- The Wig My Father Wore (romance, publicado pela Jonathan Cape, 1995, finalista do prémio «Irish Times/Aer Lingus Irish Literature»);
- What Are You Like? (romance, publicado pela Jonathan Cape, 2000, vencedor do «Authors Encore Prize» da centenar Real Sociedade);
- The Pleasure of Eliza Lynch (romance, publicado pela Jonathan Cape, 2002);
- Making Babies: Stumbling into Motherhood (ensaio, publicado pela Jonathan Cape, 2004);
- The Gathering (romance, publicado pela Jonathan Cape, 2007, vencedor do «The Man Booker Prize»);

Vencedora do «The Davy Byrne Award» para contos, com o texto Honey.


Definitivamente, depois de Doris Lessing, este está a ser um bom mês para as letras femininas das ilhas para-europeias.

ver aqui.


por Booktailors às 10:16 | comentar | partilhar

Qua, 17/Out/07
Divulgação

A Zéfiro, através de Luís Filipe Sarmento, irá efectuar um curso de escrita criativa subordinada à temática da magia (literatura fantástica, presumimos nós).

A sessão terá lugar no próximo dia 27 de Outubro (sábado), na Quinta dos Lobos - perto da Quinta da Regaleira - em Sintra, a partir das 10h30.

Condições: 60€ por pessoa, papel e caneta.

A workshop terá a duração de cerca de 7 horas (das 10h30 às 19h00, com uma hora para almoço - não incluído no preço).

Para mais informações contactem o 914 844 923, ou através do e-mail:eventosculturais@zefiro.pt


por Booktailors às 10:02 | comentar | partilhar

Qua, 17/Out/07
«A “cultura da novidade” faz com que se comece a ter dificuldades em encontrar livrarias com fundo editorial, onde se possa ir encontrar livros.»
Paulo Rego, Os Meus Livros, Fevereiro 2006, p.22.

«Os hábitos dos livreiros são muito antigos. São pequenos negócios, com pouco capital mas, principalmente, as pessoas que estão à frente têm cabeças pequenas. Não são os negócios que são pequenos, as cabeças é que são!»
Mário de Moura, Os Meus Livros, Julho 2005, p. 19.


por Booktailors às 09:48 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Ter, 16/Out/07
Ter, 16/Out/07
A não perder a descrição da «Frankfürter Buchmesse 2007» por Francisco José Viegas no blog, Escrita em Dia.

Ler aqui.


por Booktailors às 17:12 | comentar | partilhar

Ter, 16/Out/07

A BOOKTAILORS dedica-se em exclusivo à consultoria na área do livro. Assinou mensalmente uma coluna na revista LER, e os responsáveis da empresa são frequentemente convidados a pronunciar-se sobre as temáticas do livro. Criou e gere o Blogtailors, considerado a principal plataforma em linha de discussão do livro e do setor editorial.

 

A Bookoffice é a primeira agência portuguesa de serviços ao autor e está apostada em garantir o maior sucesso editorial aos escritores que representa. Acreditamos no talento dos nossos autores e lutamos por potenciá-lo.

 

Desenvolvemos um acompanhamento muito personalizado dos autores e fazemos questão de estar presentes em todos os momentos, da negociação de direitos à leitura acompanhada durante o processo de escrita, do media training à promoção e à gestão de agenda.

 

Em paralelo, constituímo-nos como uma plataforma para o desenvolvimento de técnicas de escrita — dirigida a jornalistas, guionistas, potenciais escritores — através de cursos e de ações de formação vocacionadas para diferentes registos e abordagens.

Construímos uma equipa experiente e motivada, capaz de consolidar conhecimentos e exercitar o talento.

 

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por Booktailors às 09:00 | comentar | partilhar

Seg, 15/Out/07
Seg, 15/Out/07
Livro é um daqueles conceitos que rapidamente surge na nossa cabeça como concluído. Tem um formato manuseável, adequado a uma boa manipulação e transporte (quanto de vós pensaram em coffee table books?), páginas, lombada, uma capa, um acabamento que me permite que as páginas não estejam soltas.

A questão é por quanto tempo será assim. A introdução serve não para falar da mutação que o suporte livro está a sofrer, mas sobretudo para dizer que o livro, e os processos subjacentes, grosso modo, têm sofrido poucas evoluções (salvaguardem-se as técnicas e tecnologias de paginação e impressão). Eventualmente o livro passará por uma fase de tradução do original, revê-se de seguida, pagina-se a obra, envia-se para a gráfica, produz-se e comercializa-se. Seis meses depois há um acerto de contas. E num mundo em constante mutação, no qual o livro compete com outras indústrias culturais / entretenimento, o objecto e os seus processos continuam, de uma forma geral, os mesmos. Isto dever-se-á decerto ao facto dos profissionais do sector estarem quer demasiado embrenhados nas suas tarefas, quer demasiado viciados em não inovar no objecto livro. Em dar mais-valias ao mesmo. Talvez por estarmos demasiado próximos da floresta, todos nós nem sempre temos noção de que de facto o livro pode perder terreno para outras espécies de árvores.

Neste momento, o suporte livro tal qual está ainda nos serve. As formas de produção, comercialização e divulgação vão cumprindo o seu papel (não obstante ser sempre possível fazer muito mais). Mas servirá a próxima geração? A reflexão sobre o que é o livro necessita decerto de ser acelerada, sob pena de perder vantagens para a concorrência. E por concorrência, entenda-se as restantes indústrias culturais e entretenimento. O livro compete com as consolas de jogos, os filmes e séries em DVD, o teatro, o cinema,… É urgente pois repensar-se o livro em si, acrescentando-lhe mais-valias que o tornem mais cómodo, mais funcional ainda, mais atraente, mais, porque não, fashion?

Talvez por isso fiquem sem resposta algumas perguntas (haveria muitas mais), umas mais infantis e supérfluas que outras. Por que razão ao fim de tantos anos ainda não há um sistema eficaz de marcação das páginas e continuamos a usar o bilhete do metro para saber onde parou a nossa leitura? Porque razão continuamos a depender dos mesmos agentes para ter notícias sobre o livro? Porque razão as lombadas são constantemente ignoradas apesar de serem uma importante parte de comunicação quando as obras perdem facing nas lojas? Porque razão não foram ainda desenvolvidos índices (além dos onomásticos e referenciais) que permitam ao leitor ter outro tipo de leitura do livro? Porque razão ainda estão pouco desenvolvidas obras que possam tão só aproveitar a aleatoriedade da leitura do hipertexto? Porque razão estão os livros organizados para que se leiam da primeira à última página? Porque razão....

Seth Godin, neste post, não fala de livros, mas fala de despertadores. Poderá parecer que não tem nada a ver mas tem: porque razão é que nenhum despertador tem um dispositivo que permita desligar os alarmes ao fim-de-semana como já dispõem, por exemplo, os telemóveis? Talvez confiem demasiado na capacidade de planeamento dos utilizadores que sabem que à sexta-feira têm de desligar o aparelho e ao domingo à noite voltar a ligá-lo. Mas nós diríamos que simplesmente essa pequena característica passou ao lado dos fabricantes.

A reflexão trará diferença, tentativas frustradas, erros e caminhos que serão riscados de futuro. Mas trará também sucessos. Com pequenos passos, tornaremos o livro mais apetecível. Ao atingir a diferenciação, combateremos a homogeneidade. E ganharemos espaço na cabeça de consumidores, livreiros e restantes protagonistas da cadeia de valor.


por Booktailors às 12:56 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Seg, 15/Out/07
A Assírio e Alvim estabeleceu uma parceria com as livrarias Almedina, por forma a que as obras desta editora estejam disponíveis em permanência nas lojas do segundo player, apresentando condições especiais ao nível dos preços de venda ao público.


por Booktailors às 12:44 | comentar | partilhar

Sex, 12/Out/07
Sex, 12/Out/07

António Vilaça, gestor de formação, é uma das cabeças da Saída de Emergência que, em tempos idos, se chamou Fio da Navalha. O editor respondeu por e-mail às nossas questões, acentuando algumas das características que nesta editora são notórias, nomeadamente o cuidado gráfico levado a cabo em com cada uma das obras.


Como é que uma pequena e jovem editora se tornou rapidamente numa referência dos tops nacionais?
Não sei como isso aconteceu nem sei quais foram os passos que foram mais importantes para que isso esteja a acontecer.
Nós temos a nossa forma de trabalhar, e nunca pensámos “vamos fazer as coisas assim, porque, assim, estaremos nos tops”.
Tentamos fazer o melhor que podemos e sabemos e, felizmente, as coisas têm corrido bem.

Acham que a vossa formação de base, (um publicitário e outro das áreas da gestão) trouxe algo de positivo à forma de observar a edição?
Eu acho que funcionamos bem juntos. Mas, claramente, o talento a nível gráfico do meu irmão Luís, é espectacular e fundamental.

A Saída de Emergência veio preencher um espaço que estava em vago, ou criou novos mercados?
Não quero ser arrogante ao dizer que criámos um novo mercado. Acho que temos uma forma de estar um pouco diferente das outras editoras. (Pelo menos das mais tradicionais.)
Viemos apostar numa área que conhecíamos bem e que estava pouco explorada. Mas não acho que tenhamos criado um novo mercado. Achámos que havia um lugar para nós, e felizmente tem havido.

O catálogo da SDE assenta em áreas pouco exploradas pela concorrência. Foi intencional ou o vosso catálogo apenas traduz os vossos gostos?
Acho que acima de tudo o nosso catálogo é coerente porque é escolhido por nós.
Muitas vezes ouvimos os leitores dizerem que gostam de todos os nossos livros e que parece que estão todos ligados. Eu acho que o que acontece é que essas pessoas têm gostos parecidos com os nossos. Porque, na verdade, o nosso catálogo já não é de nicho e temos livros de praticamente todos os géneros literários.

Qual a diferença entre o fio da Navalha e a Saída de Emergência?
A Fio da Navalha foi o nome do nosso projecto inicial. Era o nome da nossa chancela até termos que o alterar.
Daí para a frente passámos a ser Saida de Emergência. Mas a editora e a filosofia são as mesmas. Apenas mudámos o nome. Temos até livros que na segunda edição passaram a ter a chancela Saída de Emergência.

Ainda se consideram uma pequena editora?
Nós não pensamos muito nisso. Fazemos as coisas à nossa maneira e temos vindo a crescer com o nosso “timing”. A referência que temos é daquilo que nos dizem. E, ao que parece, já não somos assim tão pequenos. Mas temos uma estrutura pequena.

E de que forma pode uma pequena editora furar o ruído e chamar a atenção dos leitores?
Não existe uma fórmula. Se houvesse uma fórmula de sucesso as coisas eram todas muito simples. Acho que é uma junção de muitos factores. Há muitas variáveis nos negócios e, nos livros, então, ainda mais. O negócio dos livros é muito peculiar e muitas vezes não sabemos explicar porque determinadas coisas não correm como planeado. (para bem ou para mal).
Nem sequer me sinto com o “saber” para dar qualquer fórmula a um pequeno editor. Somos jovens nas edições e haverá certamente pessoas mais qualificadas para responder a esta questão.

Nota-se que a SDE se preocupa graficamente com os seus produtos e tenta desenvolver todas as dimensões gráficas de apelo. Como vê essa concepção gráfica no contexto de marketing e de comunicação com os leitores?
Como disse anteriormente, acho fundamental. Nós temos uma imagem, e um livro tem que ser apelativo.

A SDE é distribuída por uma grande distribuidora (Bertrand). Dado serem uma editora de publicação mainstream quais vos parecem ser as principais vantagens e desvantagens dessa opção?
Achamos que a Distribuidora Bertrand tem feito um bom trabalho. Estamos satisfeitos.

2012, onde é que a Saída de Emergência pretende estar?
A Saída de Emergência pretende estar o melhor possível. Trabalhamos para ir mais longe. Temos projectos e ideias, mas não somos obcecados em estabelecer metas ou objectivos.

Vamos tentar fazer mais e melhor.
É a única coisa que podemos prometer aos nossos leitores.


por Booktailors às 15:57 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Qui, 11/Out/07
Qui, 11/Out/07
«... Não, não é uma feira de literatura; é uma feira de profissionais do livro, com a sua fauna particular, a sua botânica, os seus habituais, os vícios todos reunidos...»

Uma perspectiva pessoal, por Francisco José Viegas, no A Origem das Espécies.


por Booktailors às 15:57 | comentar | partilhar

Qui, 11/Out/07

«...Falando do Prémio Nobel, que serve para exemplo: ninguém discute o Prémio Nobel da Física ou da Química, mas toda a gente acha que sabe quem deve ganhar o da Paz e o da Literatura. E a literatura tem muito que se lhe diga. Não se pode ensinar ninguém a ter talento mas há coisas que se podem ensinar. Estamos longe da idade de ouro do livro, em que havia trinta génios a escrever ao mesmo tempo, no século XIX. Não se repetiu.» António Lobo Antunes, DN, 18.11.2003.

«Acho a Doris Lessing uma boa escritora mas considero que é de segunda ordem e não está entre os melhores escritores que podiam merecer esta distinção (...) É interessante do ponto de vista da sua escrita intimista e psicológica na esteira da Virgínia Wolf que é muito superior, e não me impressiona» Maria Alzira Seixo, Portugal Diário, 11.10.2007.

«Temia que se cumprisse o destino de outras notáveis mulheres como Virginia Wolf e Marguerite Yourcenar que morreram sem receber o Nobel, mas felizmente assim não acontece e foi um (sic) excelente escolha da Academia», Maria Teresa Horta, Diário Digital, 11.10.2007.

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por Booktailors às 14:22 | comentar | partilhar

Qui, 11/Out/07

Nobel da Literatura 2007 atribuído à escritora britânica Doris Lessing. Ver aqui, ou aqui.

Mais informações da autora aqui. Ou aqui. Ou... é ir ao santo oráculo do século XXI, aqui.

Obras em português, ver aqui , aqui e aqui.

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por Booktailors às 12:02 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Qua, 10/Out/07
Qua, 10/Out/07
«Entende-se por distribuição quer a função primordial de fazer chegar a produção dos editores aos vários pontos de comercialização existentes (...) quer num sentido amplo todo o processo de comercialização.»
José Afonso Furtado, Os livros e as leituras, p.123

«Fizemos uma distribuição bastante diversa, moderna, para as livrarias, para as grandes superfícies, para os supermercados e, fora disso, criámos uma rede 2500 pontos de venda onde não costuma estar o livro, como as estações dos CTT, gasolineiras e restaurantes de estrada.
(…)
Temos uma máquina cara, usamos o sistema informático que usa a Central de Cervejas. Um pedido feito às 11h, às 16h já está no ponto de venda.
(...)
...o problema que habitualmente temos é o problemas das grandes superfícies, que trabalham só com uma selecção de títulos, muito bem controlada informaticamente.»
Mário de Moura, Os Meus Livros, Julho 2005, pp. 19-20.

«Um editor nunca está seguro se confia toda a sua distribuição a terceiros.»
Assírio Bacelar, Os Meus Livros, Maio 2005, p22.


por Booktailors às 12:00 | comentar | partilhar

Qua, 10/Out/07
Descubro, através da coluna de Isabel Coutinho, no Público, a existência do blogue «Livros à Volta do Mundo», de Mafalda Avelar.

O blogue, muito interessante, já existe desde Outubro de 2005 e fala essencialmente sobre de não-ficção, nas áreas da economia, marketing e comunicação. Conta, entre outras coisas, com algumas rubricas de grande valor, como as entrevistas a autores, a divulgação geral de acções relacionadas com livros e as recomendações de muitas pessoas das mais diversas áreas da sociedade.

Um blogue a fazer parte da nossa lista de links.

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por Booktailors às 10:14 | comentar | partilhar

Ter, 9/Out/07
Ter, 9/Out/07
Recordo-me, há cinco ou seis anos atrás, de uma conversa tida com um editor da nossa praça onde lhe perguntava o que iria fazer a Frankfurt (dado que no ano anterior tinha de lá trazido somente uns fait-divers sem interesse e umas conversas de circunstância)?

Respondeu-me: despesas, preciso de despesas.

Frankfurt é um mundo para quem lá vai, o que significa que de lá se pode trazer tudo ou nada.
São quase 300 000 pessoas de 110 países, 7 300 expositores dispersos por seis pavilhões de dimensões inimagináveis, mais de 2 500 eventos para editores e editors, agentes, autores, bibliotecários, scouts, livreiros, jornalistas e muitos, muitos mais.
De livros escolares a calendários, CD-ROM's, direitos para filmes ou desdobramentos digitais, podemos encontrar de tudo.

Para muitos editores, é um corre-corre constante para conversar com os nomes que habitualmente reconhece dos e-mails, antigos conhecidos e amigos, bisbilhotices, cumprimentos, almoços e jantares.
Negócios? Para muitos não, talvez uma forma de estar presente entre os seus, mostrar que continua a trabalhar com afinco e inspirar um pouco os ares do mercado futuro.

Para quem quer trabalhar, é necessário persistência, mapas, horários apertados e a certeza de que não se está para passear.
Vai-se onde se sabe, procurar o que se planeou, evitar perder-se entre tantas caras, corropios, luzes e interesses.
Há quem vá a Frankfurt, e há quem vá à Frankfurt Buchmesse.


por Booktailors às 14:55 | comentar | partilhar

Ter, 9/Out/07
André Gorz (pseudónimo de Gerard Horst), discípulo de Sartre, grande filósofo e pensador político francês - co-fundador do Le Nouvel Observateur - foi encontrado morto no passado dia 24 de Setembro.
Ao seu lado, jazia a sua esposa Dorine (Doreen Keir) e uma pilha de cartas a explicar o acto que haviam cometido: suicídio.

No ano passado, Gorz já tinha publicado a sua carta de despedida, Lettre a D. Histoire d'un Amour.

Tens quase 82 anos. Estás 6 centímetros mais baixa e pesas só 45 quilos mas continuas linda, graciosa, desejável. Vivemos juntos faz já 58 anos e amo-te mais do que nunca. Trago no espaço vazio do meu peito um vazio devorador que só consegue ser preenchido pelo calor do teu corpo junto ao meu.
Por vezes, à noite, observo a silhueta de um homem caminhando num local deserto, por uma estrada vazia, atrás de um carreto. Eu sou ele. Não quero ter de ver a tua cremação, recuso-me a receber as tuas cinzas numa taça.


Dorine estava com uma grave e dolorosa doença degenerativa, originada pelo excesso do contrastante utilizado nos raios-X durante uma cirurgia à coluna em 1965.
Nenhum quis viver para sofrer a dor da perda do outro.

Tendo entrado vertiginosamente nos tops, as pessoas entenderam que a literatura nem sempre é ficção.


por Booktailors às 10:17 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Seg, 8/Out/07
Seg, 8/Out/07
Se até hoje me espantava semanalmente ao ver os tops franceses, onde existe sempre um fiel e bom livro de BD e Mangá entre os top sellers, eis que o nosso vizinho Bibliotecário Anarquista lança algumas informações que podem começar a justificar esse milagre a traço de mangá.


por Booktailors às 17:39 | comentar | partilhar

Qui, 4/Out/07
Qui, 4/Out/07
Em breve falaremos de forma mais alargada deste suporte inovador na promoção dos livros: os booktrailers (não confundir com os tailors).

Este que aqui vêem é um dos primeiros trabalhos da consultora, para as Quasi Edições. A obra em questão pertence ao escritor António Machado, cujo website também foi laborado pela Booktailors.

O booktrailer teve desenvolvimento de Pedro Cascais e o design do website pertence a Filipe Carvalho.


por Booktailors às 17:41 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Qua, 3/Out/07
Qua, 3/Out/07
Quando avaliamos originais para publicação temos de ter em conta algumas regras e premissas básicas que se aplicam em todas as situações:

Primeira regra: apesar de serem vocês a avaliar, não estão a ler o livro para vocês.

Segunda regra: avaliar não é só pensar no livro enquanto o manuscrito que está à nossa frente. O que estamos a avaliar é produto que dali poderá sair para o mercado.

Estas regras são difíceis de cumprir, em especial a primeira, pois a paixão pessoal (mais do que o desprezo pessoal) acabam por influenciar bastante a perspectiva com que abordamos cada um dos livros e por mais profissionais que sejamos é inevitável puxar «a brasa ao livro que gostamos». Isso é um erro. Avaliar tendo em conta opiniões pessoais, preconceitos, ideias feitas, noções de certo e errado ou conhecimento pessoal das pessoas é sempre o melhor caminho para o fracasso numa avaliação.

A avaliação de uma obra é um instrumento de tomada de decisão, comporta investimentos financeiros na aposta de produção de determinado livro, por isso não pode ser um acto aleatório e assente em opiniões.

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por Booktailors às 16:48 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Ter, 2/Out/07
Ter, 2/Out/07
Hoje, no Público, Suplemento P2, página 4, artigo de Luis Miguel Queirós, sobre um importante leilão de revistas e obras literárias.

“A biblioteca do médido Alfredo Ribeiro dos Santos, que inclui aquela que é, provavelmente, a mais importante colecção privada de revistas literárias portuguesas, vai ser leiloada amanhã, e durante oito noites consecutivas , na Junta de Freguesia de Bonfim, no Porto, onde já se encontra exposta.

O acervo foi dividido em 3561 lotes, mas este total não dá sequer uma ideia aproximada de quantidade de espécimes bibliográficos em causa. Basta pensar, por exemplo, na revista Seara Nova, cujos 1600 números correspondem a um só lote.

(…)

Embora o conjunto inclua milhares de primeiras edições, algumas raríssimas, de obras de poesia, ficção e ensaio, são mesmo as revistas literárias que tornam este leilão um acontecimento único.

(…)

Entre as largas centenas de colecções de revistas que irão ser leiloadas nos próximos dias, algumas das mais cobiçadas são as que estão ligadas ao movimento modernista: a mítica Orpheu, de que se publicaram apenas dois números (…) a Centauro, de 1916 (…) Exílio, também de 1916 (…) Portugal Futurista (…)Presença (…) Contemporânea(…) Seara Nova(…) Águia (…) Gazeta Literária do cónego Francisco Bernando de Lima, de que se publicaram 32 números em 1761 e 1762, e que é considerada a primeira revista literária portuguesa."

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por Booktailors às 12:27 | comentar | partilhar

Ter, 2/Out/07
Acerca do Marketing do Livro:

«... o mercado está cheio de espaços que se compram; de montras que se compram; de destaques que são dados aos livros porque a editora colocou cartazes, colocou figuras dos autores em tamanho natural... fez uma série de acções de marketing que uma pequena editora não consegue porque... não tem dinheiro!» Manuel A. Valente, Os Meus Livros, nº 26, Abril 2005, pp. 50

«Por mais marketing que se faça à volta de um livro ele só tem impacto nos primeiros exemplares. O que nós podemos é fazer chamar a atenção para o conteúdo mas, se o conteúdo não interessar às pessoas, passados 15 dias ninguém liga nenhuma.» António Lobato Faria , Os Meus Livros, nº 28, Junho 2005, pp. 24.


por Booktailors às 10:58 | comentar | partilhar

Ter, 2/Out/07
Na véspera de começar mais uma Liber (3-5 de Outubro), o Ministerio de Cultura de España apresenta, como já é hábito, os resultados do Inquérito de Hábitos e Práticas Culturais dos nossos irmãos e vizinhos, realizado com o apoio do Instituto Nacional de Estadística.

Ainda só demos uma espreitadela, mas já dá para reparar que as mulheres e os jovens continuam a demonstrar que acreditam na leitura como instrumento de formação, informação e prazer.

Para quem gosta destas informações, 42,3% dos espanhóis não leram um único livro durante o ano que passou.

Mais informação e valores comparativos com anos anteriores, ver aqui.

Via ConValor.


por Booktailors às 10:32 | comentar | partilhar

Seg, 1/Out/07
Seg, 1/Out/07


A BBC anunciou hoje a compra da reputada editora independente e privada, detida pelo casal Wheeler, Lonely Planet.

Desde o ano passado que a australiana Lonely Planet, fundada em 1972, procurava uma forma de alargar a sua área de negócio dos livros de viagem para outros produtos de informação associados ao turismo (audio-guias para telemóvel, numa parceria com a Sony, por exemplo) e, ao que parece, terá agora conseguido através desta venda, associando-se a uma plataforma perfeita que lhe permitira voar para outros destinos.
A BBC Worldwide, braço comercial da BBC para fora das ilhas britânicas e famosa por conteúdos televisivos ligados ao turismo e aventura, como o programa de viagens de Michael Palin, poderá agora juntar os mais de 500 excelentes títulos anuais da Lonely planet e passar a ser a maior fornecedora de conteúdos informativos e de entretenimento ligados ao turismo.

Não foram divulgados valores, sabendo-se apenas que a equipa Lonely Planet se manterá em Melbourne e que o casal Wheeler permaneceu com 25% do capital.

Ver press release

Esperamos que desta forma os seus magníficos guias possam passar a estar disponíveis em Portugal a um preço mais competitivo.


por Booktailors às 10:37 | comentar | partilhar

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