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Seg, 31/Mai/10
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ESCREVER À VISTA, DESENHAR SOBRE LETRAS (PARTE I),
por Carla Maia de Almeida (*)

Estava sem saber do que falar na crónica para o Blogtailors quando me ocorreu telefonar à Danuta. Danuta Wojciechowska, ilustradora e designer de origem canadiana e nome complicado (sei um truque mnemónico, se quiserem explico), a viver e a trabalhar em Lisboa desde 1984. Ganhou o Prémio Nacional de Ilustração em 2003 e já fez livros com uma série de escritores, incluindo Mia Couto, Ondjaki, António Mota e Alice Vieira. Adivinhem qual foi o tema da conversa.

Carla Maia de Almeida (CMA): É difícil trabalhar com escritores?
Danuta Wojciechowska (DW): Não posso generalizar. É uma experiência que muda de livro para livro, até com o mesmo escritor. Uma pessoa cria expectativas e depois acontece uma coisa diferente. Mas isso é o mais fascinante, quando se faz um livro a meias.

CMA: E exigente. Não sei é possível fazer um bom picture book se a relação entre escritor e ilustrador não for minimamente… fluente. Não digo que precisem de ser amigos, mas será possível fazer um bom livro se houver um mau relacionamento?
DW: Talvez só com um escritor morto…
CMA: Sim, pelo menos esses não levantam cabelo.
DW: Mas olha, eu já ilustrei contos do Hans Christian Andersen e foi como se ele voltasse a viver. Quando estava a trabalhar sobre o texto, era como se ele ganhasse vida própria. Isto pode parecer uma coisa um bocado maluca.

CMA: Nem por isso. E alguma vez recusaste ilustrar um livro?
DW: Já.

CMA: Não vamos personalizar. Mas qual foi o motivo, o texto ou a pessoa?
DW: Foi o texto. Há textos que eu começo a ler e vejo logo o que vou fazer, estou dentro; e há outros em que faço um trabalho grande de pesquisa, porque tenho de me transportar para uma realidade que desconheço. Quando se vai estar dez ou 12 horas por dia a trabalhar num livro que alguém escreveu, há que ponderar.

CMA: Visto do lado de cá, digo-te que esse trabalho pode ser um bocado invasivo…
DW: Gostava de te perguntar isso. Quando entregas o livro, sabes que o ilustrador vai ter uma influência enorme. De certo modo, é como se mexesse no texto. O que é que sentes?
CMA: Sinto uma ansiedade enorme. Como é que ele ou ela vai interpretar as minhas palavras? Não é fácil… Ao mesmo tempo, considero que o ilustrador pode ser tão autor como o escritor. Não têm de ser amigos, mas o ideal é que haja uma admiração recíproca. Uma sensibilidade e um respeito pelo trabalho artístico do outro.
DW: Para mim, as melhores soluções ocorrem quando escritor e ilustrador são a mesma pessoa, ou então quando são muito próximos. Por exemplo, o caso do Jean de Brunhoff, que inventou o elefante Babar. Dizem que era a mulher dele quem escrevia. Ou então como o Anthony Browne ou o Peter Sís ou a Marie-Louise Gay, que escrevem e ilustram ao mesmo tempo.

CMA: Acho que esse é o sonho de qualquer autor, ser uma espécie de artista total. Não gostavas?
DW: Gostava. Tenho cadernos cheios de ideias para livros. Ideias, esboços, estruturas, pequenas frases… Quem vem das artes talvez tenha mais capacidade para depois escrever. É mais difícil para quem escreve conquistar o domínio das linguagens pictóricas. De qualquer modo, é raro alguém dominar essas duas valências. Se houver a hipótese de as pessoas caminharem juntas na concepção de um livro em que exista esse tal respeito que tu referes… Confesso que perco um bocado o interesse se o escritor me quer dirigir muito. Perco a motivação. Quero sentir essa liberdade, no que é o meu campo.

CMA: Mas demasiada liberdade também não pode ser desmotivante?
DW: Pode. Eu não gosto de me sentir abandonada com a responsabilidade toda. Não quero que o escritor desapareça e me deixe com a criança nas mãos…
CMA: Percebo-te.
DW: Tem de haver equilíbrio. Da mesma maneira, penso que o escritor também não gostaria que o ilustrador mexesse no texto.
CMA: Não, mas a verdade é que, mesmo sem tocar numa palavra, o ilustrador já está a mexer no texto quando o interpreta por imagens.
DW: Exactamente, ele acrescenta a sua perspectiva.

CMA: Nesse sentido, o escritor fica mais «na mão» do ilustrador. No meu caso, houve alturas em que olhei para as ilustrações e pensei: «Não é isto. E agora, como é que vou dizer-lhe?» É aí que o editor pode desempatar, funcionando como uma espécie de «o juiz decide». Claro que é preciso distinguir o que são preciosismos e vaidades do ego de outras coisas que afectam a linha narrativa e a correspondência entre texto e imagem.
DW: Agora temos mais um elemento em jogo, embora cá em Portugal não apareça muito, que é o director de arte da editora. Normalmente, dá indicações muito importantes para o livro, porque tem mais conhecimentos da área das artes que o editor. Ele vê o livro exactamente como quer vê-lo, mesmo antes de estar pronto.

CMA: E tens de obedecer?
DW: Temos de aprender a lidar com eles, especialmente quando são muito intervencionistas. No caso dos asiáticos, então…

CMA: Como é a maneira de trabalhar dos asiáticos?
DW: Eles mandam o briefing e já têm tudo preparado. Dizem qual é a parte do texto que deve ser ilustrada na página x, podem ir ao ponto de descrever a expressão facial que querem, às vezes até mandam alguns esboços… Os americanos também funcionam muito assim. Até têm uma expressão de que eu não gosto nada: «we will use» ou «we might use your illustrations». É como o aluguer de um serviço. Existe o perigo da redução do papel do ilustrador e o resultado pode ser um produto mais «comestível».

CMA: É uma atitude bastante comercial.
DW: Sim, mas como depois aquilo é muito bem pago, há uma elevação do trabalho, há um diálogo que é recompensado. Essa parte é muito importante. Infelizmente, não é o que se passa em Portugal.

CMA: O mercado está a nivelar por baixo?
DW: A tendência é essa. E seria bom conseguir fugir dessas pressões e criar condições para que pudessem surgir livros originais, especiais.
CMA: «Os livros que ressoam», como diz a Cristina Taquelim, da Biblioteca de Beja. Gosto muito dessa expressão.

[Continua]

(*) Jornalista freelancer, colabora com a LER, Notícias Magazine e Notícias Sábado. Licenciada e pós-graduada em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa, tem uma pós-graduação em Livro Infantil pela Universidade Católica Portuguesa. Na Caminho, publicou O gato e a Rainha Só, Não Quero Usar Óculos e Ainda Falta Muito?. Escreve sobre livros e não só no blogue O Jardim Assombrado. Nasceu em Matosinhos, a 12 de Janeiro de 1969.
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