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Qua, 4/Mar/09
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PEQUENOS LEITORES E CAPAS DURAS DE ROER,
por Carla Maia de Almeida (*)

Há em cada português um gene de fidalgo da casa mourisca que o leva a desdenhar do que é barato, mesmo quando a carteira encolhe como lã em água quente. O caso do livro de bolso é histórico, mas podíamos falar também das livrarias especializadas em livros usados – não exactamente alfarrabistas –, assim como de lojas de mobília ou de roupa em segunda mão; porque, já se sabe, «isto anda (mesmo) tudo ligado». Apesar de a Internet e de o jornal Ocasião serem meios florescentes, negócio deste género que aqui ultrapasse o anonimato parece condenado a afundar-se sob o peso da lama e dos parentes incautos que para lá se arrastam. «Se é usado, é barato; se é barato, não é bom e não é para mim», diz o habitante da casa mourisca com vista para o Atlântico.

Conheço uma livraria onde livros usados – refiro-me sempre nesta crónica aos livros para crianças – são expostos com naturalidade ao lado de livros novos, sem aquele jeito envergonhado típico dos alfarrabistas («Temos ali qualquer coisa naquele canto, mas é pouco…»). Chama-se A Lura dos Livros e fica em Tavira. Adivinhem: a dona não é portuguesa. Usados ou novos, há uma boa quantidade de livros estrangeiros com edições em capa mole, outra ausência flagrante no nosso meio. É uma coisa que me intriga: ouvindo-se tantas vezes dizer que «os livros são caros», e até «indecentemente caros», por que razão prevalece a tendência quase inescapável das edições em capa dura, já que encarecem substancialmente o preço final – isto é, quase o dobro, em relação ao mesmo título em capa mole?

Para uma pequena editora que quer apostar no segmento infantil e se confronta com problemas de distribuição, prazos alargados de pagamento e acesso interdito às grandes superfícies, não optar por edições de capa dura parece puro suicídio. Para quem compra os livros – pais, escolas, bibliotecas ou simplesmente qualquer pessoa que tenha gosto por esta área –, a factura torna-se bastante pesada. Edições mais baratas, cuja única diferença está na capa, permitiriam fazer e comprar mais e melhores livros para as crianças, parece-me. «A literatura é um luxo de primeira necessidade», como disse Antonio Muñoz Molina, mas nem todos investem num luxo capaz de ser pisado, riscado, mordido e estragado sem mais contemplações. Os livros para crianças sofrem da síndrome da microrradiografia: «Não mexe, não respira, pode respirar». Não risca, não morde, pode mexer sem estragar. É a microliteratura prescrita por adultos.


Qual é o problema dos livros de capa mole? A ideia comum é a de que não se vendem bem em Portugal. Desde logo, porque praticamente não existem – refiro-me à literatura, não a livros para pintar, como é evidente. Seria necessário começar a inverter esta tendência para averiguar os seus efeitos, e esse é um papel que cabe sobretudo às editoras. Por sua vez, os livreiros queixam-se de que as lombadas desaparecem no meio dos outros; os mediadores de leitura dizem que são mais difíceis de segurar e mostrar; os pais e educadores preferem os livros de capa dura porque são mais bonitos e duram mais tempo. São generalidades, é certo, mas generalidades muito ouvidas.

De todos os argumentos, custa-me a aceitar o que privilegia o livro para crianças enquanto objecto estético, em que a qualidade gráfica, artística e visual é confirmada pela opção da capa dura. Estamos a falar de um livro ou de um bibelô? Sem negar a importância desses elementos, não os vejo como principal critério de aferição da qualidade literária nem da adequação ao leitor-criança. Há muitos exemplos de belos livros cujo invólucro reforçado revela um enorme vazio interior. E há, embora menos, outros exemplos de livros editados em Portugal cuja qualidade literária, aliada ao cuidado posto na ilustração, grafismo e impressão, não diminuiu com a opção pela capa mole. Estou a lembrar-me de A Corrida e Imagina, ambos com ilustrações de Alison Jay e ambos editados pela Publisher Team, em 2005. Mas gostava de encontrar mais como estes.

O crescimento do livro infantil nos últimos dez ou quinze anos, bem como a sua institucionalização em projectos como o Plano Nacional de Leitura, geraram um interesse e um investimento absolutamente merecidos, a meu ver. Mas, de algum modo, gerou-se também a ideia perversa de que um livro para crianças precisava de uma boa embalagem para conquistar a sua «dignidade literária». Para convencer os pais, educadores, professores, bibliotecários e adultos em geral de que a sua aquisição se justifica e que até dá um belo presente de Natal. O resultado é paradoxal: há livros de capa dura que não se compram porque são muito caros; e os livros de capa mole não se vendem porque são baratos. É como se o valor das histórias e da literatura passasse para segundo plano. No fundo, esta é uma questão bizantina que interessa apenas aos adultos, porque quando os livros são verdadeiramente «para as crianças», mais cartão ou menos cartão é um pormenor irrelevante. Sejam quais forem as suas capacidades cognitivas, a ligação das crianças aos livros é mais espontânea e orgânica do que se pensa. Do que elas gostam mesmo é de lhes mexer, não de julgá-los pela capa.

(*) Jornalista freelancer, colabora com a LER, Notícias Magazine e Notícias Sábado. Licenciada e pós-graduada em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa, frequenta actualmente a Pós-Graduação em Livro Infantil na Universidade Católica. É autora de O Gato e a Rainha Só e Não Quero Usar Óculos, ambos publicados pela Caminho, e escreve sobre livros e não só no blogue O Jardim Assombrado.
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