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Qui, 5/Jun/08
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Em relação ao post que Jaime Bulhosa publicou no seu blog, e que aqui reproduzimos, um leitor comentou o mesmo no nosso blog. Jaime Bulhosa respondeu no Pó dos Livros:

«Por reacção a este post, tive um comentário no blog dos Booktailors que gostava de responder em defesa de alguns livreiros.

"Os livreiros (à excepção das grandes redes livreiras e de uma ou outra livraria independente)estão nessa posição porque querem e porque não têm sabido organizar-se num movimento associativo autónomo. Aliás, nem sequer têm sido capazes de se modernizar apesar de uma Lei do Preço Fixo do Livro criada há mais há cerca de 20 anos especialmente para os proteger das grandes superfícies. Têm-se posto a jeito na posição de elo mais fraco e as editoras agradecem.Mas muito cuidado com a vitimização dos livreiros. No negócio do livro eles ainda são os que assumem menos riscos. O que não conseguem vender, devolvem às editoras, eliminando muito prejuízo, fazendo-o recair sobre as editoras (e quando as editoras não conseguem vender, os livreiros estão-se borrifando). E uma média de metade do preço da capa dos livros fica para os livreiros. Os outros 50% ficam nas mãos dos editores, e é de onde devem sair os direitos de autor, os custos de produção e os custos de distribuição. Em regra, uma editora fica com cerca de 5% do preço de capa como lucro líquido. O que, dependendo da perspectiva de cada um (entenda-se para a maior parte dos negócios), é muito pouco para os riscos que o negócio implica."

-----
Resposta:
Convido o Sr. Serafim Gonçalves a vir à Pó dos Livros, ver as facturas dos nossos fornecedores para verificar os descontos, o investimento que fizemos e as despesas que temos. E garanto-lhe que não é nem de perto nem de longe o que diz. Em relação à lei do preço fixo, esta não foi criada para defender os livreiros das grandes superfícies, há 20 anos como diz, não havia grandes superfícies a vender livros e foi defendida pela maior parte dos editores. Quanto a quem é que ganha mais neste mercado, penso que está bem distribuído entre: autores, editores, distribuidores e livreiros. Quem arrisca mais? Fique sabendo que o investimento de uma livraria é bem maior que o investimento que se faz para começar uma editora. Digo-lhe também que nem todos os livros têm direito de devolução, esta tem regras e custos inerentes, já para não falar dos roubos, na ordem dos 3% que ficam a cargo do livreiro e funcionam para o editor como venda. Muito mais poderia dizer, como por exemplo, o facto de hoje estar instituído descontos ao cliente na ordem dos 10% sobre o preço de capa, mais os descontos de Visa e Multibanco. O resto fica para quando cá vier.

Os meus cumprimentos

Jaime Bulhosa»


por Booktailors às 14:37 | comentar | partilhar

10 comentários:
De Anónimo a 05 de Junho de 2008 às 15:41
O certo é que há por aí livrarias de "nome" e tradição que, apesar desses mesmos nome e tradição, levam meses (ou anos) para pagar facturas de menos de 300 euros. E como explica isto o sr. Bulhosa?


De Pó dos Livros a 05 de Junho de 2008 às 17:38
Explico com o facto de não ter nada a ver com as livrarias Bulhosa há mais de 4 anos.
E como consta no mercado, quando lá estavamos eramos bons pagadores. Infelizmente e contra a minha vontade o meu nome mantém-se nas como nome das livrarias.

Obrigado
Jaime Bulhosa


De Rui Pedro Lérias a 05 de Junho de 2008 às 19:25
Penso que o sr Bulhosa pouco tem a ver com as práticas de outras empresas, não acha sr. anónimo?


De Anónimo a 06 de Junho de 2008 às 11:34
O que o Sr. Jaime Bulhosa diz é verdade. Fica aqui o meu testemunho apenas para reforçar o comentário.
As livrarias Bulhosa pertencem ao grupo Civilização (até ver, digo eu) bem como as livrarias Leitura no Porto. O que o Sr. Anónimo diz também é verdade em relação aos procedimentos correntes deste grupo, mas apenas isso.


De Anónimo a 06 de Junho de 2008 às 17:53
QUESTÃO CENTRAL

O problema é tão simples que parece ser sempre ignorado nestas discussões: num país em que a oferta ultrapassa em muito (muito mesmo) a procura, quem quer que se dedica à indústria do livro (que não o escolar) arrica. Arriscam editoras, gráficas, e livrarias.

Quem ganha mais com um livro? Aí também não há discussão: são as livrarias.

DEVOLUÇÕES

E porque é que se fala de devoluções quando todos no ramo sabemos que o cumprimento dos 30, 60 ou 90 dias (para devoluções, pagamentos, compras e seja o que for) só raramente é cumprido?

LIVRARIAS

A questão é simples: há pouco público comprador de livros e este, cada vez mais vai, comodamente, às grandes superfícies (o caso da Byblos dar-me-á razão, se é que não está já a dar-ma) - sobretudo porque as pequenas livrarias, independetes ou outras, não oferecem as alternativas possíveis (um muito maior conhecimento do produto e selecção de oferta, acompanhamento mais próximo do cliente e rapidez de reacção aos pedidos específicos).

LEI DO PREÇO FIXO

A lei do preço fixo, na minha opinião, só faria sentido deixar de existir caso houvesse livreiros especializados e conhecedores. Afinal que adianta que os livreiros pudessem discutir descontos e quantidades de encomendas caso a caso se, de facto não têm, na maior parte, conhecimentos e capacidade para efectuarem um tal trabalho.

Basicamente só com livreiros mais competentes e que sejam também eles leitores conhecedores e experientes (entramos na maior parte das livrarias e somos atendidos por miudos que até podem ter boa vontade - o que nem sempre acontece - mas que obviamente não têm conhecimentos para um atendimento, quanto mkais a definição de uma política de livraria), poderá dar-se uma alteração das livrarias alternativas às grandes cadeias.

[para quem não tenha lido e procure o confronto, não falo de todas as livrarias mas de uma maior parte]

ESTUDO DE CASO

Uma editora - a minha é claro exemplo, até devido ao segmento em causa - tem hoje nas Fnacs e Bertrands cerca de 50 a 70% das suas colocações. As restantes dividem-se em 15% de "outras livrarias" e o restante em circulação por grandes superfícies e outros canais.

Logo há vários pontos que convém notar:

- Não são necessárias tantas livrarias.

- As pequenas livrarias/cadeias livreiras têm de inovar. Seja por serviços de pesquisa e encomenda, seja pelo atendimento, seja pela originalidade da oferta, especialização, oferta alternativa (exemplo claro a Galileu em Cascais) ou outros.

- Uma gestão mais profissional (grande mal da indústria livreira no nosso país desde há longos anos).

- Criação de uma base de dados nacional de stocks que permita saber que livros há, onde e com que preço. Que facilite encomendas e informação aos clientes da livraria, que facilite o controle de verbas e verificação de pagamentos e contabilidade inerente.

- Deve ser resolvido o tremendo problema de o segmento consumidor de livros ser também aquele de onde deverão sair os vendedores de livros. Preferencialmente com cursos de especialização.

- As políticas de devoluções têm de ser verdadeiramente respeitadas. Como ninguém cumpre realmente os prazos o mercado torna-se caótico em termos de contabilidade (aquilo que permite, realmente, organizar a política da livraria - e, já agora, que as distribuidoras paguem a horas e as editoras recebam a horas).

Ainda mais umas notas:

ESTUDO DE CASO II

Há cerca de ano e meio estive no Chile, país com um índice de leitura muito semelhante ao nosso.
Por lá poucos anos atrás chegaram as grandes cadeiras de livrarias dos grupos espanhóis (Andres Bello, Planeta e mais uma ou duas) que tomaram todos os grandes espaços comerciais nos centros comerciais, grandes superfícies e pontos centrais. Os pequenos livreiros entraram em crise mas, da sua associação surgiu a única solução que lhes pareceu viável: Todas as livrarias da associação assumiram uma identidade (permitam-me que não me lembre do nome exacto mas seria algo como Associación Nacional de Librerias), formataram as suas livrarias com uma imagem de cadeia, instalaram um sistema central de armazéns, distribuição, encomendas e parcerias, um sistema informático de existências que está ligado às distribuidoras e editoras.

Nessas livrarias, ao contrário das dos grandes grupos onde havia apenas uma menina numa caixa, notavam-se vários empregados, todos acima dos 40, que respondiam com uma proficiência notável a qualquer dúvida. Fiquei a conhecer vários escritores chilenos interessantes e tive mesmo várias sugestões de publicação em Portugal.

Muitos desses empregados, vim a saber, eram responsáveis pela selecção total dos livros expostos nas secções da livraria que representavam.

Assim, na altura em que visitei o Chile essa associação e as suas livrarias detinham um monopólio das grandes livrarias e tinham imposto regras aos grandes grupos de distribuição e edição - em vez de serem esmagados pelos grandes gigantes como em muitos outros países da América do Sul.

PORTUGAL

O que se passa em Portugal é que a tradição de conflitos e luta pelos pequenos interesses individuais (uma doença crónica ligada ao umbigo) leva a uma dificuldade enorme na percepção do quadro geral do mercado e das medidas de unificação que são necessárias.

E atenção que não falo apenas das livrarias. Falo pelo meu segmento em função das actuais alterações de mercado. É urgente que se unam os pequenos editores, criem a sua rede de distribuição (o que não se poupavam tratando directamente com os livreiros e tendo um armazém centralizado para todos os editores!) e idealmente a sua própria rede livreira.

Se isso não acontecer, não adianta chorar porque vamos todos ser esmagados. E é coisa para acontecer em 2 a 3 anos.

Hugo Xavier
Coordenador Editorial - Cavalo de Ferro


De Rui Pedro Lérias a 06 de Junho de 2008 às 22:39
Caro Hugo Xavier,

Achei interessantíssimo ler a sua contribuição.

Tenho uma questão que não sei se tem a liberdade de responder mas aqui vai: a Cavalo de Ferro faz o mesmo preço a todas as livrarias?

Achei também interessante - mas excessivo - o achar que a maior parte do preço do livro vai para as livrarias. A ideia que eu tinha era que cerca de 30-40% era a margem das livrarias. Argumentará certamente que dos restantes 60-70% a editora tem de pagar à gráfica, os direitos de autor, etc. Mas uma livraria também tem que pagar a localização, pessoal, etc.

Mas é bom ver estas questões discutidas abertamente.


De Rui Pedro Lérias a 06 de Junho de 2008 às 22:54
E as editoras é que se enfiaram no buraco dos descontos.

Um livro que custava antes 10€, com 6€ para a editora e 4€ para a livraria passou provavelmente a custar 12€ para a editora poder dar 50% às grandes livrarias: 6€ para cada.

O problema é que para o público o livro ficou mais caro, em especial nas pequenas livrarias onde o desconto continua a ser 40%, levando a que estas deixem de conseguir competir.

As editoras ficam cada vez mais dependentes de um número menor de intervenientes que põem e dispõem das editoras como querem sem que estas possam fazer nada.

Só um mercado livreiro diversificado e dinâmico garante também a saúde das editoras, das pequenas editoras.

Alguma terá que ser a primeira a dizer basta às Fnacs e Bertrands.


De Anónimo a 09 de Junho de 2008 às 17:36
Acho interessante o comentário do sr. Lérias, mas parece esquecer que a parte que diz que vai para a editora não é bem assim. Por pouco que pareça ser, há os direitos. Para lá dos outros muito custos do livro, gráfica, paginadores, revisores, etc.
E nem sequer estou a fazer entrar na equação as editoras sem distribuição própria.
Com franqueza, não me parece que este negócio, como está 'organizado' actualmente para as pequenas e médias editoras tradicionais, tenha pernas para andar.


De Serafim Gonçalves a 14 de Junho de 2008 às 19:54
Correndo o risco, ao fim de tanto tempo, de já não vir a ser lida e de não ter tanto impacto face aos comentários de tão elevada qualidade que o meu comentário ao post do passado dia 4 de Junho já provocou, nomeadamente da parte de Jaime Bulhosa, deixo contudo aqui o meu contributo/resposta ao mesmo. Por partes.

1. Primeiro diz que lei do preço fixo «não foi criada para defender os livreiros das grandes superfícies» porque «há 20 anos (…) não havia grandes superfícies a vender livros». Ora, desde pelo menos 1983 que o decreto-lei 422/83 exclui os livros da proibição da prática de preços mínimos (prática esta que era considerada lesiva da concorrência), exceptuando somente, pelo decreto-lei 329-A/89, «os manuais escolares» e os «livros auxiliares utilizáveis nos vários anos de escolaridade obrigatória». A exclusão daquela proibição era motivada pela necessidade de proteger as livrarias de pequena e média dimensão em relação às grandes superfícies. Grandes superfícies estas que, ao contrário do que diz, já existiam há 20 anos e a vender várias publicações, mais periódicos e revistas do que livros, é certo, mas já vendiam livros. Relembro que o primeiro hipermercado em Portugal foi aberto em 1985, em Matosinhos (onde muito novo, com cerca de 14-15 anos, já comprava vários dos meus livros com o dinheiro da semanada). E antes deste já existiam os supermercados Pão-de-Acúcar do (se não me engano) Jerónimo Martins.
Estas leis surgiram porque já na década de 80 as queixas do retalho livreiro se faziam sentir. E não pararam até que em 1993 foi promulgada a primeira lei do preço fixo do livro, o decreto-lei 176/96, que, diz-me que foi defendida pela maior parte dos editores, veio defender a necessidade de «manutenção (…) de uma rede, densa e diversificada, de livrarias, consideradas os espaços aptos a satisfazer as reais necessidades culturais da população portuguesa» no que aos livros diziam respeito. O mesmo decreto-lei que via no encerramento das livrarias uma situação «negativa e preocupante», que impunha «a criação de medidas disciplinadoras e de incentivo e modo a corrigir-se as detectadas disfuncionalidades do mercado do livro e a garantir aos seus agentes condições de actuação mais equitativa e proveitosa para o interesse geral». Ou seja, trocando em miúdos, com isto o Estado procurou proteger as livrarias de pequena e média dimensão (vg. Livrarias independentes) das grandes superfícies que ficavam proibidas de comprar livros por atacado (como tinham e têm condições financeiras para fazer) a baixos preços, uma vez que o artigo 2.º deste decreto obrigava os editores a fixar um preço a que cada livro deveria ser vendido, tanto a pequenas livrarias como a grandes superfícies, pelos menos durante os primeiros 18 meses de publicação dos mesmos.
Se é um facto que se pode dizer que a lei foi muito curta para proteger cabalmente as pequenas livrarias, também é verdade é que estas se deixaram estagnar perante a impossibilidade imediata de virem a ser esmagadas pelas grandes superfícies. Como não se adaptaram aos tempos, nem o Estado as podia levar ao colo, estão agora, novamente, em perigo de vida. Agora, toca viola quem tem unhas: grandes superfícies e redes livreiras. A solução? É ler o que Hugo Xavier escreveu neste blogue.

2. Diz-me também que nem todos os livros podem ser devolvidos. A verdade é que isso depende do que editores/distribuidores e livreiros acordam. Nenhum livreiro é obrigado a comprar a firme e a esmagadora maioria dos livros que as livrarias aceitam pôr à venda são à consignação. O bom senso é que tem imposto que, na prática, os livreiros tenham que aceitar comprar a firme alguns dos livros que vendem para partilharem alguns dos riscos do negócio com os editores (de outra forma, muitos editores não teriam condições para colocar os seus livros nos pontos de venda, muitos nem sequer se atreveriam a ser editores nestas condições, com todas as consequências que isso teria numa oferta editorial diversificada). Claro que há os casos das editoras maiores, com best-sellers no catálogo de cuja venda muitas livrarias dependem para a sua sobrevivência, que têm força para impor a compra a firme de uma maior percentagem dos seus livros. Mas editoras com força para fazer isso em Portugal, conto-as pelos dedos de uma mão (vá, mais um ou dois dedos da outra). A maioria das editoras é obrigada a aceitar a contratação da venda dos seus livros à consignação para a maioria dos seus livros publicados. Por isso é que digo que as livrarias são quem menos riscos assume. Isto em termos genéricos, claro. Da mesma forma que o fez Reis-Sá na Rua da Castela e com o qual concordou (especificamente quando ele referiu que se caminhava para as consignações totais). Reconheço que muitas pequenas livrarias, com muito menos músculo negocial, são obrigadas a aceitar condições menos vantajosas que as obrigam a viver quase no limiar da sobrevivência.

3. Isto significa que, em minha opinião, são as editoras quem arriscam mais. E não concordo nada, mas mesmo nada, quando diz que o investimento para uma livraria é bem maior do que o necessário para começar uma editora. Só se for uma editora para a carolice e de que não se tenha que depender para viver e onde se vai editando como se pode e quando se pode. Mas investir numa editora para tirarmos de lá o nosso pão de cada dia, exige muito mais dinheiro do que o necessário para uma livraria. Os únicos verdadeiros custos de uma livraria são a localização e o salário de 1 ou 2 funcionários (nos quais o patrão já está incluído em muitos casos). Os únicos necessários para vender um bom par de milhar de livros. Agora para se produzirem/editarem algumas centenas é preciso perder tempo e dinheiro a encontrar e avaliar potenciais autores (pagar a quem o faça), é preciso pagar a revisores, fotocompositores, designers, impressão, distribuição (sim, porque as livrarias não pagam os custos de transporte dos livros até ao seu espaço de venda). Nalguns casos, ainda tem que haver tradutores. Tudo serviços pagos, mas mesmo bem pagos, uma vez que exigem elevadas qualificações para poderem ser feitos com a qualidade necessária e desejada.

4. Por fim, o seu convite para ir à Pó dos Livros. Está aceite. Mas confesso-lhe que há muito que estou a planear visitá-la. Mas o facto de não ser de Lisboa tem-me feito adiar a visita àquela que para mim constitui um dos melhores exemplos do que de melhor uma livraria independente pode fazer e tornar-se. Um excelente exemplo do que é ser diferente e bom. Um dia vemo-nos lá. Entretanto, votos dos maiores sucessos.


De Pó dos Livros a 16 de Junho de 2008 às 17:00
Caro Serafim Gonçalves, espero que ao fim deste tempo todo também seja lido e o mesmo se aplica a mim.

1- Desculpe que lhe diga, mas em 1983 as grandes superfícies não tinham qualquer significado em termos de vendas de livros. Essa situação só se veio a verificar muito mais tarde, com o aparecimento da Fnac e do Centro Comercial Colombo e com a venda de livros no hipermercado Continente. E sei bem do que falo, porque em 1990 a livraria que mais livros vendia em Portugal era a Bulhosa das Amoreiras uma livraria com apenas 200m2. Pode confirmar isto com qualquer editor que seja desse tempo. Em relação à lei do preço fixo, até pode ter sido feita com o espírito que refere, mas na verdade veio defender mais os editores do que os pequenos livreiros, e a confirmação está na constatação da realidade, isto é, o desaparecimento das pequenas livrarias independentes e o aumento no número de editoras. Também é fácil verificar que a lei do preço fixo veio servir de argumento aos editores para se defenderem das grandes superfícies, pois é com o argumento de não se poder vender as novidades abaixo do preço estipulado pela lei do preço fixo que os editores evitam o esmagamento das suas margens, se não estariam à mercê do enorme poder negocial das grandes superfícies e da pressão exercida para venderem com preços mais baixos. Como se vem a verificar cada vez mais, já que o desrespeito pela lei é quase total.

2- Quando diz que nenhum livreiro é obrigado a comprar a firme, de facto eu não sou obrigado a comprar, mas se não o fizer não terei novidades para vender, como sabe as novidades são todas a firme, salvo raras excepções que não têm peso. É verdade que, numa livraria, a maioria dos livros se encontram à consignação, mas de outra forma seria impossível para uma livraria ter fundo de catálogo. O investimento seria incomportável, dada a baixa rotatividade desses livros, e também não seria bom para o editor, que assim veria o seu fundo parado nos armazéns, como cada vez mais se verifica devido à fraca rede de livrarias independentes.

3- Diz que não concorda mesmo nada quando digo que o investimento para iniciar uma livraria é maior do que para uma editora; que numa editora esse investimento inicial só é menor caso se trate de um investimento por carolice. Ora, a mesma ordem de ideias aplica-se exactamente a uma livraria. Desculpe mais uma vez, ao referir que os verdadeiros custos de uma livraria são só o espaço e 1 ou 2 funcionário, não sabe mesmo do que fala. Só a título de exemplo, está a esquecer todo o investimento necessário para as obras e mobiliário - os livros não se colocam no chão -, e não é possível trabalhar como deve ser com 1 ou 2 funcionários, a não ser que os “desgraçados” não tenham folgas nem férias. Também poderei referir muitas outras despesas como o investimento inicial brutal em conta firme, papel para embrulhar os livros ou sacos para os clientes os transportarem, etc., etc., no entanto seria uma lista demasiado extensa para um comentário de blog.

4- Por fim, obrigado pelo elogio e terei sinceramente todo o gosto em recebê-lo na Pó dos Livros. Poderemos então falar melhor sobre este assunto.

Jaime Bulhosa


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