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O livro é para ele como uma lapa, colado à pele, de tal forma, que é capaz de ler em qualquer lugar, em qualquer situação, e sempre com esse dom de transformar o leitor, de lhe cortar a respiração. José Mário Silva mostra, nesta entrevista, como a honestidade é uma das principais qualidades de um crítico literário. Não foge, não se esconde e não evita um ou outro choque frontal. Ainda que os livros tenham cada vez menos espaço nos jornais, o jornalista continua a ter demasiado trabalho para que o escritor se possa libertar do pousio. Quando é que voltas, José Mário?

 

É possível ser-se 100% isento na crítica literária?

Não creio que se possa ser 100% isento em nenhuma atividade humana. O quadro de referências do crítico condiciona muito a forma como este analisa as virtudes e defeitos de um livro. No momento em que escreve sobre uma determinada obra, está sempre a fazê-lo no cimo da montanha de livros que leu para trás. E essas leituras anteriores moldaram a sua perspetiva sobre as coisas, o seu gosto, o seu olhar. Prefiro um crítico que expresse opiniões fortes, com as quais eventualmente eu não concorde, mas que obedecem a uma argumentação sólida e coerente com a respetiva mundividência, às meias-tintas de quem não se quer comprometer. A questão passa mais pela honestidade do julgamento do que por uma suposta pureza, impossível de atingir ou de manter. Se não é possível ser-se 100% isento, nada nos impede de sermos 100% honestos naquilo que fazemos.

 

Qual o papel de um coordenador da área de livros num suplemento como o Actual?

É, sejamos francos, um papel ingrato. Com a progressiva asfixia da secção de Livros, por razões mais económicas (a falta de publicidade, que encurtou brutalmente o número de páginas do suplemento) do que editoriais, a margem de manobra do coordenador vai sendo cada vez menor. Publicam-se cada vez menos textos e mais curtos, de cada vez menos colaboradores. Também por isso, o principal papel de um coordenador é a gestão do escasso espaço disponível e da natural frustração dos colaboradores que escrevem com assiduidade inferior à sua vontade e merecimento.

 

Há cada vez menos espaço nos jornais para os livros. Faz sentido falar-se de livros de que não se gosta?

Depende. Há críticos que só falam dos livros que consideram bons ou muito bons. Há outros que preferem arrasar os que lhes parecem medíocres ou maus demais, numa espécie de higiene literária. Os textos destrutivos têm sempre mais impacto, permitem que o crítico brilhe, dão-lhe uma certa reputação. Pessoalmente, prefiro escrever sobre livros de que gostei. Com tão pouco espaço disponível, escasso até para tudo o que de bom se publica, acho um desperdício ocupar espaço a demolir o que não interessa. Dito isto, se um autor se torna best-seller anos a fio com romances péssimos, como, por exemplo, José Rodrigues dos Santos, merece que lhe saia ao caminho um Rogério Casanova. Não é só na televisão que há necessidade de um serviço público.

 

Não receia que, em virtude da sua atividade enquanto crítico literário, venha a prejudicar o José Mário Silva escritor?

Receio, claro, mas não pelas razões que estão implícitas na pergunta. Nunca temi as opiniões dos outros. Em relação aos meus primeiros livros, sempre me pareceram equilibradas e por vezes certeiras. Por outro lado, com o muito que tem de ler e escrever na sua atividade de crítico, o José Mário Silva escritor tem vivido numa espécie de pousio forçado. Gostava que essa situação se alterasse nos próximos anos.

 

Já alguma vez um autor lhe deixou de falar na sequência de uma crítica literária?

Sim. São os ossos do ofício. Até já houve um que teve vontade de me atropelar.

 

O que é fundamental para se ser um bom crítico literário?

Ausência de preconceitos, atenção, muitas leituras acumuladas, rigor analítico, memória, sensibilidade estética, boa prosa. Tudo isto é importante, mas o essencial é mesmo a honestidade intelectual.

 

Como é que equilibra editorialmente o Bibliotecário de Babel com as suas colaborações na imprensa? Alguma vez o blogger quis dar a notícia que deveria ser reservada para as publicações impressas para onde escreve?

Além das suas rubricas específicas, o blogue serve como arquivo pessoal do que vou escrevendo, nos mais variados contextos, sobre livros e literatura. É uma espécie de mapa das minhas deambulações pelo mundo literário. Mas não é o blogue que me paga as contas de casa. Antes de blogger, sou jornalista. É essa, a minha profissão, e não confundo o que não deve ser confundido.

 

Se pudesse fazer uma pergunta ao atual secretário de Estado da Cultura, qual seria?

Quando é que voltas, Francisco?

 

Dê-nos uma boa ideia para o setor editorial português.

Publicar menos, mas publicar melhor.

 

Que crítica já escreveu e, depois de publicada, lhe deu azia?

Todas aquelas em que, por limitações próprias ou alheias (a falta de espaço, sobretudo), não consegui dizer exatamente aquilo que pretendia sobre um determinado livro.

 

Como é que surgiu a ideia da Grande Oferta de Livros do Bibliotecário de Babel e qual o balanço deste contacto mais direto com os leitores do blogue?

A ideia surgiu quando olhei para as minhas estantes ajoujadas e pensei: o que é que eu faço com tantos livros a mais? Podia oferecê-los a bibliotecas ou associações, mas isso é menos simples do que parece (e nem sempre temos garantias de que os livros chegam efetivamente a novos leitores). Por isso, decidi fazer uma oferta pública num dos lugares mais belos de Lisboa (o miradouro do Monte Agudo), oportunidade para ficar a conhecer leitores do blogue e de os recompensar com algo que vão certamente estimar: os livros, quase todos excelentes (não ofereço monos), de que só me desfaço por manifesta falta de espaço. As duas primeiras ofertas correram muitíssimo bem, com várias dezenas de pessoas no miradouro e centenas de livros a desaparecerem num ápice. Posso desde já anunciar que este ano, ainda antes do verão, haverá outra. Estejam atentos.

 

O e-book vai matar este convívio?

Não. Ou melhor, não nos próximos anos. Com o aumento do número de e-books na minha nuvem, diminuirá o fluxo de entrada de novos livros lá em casa, e talvez a Grande Oferta passe a Pequena Oferta ou deixe mesmo de ser necessária. Inventarei então, tenho a certeza, outras formas de conviver com os meus leitores.

 

 

©Margarida Ferra


Nasceu a 2 de março de 1972 em Paris. Licenciado em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é jornalista desde 1993. Trabalhou 14 anos no Diário de Notícias, onde foi editor-adjunto do suplemento DNA e da secção de Artes. Fez parte da equipa que realizou dois programas televisivos emitidos pela RTP2 (Portugalmente e Juízo Final). É coordenador da secção de livros e crítico literário do semanário Expresso, além de colaborador da revista LER. Escreve diariamente sobre livros e literatura no blogue Bibliotecário de Babel. Tem publicados dois livros de poesia (Nuvens & Labirintos, 2001, e Luz Indecisa, 2009) e um livro de narrativas (Efeito Borboleta e Outras Histórias, 2008).

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