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Ter, 24/Abr/12
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Garante que as miúdas se tornam mais giras quando gostam de escritores e que o próximo cataclismo que romanceará tem lugar na nossa rua. A coisa que mais o irrita é uma certa forma violenta de ser portista, virtude de que padece. Deseja que os editores levem os autores mais vezes ao colo. Foi uma das muitas ideias que conseguiu produzir, enquanto não se distraiu com a miúda gira que acabou de sentar atrás dele, na esplanada.

 

Qual é o próximo cataclismo que vai marcar a sua escrita: o Katrina, Fukushima ou o massacre de Utoya?

[sorriso matreiro tão aberto que deixa escapar as típicas quatro gargalhadas sonoras do tripeiro e que demonstram a gratidão pelo estilo desempoeirado, e aliás antecedem todas as respostas subsequentes] Qual era a pergunta? Aaah. Bom, e aviso já que as respostas são verdadeiras e não pretendem a piadinha devolutiva estilo Madonna: vão ser dois cataclismos, dois livros, um na vossa rua (juro) e outro na literatura de todo o mundo entre o século XVII e hoje. O Katrina é demasiado americano (até para mim, subculto americano), Fukushima já foi a poema — busca! (na Net: «Hoje é um dia feliz», com o Sayuri) —, e Utoya foi à pressa para o cinema. Nã.

 

Qual o seu foco principal quando está a escrever um livro?

Todos menos eu, tudo menos o meu; numa palavra: o resto. E, confesso, aborrecer os génios. Ou seja: todos menos eu.

 

A sua oficina de escrita obedece a que princípios?

Aos princípios da física, por um lado, e aos da paciência, por outro. Se lá me aparece um conhecido duas vezes, mudo. Por isso, vejam se não repetem, até porque o pessoal já me conhece, e aquele vosso número da gabardine é literalmente «chato». Mais: raparigas giras é má ideia, porque começo a mexer-me na cadeira. Ainda agora se sentou uma atrás de mim, e eu já sei que não vou escrever mais nada.

 

A Manhã do Mundo não chegou a ser editado nos EUA. Eles ainda lidam mal com a literatura sobre o 11 de Setembro?

Esta vou responder a sério: não há literatura que entre nas Torres. Se virem, avisem, para formarmos a ALT. Essa literatura, só daqui a dez anos, disse-me uma luso-americana que também ficou surpreendida por só haver literatura de contexto ou cenário, com uma ou outra exceção que confirma a regra (o Lello e o Lillo não confirmam). Quanto a não ter chegado a ser editado nos EUA, vou parafrasear uma putativa leitora minha: «Estou ansiosa por ler o livro e vou fazer tudo para o apanhar na net em PDF.». Portanto, a arte é como deus, está ilegalmente — deus também não está legalizado — em todo o lado, queiramos ou não.

 

O que preferia: uma referência no Dica da Semana ou uma boa crítica no jornal Expresso?

Eu tive uma crítica jeitosinha no jornal Expresso, mas acho que o Zé Mário Silva está completamente subaproveitado no dito, e, sinceramente, deveria diversificar e daria muito mais no Dica, onde nem no setor dos congelados apareci. E poucos tiveram esse privilégio.

 

Miguel Real fala de uma geração de ouro na atual literatura portuguesa. Concorda? Sente-se parte dela?

Para já, quem é de ouro é o Miguel Real, e eu não sou de elogio fácil. Estamos muito bem servidos de escritores, sim senhor. Mas reparem que a qualidade do metal de uma geração não depende nem da idade nem das vendas. Os casos sérios de hoje têm cem ou mais anos e não venderam bem. Convém termos essa humildade e não andarmos sempre a encher a boca com sentenças definitivas, que só demonstram vistas curtas. Não podemos avaliar o que vai ser. Sabiam que na correspondência entre Rodrigues Miguéis — que vendeu muito bem, é muito bom e ainda não teve a sua hora — e Saramago, de 1957 a 1971, Fernando Pessoa não é referido uma única vez (pelo menos na publicada)? Não tenho uma visão geracional, não vejo vantagem nenhuma em estimular a escrita jovem (a leitura sim, falta muita leitura), porque sou dos que acredita no mérito da espera e na maturidade, apesar de Rimbaud, e apesar do que custa vencer os anticorpos de qualquer meio literário (única vantagem da precocidade, ir batendo com a cabeça). No fundo, há muito tempo, porque o verdadeiro espaço literário de um escritor vem depois de ele ir falecer. Noto que o conceito de «ir falecer» é hoje a principal arma do mais bem pago cómico português, o que tem nome de hip-hop. Vou ali falecer. Uma mixórdia (de tomate e queijo).

 

Escreveu um romance passado em Nova Iorque. Portugal não é literariamente interessante?

É-me um bocado indiferente, porque Portugal já está muitíssimo bem tratado. Mas já escrevi muitas páginas situadas em Portugal. Que um dia verão a luz. Penso que ainda neste século. N’A Manhã do Mundo não me interessou a inovação do estilo, mas do olhar e da estrutura. Quis um romance em aparelho, quis acompanhar os saltadores sem terror e com mundividência. Só saberei se o consegui quando alguém do século XXII desenterrar o livro. Não há condições para o saber nos próximos 50 anos.

 

Quais as maiores dificuldades que um autor sente para publicar um primeiro livro?

Essencialmente é ter deixado de ser importante na cadeia alimentar. O autor, que antes estava no topo da pirâmide, aparece agora a meio. É o chatinho. O que não é admissível, seja de que literatura falarmos. Mesmo que a alguns até lhes faça bem humildarem-se. Lá ter de trabalhar pelo próprio livro não é mau. Lá não ganhar, em regra, nada que se veja, não é novidade, e é assim há séculos. Pagar as despesas todas é aborrecido, não ganhar um tostão nas apresentações idem, e essa mentalidade tem de mudar. Mas sem o autor não havia livro, enquanto que sem todos os outros elementos só não devia, mas podia. É fundamental que quem escreve se convença de que um editor é fundamental: pode ser pessoal, se não for possível um profissional, mas é fundamental que seja bom leitor e tenha sentido crítico. Mesmo um escritor consagrado não deve dispensar um editor. É mau sinal quando o faz. O meu encontro com a Rosário foi feliz, até porque começámos com os pés, a discordar um do outro, e não houve graxa rigorosamente nenhuma, não está nem no feitio dela nem no meu. Ela até me chamou «Coca-Cola humana». E sou, é verdade.

 

O que tem de especial ser-se um menino da Rosário?

É muito divertido porque se levam caneladas que lhe são dirigidas e se pode servir como alvo das setinhas dos desabafos dos que acham injusto ela ser a marca que é. Ou seja, está-se mais tempo em jogo do que o normal, mesmo no breve tempo de um livro hoje. Além disso, permite conhecer as meninas da Rosário, como a Aida, a Filipa, a Sónia, etc. Ó-ó. Mais: a própria Rosário tem consciência do exagero das solicitações de que é alvo, mais por falta de imaginação do que por lhe dedicarem atenção e a respeitarem. Ela personifica um modelo de referência que é fruto do seu trabalho. Mas eu preferia que conhecessem as suas extraordinárias qualidades como leitora e poetisa.

 

Tem pena de não ter publicado mais cedo e com isso ganhar o prémio José Saramago?

Tenho. Dava um jeito do caraças. Mas não me importo de ganhar o prémio Rimbaud para maiores de 50, logo que lá chegue.

 

Qual o seu maior ódio de estimação?

Os tipos que destroem áreas de serviço em nome do nosso FCP, como se isso fosse amor, sem que o Pinto da Costa — ou pelo menos o Emplastro — os ponha em sentido. Como advogado, se tenho de defender um superqualquercoisa em tribunal, são garantidas duas horas de sermão em que eu lhe explico que eu, o meu pai e um irmão vestimos a camisola do FCP com honra e temos vergonha deles. Que amor não é ódio aos tipos que dão sentido às nossas vitórias. O Benfica — por quem sofro lá fora — tem direito a festejar títulos no Porto, como o Porto os festeja em Lisboa, cidade maravilhosa, mesmo às escuras. Qualquer animal racional tem amigos benfiquistas. A minha mulher é benfiquista e é uma grande mulher. Tenho saudades de quando havia futebol em Portugal e trissemanários desportivos. Penso mesmo que o principal problema da economia portuguesa são os diários desportivos. Por serem diários, não por serem desportivos. Ao menos que voltassem a publicar livros em fascículos — os diários desportivos — como os jornais de antanho. Eu podia desenvolver a ideia, mas agora não tenho tempo.

 

Se pudesse fazer uma pergunta ao atual secretário de Estado da Cultura, qual seria?

O Francisco pode explicar ao Pedro que o primeiro sintoma de doença social é o ato de menorizar a criação? Não, Francisco, não estou a falar de famílias numerosas.

 

As miúdas giras gostam de escritores?

As miúdas tornam-se giras quando gostam de escritores.

 

Dê-nos uma boa ideia para o setor editorial português.

Tentem lá parar com esta lógica perversa da novidade e alargar a vida dos livros, publiquem menos, invistam em novas estéticas, sejam visionários, voltem a ter prazer em levar um escritor ao colo, promovam-no como marca (os melhores já fazem isto tudo, mas são poucos).

 

Que pergunta não fizemos e deveríamos ter feito?

Consegues dar resposta de uma só linha? E eu responderia que conseguir, conseguia, mas não era a mesma coisa.

 

 

 

 

Pedro Guilherme-Moreira escreve sem carta e é politicamente incorreto quando declara a plenos pulmões que o faz desde muito novo e que não, não foi nada acidental. Estava farto de ouvir a família dizer bem dos poemas e das fábulas parvinhas com que tentava impressionar os professores e, como qualquer escritor frustrado, começou a escrever poesia pondo nisso o maior drama possível. Experimentou a prosa lá pelos 20, mas comparava com coisas decentes e ficava envergonhado. Depois percebeu que tinha de se apressar se ainda quisesse colar na testa o autocolante de «jovem escritor». Foi assim que já tarde, aos 40, mais coisa menos coisa, a chamar a mulheres de 50 «raparigas da sua idade», publicou, com o alto patrocínio de Maria do Rosário Pedreira e das Publicações Dom Quixote, onde pululam dezenas de prémios nobéles, um livro sobre as vísceras do 11 de Setembro chamado A Manhã do Mundo. Teve um acolhimento muito razoável nos dois meses em que as livrarias deixam estar o livro quieto nas montras sem devolverem os que não se vendem, e ascendeu ao 6.º lugar no top Bulhosa. Os pontos altos da carreira do livro foram o professor Marcelo ter recomendado um único livro no dia 11 de Setembro, precisamente A Manhã do Mundo, e, ex aequo, a visita a uma escola de Novas Oportunidades em Azeitão, na qual pessoas sem a instrução completa o foram ouvir com o seu livro na mão porque sim. É advogado e pioneiro das novas tecnologias, mas acha que ainda é muito cedo para ter iPad e muito tarde para ter iPhone. Vive, escreve e corre junto à praia e é adorador e ex-atleta de voleibol.

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