Booktailors
info@booktailors.com

Travessa das Pedras Negras

N.º 1, 3.º Dto.

1100-404 Lisboa
(+351) 213 461 266

Facebook Booktailors
Twitter Booktailors

FourSquare Booktailors



Facebook Bookoffice


Editoras Nacionais
Livrarias Nacionais
Livrarias on-line
Editoras Brasileiras
Imprensa Brasileira
Blogosfera Brasileira
Eventos no Brasil
Imprensa Internacional

Associações e Institutos de Investigação
Feiras internacionais
Qui, 13/Dez/12
Qui, 13/Dez/12

 

[Parte I]


Há ainda muitos autores que Francesco Valentini, da Nova Delphi, gostaria de publicar. No entanto, tratando-se de um projeto a longo prazo, haverá tempo para os incluir no catálogo, apesar das dificuldades que o mercado português impõe a uma editora com a dimensão da Nova Delphi, nomeadamente o eterno problema da distribuição. Mas haja ideias para contornar as dificuldades, e isso é algo que não falta a Francesco Valentini.

 

A crise já obrigou a repensar o plano editorial?

Se pensar que nós começámos a publicar em 2010, quando a crise estava já muito presente… Sim, fizemos alguns ajustes, mas nada que alterasse profundamente o nosso plano inicial.

 

Que escritor gostava de poder editar e ainda não o fez?

Somos uma editora com um projeto de longo prazo. A maioria dos escritores vivos de que nós gostamos, obviamente, ainda não foi publicada por nós, mas ficaríamos muito satisfeitos se, talvez dentro dos próximos 20 anos, conseguíssemos publicar pelo menos uma pequena parte deles.

 

Gosto de pensar que a vida de uma editora possa ser representada como se fosse um livro, em que cada coleção realizada possa representar os capítulos do livro e as histórias dos autores publicados são as histórias dos protagonistas de cada capítulo. Com base nesta metáfora, a Nova Delphi ainda não terminou de escrever o primeiro capítulo. Esta é a única resposta sensata que posso dar.

 

Tem tablet? Ou não se imagina a ler e-books?

Tenho e já li e-books. Antes do tablet tive um e-reader. Não têm nada a ver, mas isto para dizer que tenho acompanhado as novas tendências, as novas formas de ler, os novos suportes. É uma área pela qual me interesso e à qual dedico muitas horas de leitura e estudo.

 

Além disso, a Nova Delphi apostou desde o início em ter todos os seus livros publicados no formato tradicional e em e-book, em vários formatos para facilitar a leitura nos diversos suportes que existem no mercado. Por exemplo, os nossos e-books estão disponíveis no formato ePub e mobi (para o Kindle).

 

O que é que um editor tem de saber para sobreviver no mercado português?

A pergunta é intrigante, mas vou tentar responder desta forma: existem duas grandes barreiras à entrada de um novo editor no mercado editorial português, sobretudo se for pequeno. A primeira barreira – que é comum a todos os mercados editoriais ocidentais que conheço – é a da distribuição. A distribuição em Portugal é mal organizada, a situação financeira dos distribuidores independentes é péssima. Na realidade, o que acontece é que o distribuidor gere indevidamente a tesouraria dos seus clientes editores mantendo-os pela garganta… A única distribuição que funciona é a que pertence aos grandes grupos editoriais que todos nós conhecemos, que, obviamente — e eu acho que com razão —, privilegiam as suas próprias marcas editoriais. A segunda barreira — na minha opinião, ainda mais grave do que a primeira — é a total ausência de informação estatística organizada sobre as várias fases da fileira editorial. Bom, na realidade esta informação existe, mas o acesso a ela está sujeito a um preço elevado, o que não permite que editores mais pequenos, que queiram entrar no mercado ex novo, possam ter uma ideia prévia do funcionamento do mercado editorial, de como é estruturado e de quais as tendências editoriais atuais e quais serão as tendências futuras. Consequentemente, existem muitas dificuldades na conceção de estratégias editoriais ganhadoras e direcionadas para identificar nichos de mercado a ser explorados.

 

As considerações acimas referidas são mais interessantes, e explicam muitas coisas, se considerarmos que a indústria editorial em Portugal no período 2008-2011 (no pior período de crise) representou um dos poucos setores da economia, baseada no mercado interno, que apresentou dados anticíclicos. Em suma, estamos perante um setor económico, o editorial, que realizou um volume de negócios positivo, aumentou em vez de diminuir. Então, talvez essa pergunta — e digo isto com alguma ironia — deve ser reformulada da seguinte forma: o que pode fazer uma editora em Portugal para sobreviver? E porquê sobreviver em vez de viver de facto, quando há espaço à conta do crescimento do setor?

 

Dê-nos uma boa ideia para o setor editorial português.

Como eu sou muito generoso, quero fornecer duas boas ideias… que espero que sejam úteis:

1) Criar uma plataforma digital e uma base de dados estatísticos comuns a todos os operadores do setor editorial, os editores e não só, plataforma que possa ser adquirida a preços baixos e onde encontrar todas as estatísticas do mundo do livro, do autor ao leitor. Na Itália existe (ver aqui: http://www.ie-online.it/sx/sx.html) e ajuda principalmente as pequenas e médias empresas da fileira editorial, pois assim conseguem cruzar dados e ajustar a oferta à procura. Aproveito para fazer um convite à APEL, em particular, para fazer o acompanhamento desta iniciativa, sem medo, todos nós precisamos;

 

2) Criar, por parte do mundo editorial em colaboração com os meios de comunicação de massa tradicionais (televisão), e com os novos media digitais (redes sociais), programas culturais e formatos que permitam explicar aos jovens que ler (e ler livros tanto em versão em papel quanto digital, não importa… o importante é ler) é bom para a saúde, melhora a vida, diminui o stresse. Citando indevidamente Umberto Eco, acho que existem duas experiências religiosas que dão a vertigem de prazer, uma é o sexo, a outra é a leitura, a primeira faz vibrar o corpo, a outra a mente: se nós pusermos os assuntos nesses termos, ainda conseguimos um percurso mais persuasivo com o objetivo da formação cultural dos jovens.

 

O que distingue o mercado editorial português do italiano?

O mercado editorial italiano e o português são mercados que estruturalmente se assemelham: oligopólios consolidados com severas restrições sobre a concorrência na distribuição do livro. Há uma diferença quantitativa, que se transforma em qualitativa, como muitas vezes acontece: a população italiana, embora inclinada a ler tanto quanto a portuguesa, é cerca de seis vezes a população lusitana; portanto, tenho a sensação de que em Itália há mais espaço para os pequenos e médios editores sobreviverem com dignidade; isso é o que também me foi confirmado pelo Dr. Germano Panettieri, diretor editorial da filial italiana da Nova Delphi (http://www.novadelphi.it). Apenas para ter uma ideia, eis alguns dados disponíveis postos online no mês de outubro de 2012 pela associação italiana AIE (http://www.aie.it/), homóloga da APEL:

 

• Títulos publicados: (2010) 57 558; (2011) 63 800 (10,8%);

• Mercado (total) e volume de negócio com base o preço de capa:

- (2010) 3 470 779 mil euros (0,5%);

- (2011) 3 309 713 mil euros (-3,4%);

• Compradores de pelo menos um livro durante o ano de 2011: 22,8 milhões (44% da população com idade acima de 14 anos).

 

Finalmente um desejo: espero que ambos os mundos editoriais, o italiano e o português, com uma língua e uma literatura tão ricas, possam, no futuro, encontrar-se não só para avaliar o que os diferencia e enriquecê-los mas também para descobrir as fundações que partilham e que lhes dão origem.

 

 

 

Francesco Valentini nasceu em Gorizia, Itália, em 1966. Licenciou-se em Direito, área onde exerce até hoje a sua atividade profissional enquanto advogado de negócios internacionais e perito em direito fiscal e comercial internacional. Vive no Funchal, Madeira, com a família desde 1995. Em 1996 partilhou a vida profissional com o ensino em várias universidades. Foi docente dos mestrados em Direito Tributário, Direito da Economia e da Empresa em universidades públicas (Bolonha, Bari, Roma, Lisboa) e organizações privadas (Milão, Roma, Bolonha, Bari). No final de 2009, concretizou um sonho antigo ao fundar uma editora, a Nova Delphi, que tem sede no Funchal e uma filial em Roma. O desafio era, e continuará a ser, conjugar um setor empresarial tradicional com as novas tecnologias e, por outro lado, promover eventos culturais como o Festival Literário da Madeira, que se concretiza em parceria com a Booktailors. Em 2010, traduziu O Banqueiro Anarquista, de Fernando Pessoa, para a língua italiana, obra publicada em Itália pela Nova Delphi.

-

Coleção «Protagonistas da Edição», 1.º volume Fernando Guedes: O decano dos editores portugueses disponível para encomenda através do e-mail encomendas@booktailors.com, por 10,80 €, com portes de envio incluídos (válido para território nacional).


por Booktailors às 09:00 | comentar | partilhar

Subscreva a nossa newsletter

* indicates required
Publicações Booktailors
Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem, Sara Figueiredo Costa



PVP: 12 €. Oferta de portes (válido para território nacional).

Fernando Guedes: O decano dos editores portugueses, Sara Figueiredo Costa



PVP: 10,80 €. Preço com 10% de desconto e oferta de portes (válido para território nacional).

A Edição de Livros e a Gestão Estratégica, José Afonso Furtado



PVP: 16,99 €. 10% de desconto e oferta de portes.

Livreiros, ler aqui.

PROMOÇÃO BLOGTAILORS



Aproveite a oferta especial de dois livros Booktailors por 20 €.

Compre os livros Fernando Guedes: O decano dos editores portugueses, de Sara Figueiredo Costa e A Edição de Livros e a Gestão Estratégica, de José Afonso Furtado por 20 €. Portes incluídos (válido para território nacional).

Encomendas através do e-mail: encomendas@booktailors.com.

Clique nas imagens para saber mais.
Leitores
Acumulado (desde Setembro 2007):

3 000 000 visitas


Site Meter
arquivo

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Etiquetas

acordo ortográfico

adaptação

agenda do livro

amazon

apel

associativismo

autores

bd | ilustração

bertrand

bibliotecas

blogosfera

blogtailors

blogtailorsbr

bookoffice

booktailors

booktrailers

byblos

coleção protagonistas da edição

correntes d'escritas 2009

correntes d'escritas 2010

correntes d'escritas 2011

correntes d'escritas 2012

design editorial

dia do livro

direitos de autor

distribuição

divulgação

e-book

e-books

edição

editoras

editores

emprego

ensaio geral na ferin

entrevista

entrevistas booktailors

estado | política cultural

estatísticas e números

eventos

feira do livro de bolonha 2010

feira do livro de frankfurt 2008

feira do livro de frankfurt 2009

feira do livro de frankfurt 2010

feira do livro de frankfurt 2011

feira do livro de frankfurt 2013

feira do livro de lisboa

feira do livro de lisboa 2009

feira do livro de lisboa 2010

feira do livro do porto

feira do livro do porto 2009

feiras do livro

feiras internacionais

festivais

filbo 2013

fnac

formação

formação booktailors

fotografia | imagem

fusões e aquisições

google

homenagem

humor

ilustração | bd

imagens

imprensa

internacional

kindle

lev

leya

língua portuguesa

literatura

livrarias

livro escolar

livro infantil

livros

livros (audiolivro)

livros booktailors

london book fair

marketing do livro

mercado do livro

notícias

o livro e a era digital

óbito

opinião

opinião no blogtailors

os meus livros

poesia

polémicas

porto editora

prémios

prémios de edição ler booktailors

profissionais

promoção à leitura

revista ler

sítio web

sociologia e hábitos da leitura

tecnologia

top livros

twitter

vídeo

todas as tags