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Qua, 7/Mai/14
Qua, 7/Mai/14
© Fátima Carmo

 

Nascida em 1966, em Lisboa, Fátima Carmo é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas — Estudos Portugueses e Ingleses, com frequência do mestrado de Estudos Anglo-americanos. Deu aulas em Portugal e Londres, mas deixou o ensino para se dedicar inteiramente aos livros, gosto que foi sempre mantendo a par das outras atividades profissionais, primeiro como revisora e tradutora, agora como responsável pelo Departamento Editorial da Gradiva.

 

Há quantos anos trabalha em edição?

Comecei em 1990, se não me falha a memória. Fiz outras coisas, desde então: dei aulas, ajudei a montar uma livraria, vivi em Londres, vivi em Paris, estudei italiano, literatura francesa e fotografia… Mas mantive sempre o contacto com várias editoras, para que fui trabalhando ao longo desse tempo como revisora, tradutora e especialista em fonética.

 

Onde começou a trabalhar em edição?

Na Livros Cotovia, de que guardo gratas recordações.

 

O que a levou a ingressar na edição de livros?

O costume, creio: a grande satisfação de poder trabalhar a fazer o que se gosta. Podendo escolher, não hesitei.

 

Em que consiste a sua função? Como é o seu dia a dia?

Tenho um dia a dia muito variado, sem qualquer espaço para monotonia. Contacto com autores, tradutores, revisores. Levo o manuscrito pela mão até à sua fase final, de pré-impressão, e apresento-o posteriormente à equipa comercial. Conhecendo o livro, colaboro ainda na conceção das capas. Em simultâneo, faço as aquisições de novos livros estrangeiros, mantendo contacto com agentes e editoras de vários países. Também divulgo os nossos autores no estrangeiro, nomeadamente na Feira do Livro de Frankfurt.

 

Estas são as tarefas que me ocupam mais tempo, mas há muitas outras a exigir atenção todos os dias, mesmo de outros departamentos. As funções dos vários sectores intercetam-se diariamente, e o trabalho em equipa dos respetivos departamentos é fundamental para o bom funcionamento da editora.

 

O que lhe dá mais prazer no seu trabalho?

Creio que tudo. Ocupo mais tempo num trabalho que me dá enorme prazer — o tratamento textual, assegurando a qualidade final das publicações —, mas tenho igualmente grande gosto em participar nas outras atividades essenciais à edição e à promoção dos autores.

 

Qual é o livro da sua vida e porquê?

Não me parece que seja pergunta que se faça a quem faz dos livros a sua vida… Todos temos muitas vidas ao longo da vida, e as leituras que fazemos dos livros refletem essa multiplicidade. Assim, o que hoje é o «livro da minha vida» poderá não o ser amanhã e não o foi seguramente ontem, se ainda não o tinha lido… Talvez no final da vida consiga eleger um; para já, não sei se não surgirá ainda aquele que suplantará os anteriores. Esse é mesmo, diria eu, o encanto da leitura.

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Qua, 2/Abr/14
Qua, 2/Abr/14
© Neusa Ayres

 

Tânia Raposo tem 31 anos. É licenciada em Estudos Portugueses pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde frequentou também a pós-graduação em Artes da Escrita. Começou a trabalhar na Guerra e Paz Editores em 2007, onde faz a gestão do plano editorial.

 

Há quantos anos trabalha em edição?

Desde 2007.

 

Onde começou a trabalhar em edição?

Na Guerra e Paz, Editores.

 

O que a levou a ingressar na edição de livros?

Depois de terminar a licenciatura, tornei-me especialista em sapatilhas e equipamento de corrida, e durante meio ano fui uma vendedora frustrada de uma loja num centro comercial. Até ao dia em que soube que precisavam de alguém para a receção da Guerra e Paz. Como disse ao colega que na altura me falou da vaga, eu só queria entrar. Abri a porta, atendi o telefone, servi cafés. Nos intervalos, pesquisava títulos estrangeiros, lia originais. Costumo dizer que era uma rececionista peculiar.

 

Em que consiste a sua função? Como é o seu dia a dia?

Tenho a meu cargo a gestão do plano editorial, a leitura e a avaliação de originais, o acompanhamento editorial de autores e projetos portugueses, a negociação de títulos estrangeiros, entre outras coisas, que faço sob a alçada do administrador editorial, o Manuel S. Fonseca. A equipa é pequena, por isso a definição de funções é importante mas não limitadora. Somos uma editora independente, temos feito um percurso de recuperação e crescimento nos últimos dois anos, e isso deve-se muito à criatividade, ao empenho e ao trabalho de cada pessoa desta casa.

 

O que lhe dá mais prazer no seu trabalho?

Criar projetos editoriais de raiz. Gosto de desafiar autores, trabalhar com eles na definição de uma ideia, na escrita e na edição, da primeira versão do texto até ao fecho do plano de capa. Na Guerra e Paz, temos procurado acompanhar as tendências do mercado, mas também — e isso diz bem do espírito da editora — conquistar terreno com apostas nossas, como é o caso do Clube do Livro SIC e das coleções «Livros Politicamente Incorrectos» e «Poucas Palavras, Grande Ficção».

 

Qual é o livro da sua vida e porquê?

Agora — que é quanto conta — o livro da minha vida é Os Incuráveis, de Agustina Bessa-Luís. E a resposta, para ser verdadeira, é esta: Os Retratos e Os Irmãos, os dois volumes que compõem o romance, são de uma beleza humana terrível. 

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Qua, 5/Mar/14
Qua, 5/Mar/14

 

© Sandra Correia

 

Sandra Correia é a entrevistada do mês de março da rubrica «BI da Edição». Nascida em 1979, em Lisboa, é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas — Estudos Portugueses e especializada no ramo de Formação Educacional. Deu aulas, explicações e apoio educativo, mas deixou o ensino em 2003, altura em que integrou o Grupo LIDEL — Edições Técnicas. É hoje editora adjunta da FCA — Editora de Informática e da PACTOR — Edições de Ciências Sociais, Forenses e da Educação, pertencentes ao mesmo grupo.

 

Há quantos anos trabalha em edição?

Completei recentemente 10 anos de atividade editorial.

 

Onde começou a trabalhar em edição?

Entrei para o Grupo LIDEL — Edições Técnicas, para o departamento de Medicina e Ciências, como assistente editorial. Ao fim de cerca de quatro anos, convidaram-me para integrar a FCA – Editora de Informática, onde exerço atualmente a função de editora adjunta, quer para as edições de informática, quer para as edições de Ciências Sociais, através da PACTOR, projeto no qual estou envolvida desde o início.

 

O que a levou a ingressar na edição de livros?

A edição entrou na minha vida por força das circunstâncias. Queria uma alternativa ao ensino e achei na altura que responder a um anúncio de emprego para a área editorial me abriria uma nova oportunidade curricular. A circunstância de ser selecionada e a decisão de arriscar a entrada neste misterioso mundo novo ditaram o percurso que tenho vindo a desenvolver. Comecei, enquanto assistente editorial, por fazer o acompanhamento dos projetos editoriais que me eram atribuídos, contactando com autores, revisores, paginadores, designers. É um prazer ver como as nossas revisões, cuidados e rigor são fortes contributos para ajudar um livro a construir-se, servindo aqueles que de alguma maneira dele precisam.

 

Em que consiste a sua função? Como é o seu dia a dia?

Como editora adjunta, tenho as funções de analisar e avaliar as propostas que nos são apresentadas, bem como identificar novos temas com interesse e viabilidade de mercado, de forma a lançar o desafio a autores para a escrita de futuras obras. A avaliação da pertinência do tema, o comportamento de mercado, a análise dos custos inerentes e a preocupação na construção e/ou manutenção do nosso catálogo são as linhas orientadoras e bases do meu trabalho.

 

Coordenando a equipa de assistentes editoriais, sou responsável pela gestão de todas as obras em produção e escrita, acompanhando as diversas fases inerentes aos processos. Procuro contribuir internamente para a divulgação das obras junto dos nossos comerciais, no sentido de serem bem promovidas e vendidas e recolhendo junto deles as informações relevantes acerca do mercado. Tenho um dia a dia completo, com muito trabalho, muitas reuniões, muitas pesquisas, muita leitura, mas fomentado por uma partilha e aprendizagem que me levam a querer continuar a fazer mais e melhor.

 

O que lhe dá mais prazer no seu trabalho?

O facto de a edição de livros técnicos permitir lançar-me em áreas temáticas completamente distintas e interessantes. Tão depressa estou a analisar um original de ciências sociais, como estou a tentar estruturar um livro de uma linguagem de programação. Esta aprendizagem constante e a procura permanente de novas áreas do saber e suas tendências, bem como inteirar-me dos últimos desenvolvimentos tecnológicos, tornam o meu trabalho um prazer, sendo um privilégio contactar com os profissionais de topo que compõem o nosso painel de autores.

 

Qual é o livro da sua vida e porquê?

Terra Sonâmbula, de Mia Couto.

 

Para mim, é um verdadeiro hino à vida, à esperança, ao sonho, ao futuro. Duas personagens que representam dois mundos tão separados da mesma terra sonâmbula marcada pela guerra: o passado e o futuro. Um velho e um menino encontram, num machimbombo queimado, cadernos manuscritos, que são lidos pelo menino, como se de um contador de estórias da velha África se tratasse. E, num conjunto de estórias dentro da estória, encontram o seu caminho, a sua identidade. E a esperança renasce dentro dos seus corações.

 

Um livro que me marcou quando o li pela primeira vez em 1997 e que, de forma emocionada, me veio à lembrança, quando, há pouco tempo, a minha filha me disse: «Mamã, já sei ler! A minha vida vai mudar para sempre.»

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Qua, 5/Fev/14
Qua, 5/Fev/14
© Madalena Escourido

 

Madalena Escourido é a terceira entrevistada da rubrica «BI da Edição». A assistente editorial no Departamento de Novos Autores Portugueses do grupo LeYa afirma que o afeto pelos livros a prendeu «voluntariamente» à edição, depois de um mestrado em Edição de Texto. Ainda tentou ser professora, mas sente-se privilegiada por pertencer a este meio. Aos 28 anos, seis deles na edição, gosta de «trabalhar na sombra», onde há «problemas menos complicados» e se conhecem «personagens interessantes».

 

Há quantos anos trabalha em edição?

Há cerca de 6 anos (quase 4 na Leya e, antes disso, 2 na QuidNovi).

 

Onde começou a trabalhar em edição?

Depois do mestrado, o Rui Zink (meu orientador na aventura) propôs-me estagiar na QuidNovi, uma pequena editora onde fiquei a trabalhar por algum tempo. Vim mais tarde trabalhar para o grupo Leya com a Maria do Rosário Pedreira.

 

O que a levou a ingressar na edição de livros?

Já não conseguir (nem querer) controlar mais o meu gosto pelo objeto/ideia livro e pela possibilidade de fazer parte do processo de dar a ler. E as pessoas dos livros, essas, fascinam-me e justificam algumas dores de cabeça. Depois, ter tarefas concretas de que gosto muito e sentir-me privilegiada por poder levantar-me de manhã e ter tudo isto à minha espera.

 

Em que consiste a sua função? Como é o seu dia-a-dia?

Sou assistente de uma editora especial, a Maria do Rosário Pedreira. A função desta equipa de duas é receber originais (de todos os lados, por correio, mail, conhecidos e desconhecidos, nem imaginam a confusão e a quantidade), lê-los (alguns só em parte porque não se justifica avançar e passo ao seguinte) com o objetivo de encontrar algo que valha a pena publicar e ir assim descobrindo novos autores portugueses. É uma tarefa morosa e demora bastante a dar frutos, às vezes lê-se 300 páginas (vezes 300 originais) e, apesar de não estar mal escrito, não há ali nada que crie apego no leitor, temos de ponderar muita coisa. Faço essa triagem inicial.

 

Depois disso, há trabalho com os autores que demonstraram potencial: comentários, anotações, sugestões (este trabalho é da Rosário, tenho aprendido muito ao observá-la). E, a seguir, a produção do livro – que coordeno desde a preparação do original para paginação, a revisão das provas, etc. Muitas vezes é ainda fundamental o acompanhamento do livro e do autor, para que não se percam no mar de novidades: agendar sessões, gerir páginas de Facebook, por exemplo, enviar exemplares para concorrer a prémios literários, fazer a ponte com agentes internacionais e outros. Também há alguns afazeres burocráticos e necessários, faz parte. Acompanho o processo desde o início (o texto que alguém escreveu e propôs publicar) até quase à chegada do livro às mãos do leitor (é uma visão um pouco ingénua mas acredito nisso).

 

Eu e a Rosário dividimos tarefas e comunicamos muito bem, e fazemos os possíveis para que aquilo que descobrimos como primeiras-leitoras possa chegar ao maior número de pessoas possível. Depois há ainda os autores que já trabalham connosco há mais livros e que publicam com regularidade, é fundamental continuar a trabalhar com o mesmo rigor e dedicação com eles. No nosso dia a dia temos de tentar equilibrar as duas tarefas, ainda que nos incomode termos consciência de que temos pessoas à espera da nossa resposta, contrabalançamos isso com o compromisso de que vamos ler e responder a tudo, mesmo que demore tempo.

 

O que lhe dá mais prazer no seu trabalho?

Ler livros. É tão simples quanto isso: ler os originais, as várias versões e perceber o crescimento do livro, reler as últimas provas e ficar satisfeita com o resultado final. E conhecer as pessoas, a edição é feita de e por gente e não nos devemos esquecer disso – claro que estamos cá para editar livros, mas este é um objeto muito particular.

 

Qual é o livro da sua vida e porquê?

Irritam-me perguntas com limites e não me consigo comprometer com um só (esqueci-me de dizer acima que tenho mau-feitio). Gosto de ficção, de livros sobre livros, de livros que sejam um jogo e um desafio para o leitor, encanto-me com livros infantis ilustrados e até os coleciono.

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Qua, 6/Nov/13
Qua, 6/Nov/13
© Guilherme Pires

 

O segundo entrevistado da rubrica «BI da Edição» é Guilherme Pires. Nascido em 1982, em Castelo Branco, é licenciado em Ciências da Comunicação. Foi jornalista, mas é agora editor da Vogais, a chancela de não-ficção da 20|20 Editora.


Há quantos anos trabalha em edição?
Trabalho em edição desde 2008. Há quase seis anos, portanto.


Onde começou a trabalhar em edição?
Comecei por trabalhar na Media XXI, uma pequeníssima editora dedicada a projetos oriundos do meio académico. Isto aconteceu entre 2008 e 2010. Depois surgiu a 20|20 Editora (através da Booksmile, primeira chancela da casa), onde permaneço.


O que o levou a ingressar na edição de livros?
Cheguei à edição através de um remoinho de sorte, paixão e circunstância. Comecei por ser jornalista, durante 18 meses (licenciei-me em Ciências de Comunicação), mas um convite da Media XXI fez-me mudar de rumo: trabalhando inicialmente no departamento de investigação, em projetos de colaboração com o meio académico, dois anos depois sentei-me ao volante do departamento de edição, modesto, da empresa. O então editor decidira sair e, porque eu já intervinha nessa área e havia feito formação em revisão e gestão de projetos editoriais, o diretor da empresa propôs-me esse desafio. Andava sempre com livros debaixo dos braços; aceitei de imediato e passei a produzi-los, ainda sem saber o que me esperava. Foi uma decisão bem-aventurada.


Em que consiste a sua função? Como é o seu dia a dia?
Sou editor da Vogais, a chancela de não-ficção da editora. Faço pesquisa, avaliação, estudo financeiro e contratação de livros, convites a autores, análise e editoração de manuscritos originais, coordeno a edição dos livros que contrato (traduções, revisões, capas, o processo normal), e apoio a produção dos livros das outras chancelas, quando necessário.

Tento organizar o dia de trabalho dividindo-o por partes, concentrando-me numa destas tarefas. Mas os planos nem sempre correspondem à prática — o que é normal nesta profissão, dado que o processo não é estanque. Enquanto pesquiso por determinados livros podem surgir ozalides de gráficas que requerem atenção imediata; enquanto analiso uma proposta de capa pode tocar o telefone, no qual um autor espera, ansiosamente, por um editor; enquanto cotejo uma prova um dos meus colegas toca-me no ombro, pois é necessário reunir a propósito de um qualquer assunto urgente; e assim sucessivamente.

Caótico ou feito de linhas paralelas, não interessa; a meu ver, em edição cada dia é sempre um desafio maravilhoso.


O que lhe dá mais prazer no seu trabalho?

É, talvez, a dedicação intelectual que os livros exigem, seja na leitura de um manuscrito, na criação de um registo comercial, conciso e claro para as sinopses e títulos, na escrita do briefing para as capas, na pesquisa de potenciais reforços para o catálogo e no estudo da sua rentabilidade e exequibilidade — e a partilha necessária, claro está, com os colegas editores com quem trabalho.

Qual é o livro da sua vida e porquê?

Não existe. Hoje releio, ainda, Jakob von Gunten, de Robert Walser, pelo que me faz imaginar a propósito das minudências da vida, dos pormenores irrelevantes, das coisas pequenas. Com o instituto Benjamenta aprendi a permanecer modesto perante os abismos. Mas quando tinha sete anos o livro que relia era Pedro e o Palhaço, cujo autor e história já não recordo (sei que tinha capa dura e guardas encarnadas); e dentro de alguns anos será outro livro, outro autor, ou talvez nenhum.

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Qua, 9/Out/13
Qua, 9/Out/13

A partir de hoje, o Blogtailors inaugura a rubrica mensal «BI da Edição», na qual traçaremos o percurso de diferentes profissionais das mais diversas áreas que compõem o mundo da edição nacional. Daremos a conhecer alguns dos rostos dos bastidores da edição cujo trabalho, embora possa passar despercebido aos olhos do público, contribui diariamente para que os livros cheguem às mãos dos leitores.

 

© Maria Luís Rodrigues

 

A primeira entrevistada a aceitar o nosso convite foi Maria Luís Rodrigues, diretora de Comunicação e Marketing da editora Objectiva. Com 39 anos, trabalha há oito em edição. E, embora não acredite em acasos, admite que foi por meio de um que começou a trabalhar com livros.


Há quantos anos trabalha em edição?

Trabalho na área da edição desde dezembro de 2005.


Onde começou a trabalhar em edição?

Comecei a trabalhar na Texto Editores, na área do marketing escolar. Era responsável pela organização da campanha de apresentação dos manuais escolares aos professores. Esta campanha durava cerca de dois meses, durante os quais várias equipas de gestores de marketing e editores de manuais escolares andavam pelo país a apresentar os manuais escolares, das várias disciplinas, aos professores.


O que a levou a ingressar na edição de livros?

Acredito que nada acontece por acaso. Mas a minha entrada nesta área foi um mero acaso, que rapidamente se transformou em paixão. Estava um pouco descontente com o meu trabalho, na altura, e enviei o meu CV para uma empresa de recrutamento, com o objectivo de encontrar um novo emprego. Chamaram-me para uma entrevista, para traçar perfil, e no final dessa entrevista disseram-me que gostariam de me propor para uma função. Depois de várias entrevistas, fui contratada para a função de gestora de marketing da área escolar. Não tinha experiência nenhuma, mas apostaram em mim. E o certo é que, passados quase oito anos, não me imagino a trabalhar noutra área que não a dos livros.


Em que consiste a sua função? Como é o seu dia a dia?

A minha função é promover, junto dos jornalistas e do público em geral, os livros publicados pela editora. O meu dia a dia normalmente é bastante corrido, é raríssimo ter um dia calmo. Começo por ver o clipping de notícias da Objectiva e de outras editoras. É importante estar a par dos artigos que saem e dos livros que são publicados. Vejo também o Facebook da Objectiva e alguns blogues de livros. Respondo a e-mails, faço comunicados de imprensa, contacto jornalistas, colaboro com o meu colega, o director comercial, nas campanhas nas lojas, etc. Tenho sempre mil e um assuntos para tratar. Nenhum dia é igual ao outro.

 

O que lhe dá mais prazer no seu trabalho?

O contacto com os livros, os autores e os jornalistas. Este constante corrupio e as mais variadas pessoas com quem lido diariamente fazem com que o meu trabalho seja muito interessante e motivante, principalmente a nível intelectual.


Qual é o livro da sua vida e porquê?

A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón. Porque toda a ação se passa numa cidade que adoro, Barcelona, e porque fala da paixão pelos livros. Quando o li, senti que estava em Barcelona, em 1945, e que eu poderia ser o Daniel Sempere. É um livro que já reli e continua a surpreender-me.

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