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Blogtailors - o blogue da edição

Opinião: «Pela última vez sobre a superfície lunar da terra», por Luís Filipe Cristóvão

03.05.10
N. E.: texto publicado originalmente no blogue o homem que queria ser luís filipe cristóvão.

«PELA ÚLTIMA VEZ SOBRE A SUPERFÍCIE LUNAR DA TERRA» (*),
por Luís Filipe Cristóvão (**)

António Guerreiro lê Um Toldo Vermelho e premeia-o com cinco estrelas expressas — o que seria de nós, os que se interessam por poesia, se não comprar o Expresso fosse uma opção. Cinco estrelas e uma frase final que merece ser repetida: «a poesia anterior de Joaquim Manuel Magalhães continua disponível e serve-nos de vingança. É a guerra.»

Peguemos por aqui: Guerreiro, talvez imbuído pela analogia ao seu nome, mantém acesa a declaração de guerra que Magalhães sempre preconizou para a poesia, uma guerra em que se quer pensar que existe uma poesia certa e uma errada ou, de uma forma ainda mais radical, que a poesia é isto e nunca aquilo. Mantém-se acesa essa declaração de guerra como no Resumo onde, por 4 euros, somos levados a pensar que a poesia portuguesa são 35 nomes, seleccionados de 30 publicações, as quatro mais representadas com números de apenas duas revistas. A declaração de guerra de se pensar que toda a poesia é apenas uma casa, uma visão do mundo, por mais sufocante que ela ameace ficar, tão impermeável a leituras externas parece. Mantém-se acesa essa declaração de guerra, de pensar que a poesia é um feudo, um território por conquistar, pior, a poesia portuguesa é um recinto, onde o direito à exposição, à elaboração de gerações, de princípios e de causas comuns cabe apenas aos iluminados. A guerra de quem está dentro, dentro está, sem convites, sem aparições.

Caro Guerreiro, a guerra não é essa. A guerra não é contra os poetas, contra os leitores, contra os livros. A guerra é a convivência com a palavra. A guerra é a leitura aberta, sincera e desejosa desse choque que promove a reflexão, a reprodução inventiva. A guerra é a tradição e a impossibilidade segura da sua compreensão total. A guerra é lermos e lermos e sentirmos, ainda assim, que a nossa sensação perante o acontecimento poético vai diferindo, passo a passo. A guerra não é matar o passado — é saber vivê-lo e continuar a produzir sem a ele estarmos presos.

Recuso toda a guerra que não seja uma guerra pela vitória da poesia. Recuso toda a guerra que não seja pela abertura do campo de visão, do sonho, da literatura. Recuso as vossas repetidas declarações de guerra, também. Reivindico a soberania da palavra. Reivindico a soberania do diálogo. Reivindico a soberania da beleza. Reivindico a possibilidade da paz para enfrentar o verdadeiro combate. Tudo o resto é desgaste inconsequente. Nada mais.

(*) Título retirado do poema «Praia do Amanhã», de Manuel de Freitas, no livro terra sem coroa.
(**) Luís Filipe Cristóvão (Torres Vedras, 1979) é editor e programador cultural. Autor de vários livros de poesia, mantém o blogue o homem que queria ser luís filipe cristóvão.
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A não perder hoje, na Feira do Livro de Lisboa 2010

02.05.10
11h00
Auditório APEL
Exposição «Comemoração do Centenário da República»

Palco Central
Saxofones Pedagógicos, 4teto de saxofones. Pedro e o Lobo (público infantil/juvenil)

11h30
Espaço Bibliotecas Municipais de Lisboa
Histórias com cheiros. É com os 5 sentidos que conhecemos o mundo e as coisas. Nesta actividade vamos explorar a audição, a visão e o paladar. Para quê? Adivinha.

Espaço EDP
Música e Canto

12h00
Espaço Bibliotecas Municipais de Lisboa
Flor do Meio-dia, Uma flor não nasce de repente. Lançamos a sementinha, regamos e aguardamos. Enquanto isso inventamos a flor por nascer, recorrendo a tintas e pincéis…

15h00
Palco Central
Saxofones Pedagógicos, 4teto de saxofones. Pedro e o Lobo (público infantil/juvenil)

16h00
Praça Azul
Lançamento da obra Monstro, de Catarina Araújo. Presença da autora e da editora Ana Maria Pereirinha.

17h00
Praça Amarela
Leitura do poema «Eu, o Povo» de Mutimati Barnabé João / João Grabato Dias pelo actor e encenador Fernando Mora Ramos (Teatro da Rainha).

17h30
Auditório APEL
«Livros Infantis.»
Moderador: Luís Caetano

20h30
Auditório
Espaço Audiovisual e Multimédia «Comemoração do Centenário da República»

Feira do Livro de Lisboa 2010: «Livros Infantis»

01.05.10
Domingo, dia 2 de Maio, das 17h30 às 19h00, no Auditório da Feira do Livro de Lisboa (Parque Eduardo VII)

Moderação de Luís Caetano
Jornalista da RDP Antena 2, responsável pelos programas A Força das Coisas, Um Certo Olhare Última Edição, galardoado em 2006 com o Prémio Farenheit 451 por melhor divulgação de livros na Rádio, e em 2009 com o Prémio Especial Jornalista de Edição LER/Booktailors.
Jornalista residente do programa Câmara Clara, e apresentador do Diário Câmara Clara, na RTP.

Convidados:
Alice Vieira
Escritora e jornalista, dirigiu suplementos infantis no Diário de Notícias e participou em programas de televisão dedicados ao tema. Com trinta anos de carreira e mais de 40 livros, tem obras publicadas em vários países do mundo, e viu o seu trabalho galardoado com o Prémio de Literatura Infantil do Ano Internacional da Criança (1979), e duas vezes com o Prémio Calouste Gulbenkian (1983 e 1984).

José Jorge Letria
Jornalista, poeta, dramaturgo, ficcionista e autor, colaborou com os jornais A República, Diário de Notícias, O Diário e Jornal de Letras, assim como correspondente da revista Delibros, em Espanha. Autor de programas de rádio e televisão, nomeadamente fazendo parte da equipa criativa da Rua Sésamo. Com várias dezenas de livros publicados, tem obras publicadas em vários países do mundo, e viu o seu trabalho galardoado por duas vezes com o Grande Prémio APE e com o Prémio Internacional UNESCO, entre vários outros. Desde 2003 que pertence à direcção da Sociedade Portuguesa de Autores.

Carla Maia de Almeida
Jornalista e escritora, colabora com o Notícias Magazine, do Diário de Notícias. É autora de livros infantis pela Editorial Caminho.

Afonso Cruz
Realizador de filmes da animação desde 1991, é também ilustrador e autor de livros infantis, para além de músico com a banda Soaked Lambs. Produz a sua própria cerveja e usa chapéu.

A não perder hoje, na Feira do Livro de Lisboa 2010

01.05.10
11h00
Auditório APEL
Exposição «Comemoração do Centenário da República»

11h30
Praça Verde
Música e Canto

11h30
Espaço Bibliotecas Municipais de Lisboa
Histórias com cheiros. É com os 5 sentidos que conhecemos o mundo e as coisas. Nesta actividade vamos explorar a audição, a visão e o paladar. Para quê? Adivinha.

14h30
Praça Verde
Lençóis de Histórias. Do ouvido para a cabeça uma história que não esqueça, a ser pintada num lençol de nada. Cada família terá um cenário, três personagens e um objecto mágico, elementos necessários à construção de histórias.

15h00
Espaço Bibliotecas Municipais de Lisboa
Itinerário Infanto-Juvenil. Vamos visitar a Feira do Livro e «olhar os livros com olhos de ver»

16h00
Praça Verde
Vem ao teatro com a Princesa Poppy.

16h00
Espaço EDP
Apresentação do livro Portugal e o Quinto Império por Cumprir, Rui Fonseca

16h00
Praça Amarela
Artistas Unidos: leitura de excertos do último romance de Hélia Correia. Com a presença da autora.

16h30
Auditório APEL
Desflorar da Flor de Sal
, de Carlos Amaral.

18h30
Auditório APEL
«Os Melhores Livros do Ano.»
Moderador: José Mário Silva

20h30
Auditório
Espaço Audiovisual e Multimédia «Comemoração do Centenário da República»

21h15
Palco Central
Franco Chirife & The Cuban Jazz Quartet (latin Jazz/salsa)

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