Booktailors
info@booktailors.com

Travessa das Pedras Negras

N.º 1, 3.º Dto.

1100-404 Lisboa
(+351) 213 461 266

Facebook Booktailors
Twitter Booktailors

FourSquare Booktailors



Facebook Bookoffice


Editoras Nacionais
Livrarias Nacionais
Livrarias on-line
Editoras Brasileiras
Imprensa Brasileira
Blogosfera Brasileira
Eventos no Brasil
Imprensa Internacional

Associações e Institutos de Investigação
Feiras internacionais
Qui, 27/Set/07
Qui, 27/Set/07
Apesar de sabido só agora se tornou definitivo, firmado e confirmado.

A Caminho já é propriedade do Grupo Paes do Amaral.

por Booktailors às 09:59 | comentar | partilhar

10 comentários:
De Anónimo a 09 de Outubro de 2007 às 20:19
Já agora fiquem também com estas informações adicionais: desde 3 de Setembro que o «Grupo Pais do Amaral» assumiu a gerência das Edições ASA, que está a agora a passar por um proceso de «downseizing» e cujas instalações a partir de 1 de Novembro passarão a ser as mesmas da Gailivro, entretanto também já comprada.
Consta-se que o mesmo grupo quer agora comprar as edições Nova Gaia, já desistiu de comprar a editora Plátano/Didáctica e, em Agosto, a Figueirinhas recusou a proposta feita para a sua compra pelo mesmo grupo. Só um fait-divers, cuja veracidade não posso garantir, mas que é bem verossímil: terá sido revelado ao dono da Figueirinhas que a estratégia deste grupo é de vender este conjunto de empresas à Prisa que, como se sabe, é a dona da Santillana, editora escolar que está a tentar há bastante tempo implantar-se no mercado editorial português.


De Booktailors - Consultores Editoriais a 10 de Outubro de 2007 às 09:48
Muito obrigado pelas informações.

Já tínhamos conhecimento de algumas delas mas não de todas, nomeadamente a história da Figueirinhas.

Em relação à Prisa/Santillana foi a nossa primeira suspeita desde o momento em que foi anunciada a entrada de Paes do Amaral (como pode confirmar num post da Extratexto, onde se afirma exactamente isso).

O downsizing era inevitável, trata-se de racionalizar para tornar a empresa medianamente eficiente, só é pena que nestas alturas muita gente ligada às actividades não editoriais acabe por se tornar redundante e seja despedida.


De Anónimo a 10 de Outubro de 2007 às 11:18
E já agora deixo-vos mais esta informação (que de resto já anda a circular por aí): o Américo Areal (ex-patrão das Edições ASA) vai agora investir na distribuição, planeando investir na abertura de duas «mega» livrarias, uma em Lisboa e outra no Porto (precisamente por isso, as Livrarias e o armazém, além de alguns serviços, não foram incluídos na venda da editora). E uma questão: num mercado tão concorrencial e maduro como o da distribuição editorial em Portugal (Fnac, Bertrand, Bulhosa...) quais serão as hipóteses do investimento ser bem sucedido?


De Booktailors - Consultores Editoriais a 10 de Outubro de 2007 às 11:56
Sim, recordo-me de ter sido anunciado que o Américo Areal iria apostar no retalho.

Em relação às hipóteses de ser bem sucedido, é uma pergunta difícil de responder.

Se o mercado tem evoluído é, em grande medida, pela renovação e maior capacidade do retalho que, nos últimos anos, deu um grande salto. O processo de renovação ainda continua, o que significa que nos próximos tempos vai haver ainda forte crescimento e cristalização do mainstream (para grupos de classes diferentes e necessidades diferenciadas, assim como nos mercados menos desenvolvidos, como as cidades intermédias, agora com vida universitária e alguma dimensão cultural).
O que me espanta é ele optar pelo modelo de mega-store, que lhe dará pouca flexibilidade para implantar modelos novos.

Dá-me ideia que só resultará se ele optar por um posicionamento de alguma inovação neste mercado, pois há forte concorrência e os valores de marca passarão a ser primordiais na selecção do cliente.

Por um lado, a diferenciação por preço é impossível em Portugal e mesmo que o fosse, os sites e webpages como a Webboom têm clara vantagem, por isso - e seguindo as experiências lá de fora - só vejo futuro se ele optar por mega-stores de gift-books, com serviços semelhantes à loja B&N de Manhattan.
Mas tenho ideia que o nosso mercado não tem dimensão para isso, e se resultar será com um espaço médio na baixa de Lisboa.


De Anónimo a 10 de Outubro de 2007 às 13:08
Espaço médio não, ele já comprou, e mantém, um espaço bem grande nas Amoreiras, que é o que resta da malograda experiência da Bliss (em parceria com a Singer e o café de João Pedro Ramos). Suponho que seja aí que, em Lisboa, vá tentar recuperar o projecto da livraria.


De Booktailors - Consultores Editoriais a 10 de Outubro de 2007 às 13:29
Julguei que ele se tivesse retirado por completo desse negócio - aliás, bastante estranho em vários pontos de vista.

Com que então, ele manteve o espaço das Amoreiras e irá utilizá-lo para o projecto livreiro?
Confesso que tenho dado pouca atenção a este projecto, talvez por não ter grandes expectativas em relação aos resultados dele.

Apesar de tudo, Amoreiras não é um mau local para uma gift-shop de livros. Como em tudo, depende dos serviços associados que ele oferecer, como a capacidade de compra por Internet, e entrega imediata do livro com embrulho no raio de 50 quilómetros, por exemplo.


De Anónimo a 10 de Outubro de 2007 às 15:34
O negócio da Bliss nem sequer chegou a ter a duração de um semestre. Ao que consta por a Singer não ter honrado os seus compromissos em termos de pagamentos (deviam usar as tais «anacrónicas letras reformáveis»), o que se tornou absolutamente imcomportável para a ASA que é uma editora financeiramente muito frágil e com graves problemas de liquidez, que, por ironia, a tem tornado também muito má pagadora dos seus fornecedores.
Pode ser que com o dinheiro fresco do Paes do Amaral... Aliás, uma das grandes pechas da ASA tem sido a sua má gestão. Má no sentido de pouco realista. Esperava-se muito dos leitores-consumidores, investia-se muito nesse sentido, e gizavam-se muito poucas estratégias (de marketing e etc...) para capitalizar o mais possível o potencial dos vários nichos de mercado. Tanto quanto que me é dado a perceber, na minha modesta opinião. Mas já se sabe que este é um sector muito conduzido a «olhómetro».

Por outro lado, estima-se cerca de 40% da facturação da ASA advém do escolar, que é um investimento muito caro, com concorrentes de peso (Porto Editora e, até há pouco tempo, a Texto Editora) e que nos últimos tempos tem tido bastantes contratempos com as reformas que o governo tem feito ao nível da comercialização dos manuais escolares, em sentido estrito, que é basicamente o essencial que a ASA oferece em termos de produção escolar (ao contrário da Porto Editora que, tendo uma oferta muito mais diversificada, sobretudo em termos de multimédia escolar, está mais protegida a estas conjunturas menos favoráveis). O que tem adiado o retorno dos investimentos feitos. Além do mais, depois do susto que apanhou em 93-94, que quase a levou à falência, com o investimento na produção escolar para os PALOP, a ASA retirou-se deste mercado até (onde permanecem a Porto e a Texto editoras) que nos últimos anos tem sido uma fonte pingue de rendimentos que, segundo me disse um director editorial de produção escolar, são de «montantes inimagináveis». E ainda só se investe no primeiro ciclo, sobretudo em Angola e Moçambique, que são os mercados mais apetecíveis, e onde já se começam a implanmtar algumas multinacionais, como a Pearson.

Por isso, um dos aspectos claramente positivos para a compra da ASA é o facto de isso vir a dotar a editora de uma gestão mais profissional (basta referir que a administração da ASA e uma percentagem importante dos seus quadros directores tinham laços de parentesco familiar entre si), podendo vir a torná-la mais rentável e eficiente.
A outra vantagem poderá advir de um aumento de investimento que o novo grupo em gestação venha a fazer. O que, na minha opinião, será pouco provável ou pouco significativos. É minha convicção que o fundo de investimento que está por detrás destas aquisições (a holding Quifel) tem como único objectivo preparar um «pacote» de empresas editoriais e reestruturá-las para as vender à Prisa, grupo com quem Paes do Amaral tem relações privilegiadas, como se sabe.

Um dos aspectos negativos que para mim tem (ou pode vir a ter), quer como leitor, quer como editorial, tem que ver com o acentuar da concentração do sector. Como editorial porque a oferta de empregos na área editorial se pode vir a reduzir (não acredito que só vá afectar, como dizem mais acima, «gente ligada às actividades não editoriais») por efeito da potenciação de sinergias (confesso que detesto este eufemismo para despedimentos colectivos).
Como leitor, as preocupações com estas concentrações (que é consabidamente um fenómeno global do sector da edição), e com a predominância de objectivos financeiros que as comandam, prendem-se com a redução das possibilidades de surgirem novos autores. Porque são editoras que vão apostar no que lhes garante retornos e o mais rapidamente possível. Evidentemente que a acontecer, isto iria dar mais espaço às pequenas editoras para melhor explorarem os nicho de mercado desse modo abandonados pelos grandes grupos. Mas até lá, quanto não se poderá vir a perder em termos de valores literários? Isto partindo do pressuposto que toda esta concentração e o peso concorrencial que ela acarreta para essas pequenas editoras não seja desencorajador para o aparecimento de novos e inovadores projectos editoriais.

Enfim, nada está perdido, mas vai exigir muito em termos de inovação e imaginação aos editores (o que, confesso, para mim, enquanto jovem editorial, acabado de chegar ao meio e ainda numa fase inicial de aprendizagem, funciona como um estímulo e como um factor de motivação, mais do que preocupação, não deixando esta de existir, obviamente).
Segura, para mim, parece ser uma única coisa no mundo editorial português para os próximos anos: vamos passar por tempos muito interessantes e aqui a história está muito longe de estar acabada (se é que em algum sítio alguma vez esteve ou venha a estar).

Deixem só aqui deixar mais uma preocupação, que precisamente vocês já deixaram expressa no Extratexto: temo que, apesar de todas estas incertezas, o interesse e a suculência do mercado editorial português (que vale 530 milhões de euros, segundo vocês calcularam na entrevista à Antena 1) acabe por suscitar o interesse dos grandes grupos internacionais e as editoras portuguesas acabem por se tornar uma minoria no nosso próprio mercado. Já assim aconteceu com a distribuição.
Não acham que é um risco real para a produção editorial portuguesa?


De Booktailors - Consultores Editoriais a 10 de Outubro de 2007 às 16:54
Faço das minhas as suas palavras, pois concordo com praticamente tudo o que diz.

Em primeiro lugar, sim, a fragilidade da ASA é quase histórica e deu azo a episódios burlescos como o corte da electricidade no ano passado. As questões da gestão da ASA eram também conhecidas, com um dep. financeiro cuja função Big Brother parecia ser tirado dos anos 1930.
Por um lado, é crónico do sector e não só da Asa a questão da falta de profissionalismo na gestão, a estrutura familiar e concentrada dos processos de decisão e a falta de shareholders a sério a quem prestar contas e apresentar resultados e crescimentos.

Por outro lado, não me pareceu tanto uma confiança imensa no mercado mainstream, mas mais uma fuga para a frente, uma tentativa de investir em produtos de Top e em ocupação de mercado (que mais não seja com imprints que davam maior capacidade negocial em todo o espectro do retalho) de forma a garantir uma posição mais sustentável a médio prazo e não ser corrido a falta de liquidez.
A velha história de «se deves mil, estás feito, se deves uma milhão, alguém está feito».
Poder-se-ia dizer que resultou, pois foram vendidos, mas o índice que o Paes do Amaral está a usar no processo de compra assenta numa verificação rigorosa de passivos e no «desinchar do porco» da estratégia anterior, por isso acho que Américo Areal livrou-se de muitas chatices mas não terá conseguido um negócio da China.
Em relação à diversificação, sim a crise dos Palops assustou muita gente, mas a verdade é que até a Texto e a Porto estão a diversificar para a edição comercial, mesmo sabendo-se do negócio de África (aliás, motivo primeiro para a entrada de Paes do Amaral, sendo depois seguida, provavelmente, da venda a líquido da estrutura já eficiente).
Não me parece é que seja para breve, senão a Santillana teria «oferecido» a sua endividada editora a Paes do Amaral, pois já não lhes adiantava manter aquela estrutura prazo.

Em termos de despedimentos colectivos, já são conhecidos, a Caminho é um caso até curioso, onde muitos nem se importam com as voltas que a editora deu e até se congratulam com uma saída mais vantajosa.
Que os editoriais irão sofrer com este processo? É natural que alguns sofram, mas a falta de formação e informação é tão elevada neste sector que pessoas como você não terão qualquer problema, garanto-lhe.
Acho que fará parte do processo, existem também muitos editoriais pouco capacitados (como de certeza saberá), com ópticas pouco adaptadas aos novos tempos, e é natural que haja uma selecção natural.

Vai ser um tempo novo e a imaginação e capacidade de inovação terá de surgir, assim como terão de abrir-se os olhos e pensar em valores de marca, em criação e gestão de conteúdos, em aproveitar os recursos que actualmente são jogados para o lixo.
Este mercado ainda tem muito para dar e Portugal está bastante atrasado e tem demasiado caminho a percorrer para não ser extremamente aliciante ser jovem e estar neste sector.

Novos projecto, novos autores. Enfim, é sempre uma questão que é difícil responder. Os meios actuais começam a desviar um pouco esse «serviço», a própria Internet e meios sociais permite que os valores se descubram com maior capacidade, a questão são os valores subjacente ao acto de publicar, que passarão a reger-se (inclusive para os autores) por questões financeiras. Como aliás acontece já em vários países.

Em relação à questão final, 530 milhões serão aliciantes para os grupos internacionais?
Dinheiro é dinheiro e é óbvio que elas já estão e continuarão a vir para cá.
O nosso mercado afinal revela-se interessante para algumas coisas (os Palops e o mercado escolar, por exemplo) e ele mesmo tem alguma capacidade de crescer, o que pode ser uma mais-valia. Mas será um risco para a produção nacional?
Responda-me a uma coisa: que produção nacional? Quase tudo o que se publica no mercado comercial (de maior valor) é importado, não tem quase valorização nenhuma no nosso país, não detemos os direitos reais dos produtos, etc.
Alguns deles são até por co-produção, impressos na Tailândia, Singapura ou aqui ao lado, em Espanha.
É verdade que os grupos internacionais irão ver Portugal como um mercado de consumo dos seus produtos (maus hábitos...) e dificilmente farão scout por cá, no máximo irão digerir a nossa cultura numa versão fast-food internacional para estrangeiro ler.
Mas isso é mais do que actualmente se faz por cá.
Devemos é, talvez, começar por aí e criar valor.


De Anónimo a 10 de Outubro de 2007 às 21:05
Caríssimos,
não resisto a fazer mais algumas considerações suscitadas pelo vosso post anterior.

Primeiro, para acrescentar mais um ou outro episódio anedótico sobre a forma como decorre o governo de algumas editoras. Não é com intenção de fazer um exercício fútil de má-língua, mas só para ajudar mais a perceber de que forma se gerem muitas editoras que andam por aí. Por exemplo, soube que a situação financeira da ASA no último ano chegou ao ponto de não haver dinheiro para pagar papel para imprimir as provas de revisão ou para comprar tinteiros para as impressoras poderem funcionar; mas simultaneamente, estavam a pagar-se somas consideráveis de dinheiro para os elementos do seu departamento de marketing irem passar fins-de-semana em hotéis de cinco estrelas e em dispendiosos programas de desportos radicais para alegadamente desenvolverem nesses elementos as designadas soft skills (motivação, espírito de equipa, …).
Mas situações igualmente risíveis acontecem em empresas financeiramente robustas. Como é o caso de uma outra editora fortemente implantada no mercado escolar (vou optar por não referir qual), onde um conhecido meu que lá trabalhou me contou que todos os anos é subtraído o valor de um euro no salário de todos os seus trabalhadores (editoriais e não-editoriais) no mês em que a viúva do fundador da editora comemora o seu aniversário para que lhe seja oferecido um ramo de rosas em nome dos trabalhadores, sem que a esses seja pedida qualquer autorização para tal. Por mais adorável que a senhora possa ser, penso que é condenável o comportamento da administração, além de ilegal.
Nessa mesma editora está afixado um aviso à entrada em que os trabalhadores são «convidados» a racionarem o uso do papel higiénico, além de lhes serem rigorosamente controladas as idas às casas de banho.

Eu sei que esse tipo de episódios não são muito relevantes para este blog, que visa essencialmente que se fale em livros e sobre o que se publica em Portugal e fora de Portugal. Mas a verdade é que os livros e a sua qualidade são indissociáveis das estruturas onde são produzidos e, apesar de estar por cá há pouco tempo, tenho para mim que este tipo de situações e de gestão são mais comuns do que se pensa.

Em relação aos despedimentos colectivos, no caso da Texto e da ASA temo que vá haver uma selecção natural muito grande, uma vez que são estruturas pesadíssimas. Só para terem uma ideia do quanto o são: sabe-se que cerca de 80% das editoras de todo o mundo têm em média cerca de 20 trabalhadores [(ver Jorge Manuel Martins (2005), Profissões do Livro. Não consigo neste momento identificar em que página em concreto)]. Ora, sei que a Texto em actualmente cerca de 380 trabalhadores e a ASA tem cerca de 230-240. Sendo certo que uma parte substancial destes recursos são não editoriais, podemos imaginar o que vai acontecer. E a reconversão destas estruturas vai ser caríssima. É fácil imaginar que muitos dos recursos que se vão tornar excedentários (é como Nélson de Matos diz, com todas estas fusões não vão continuar a existir dois directores financeiros, dois directores comerciais…) e muitos dos recursos que já se tornaram obsoletos se tratam de pessoas que trabalham há bastantes anos nessas editoras (era uma coisa interessante saber qual a média de tempo de permanência de um colaborador numa editora, em Portugal) e terão todas que receber indemnizações para serem despedidas. Quanto sobrará para manter e/ou recrutar as pessoas melhor qualificadas? E como uma indústria cultural tem um tempo de retorno maior que a média, se estas operações de fusões tiverem estes custos à partida, quando é que começam a ser rentáveis? Decerto que tudo é planeado por quem compra, mas não deixam de ser questões intrigantes para quem assiste de «fora» da perspectiva da gestão, e que tenta perceber quais os projectos, as estratégias e os objectivos em jogo.

Quanto às consequências que tudo isto terá para os editoriais, diz que «pessoas como eu» não se terão que preocupar. Se trabalhasse na cidade do Porto, onde a oferta de emprego no sector é mais reduzida, ficava tranquilo?

Quanto à produção editorial nacional, tem razão. Não fui claro. Referia-me em sentido lato, a tudo o que se produz e se vende em termos de livros em português (traduções incluídas). Obviamente que se nos referirmos à produção nacional enquanto livros escritos em português por portugueses, estamos a falar de um quadro que sempre foi triste. O mercado português sempre foi muito pouco estimulante para o nascimento de novos escritores, porque os hábitos de leitura sempre foram muito epidérmico ao longo de toda a nossa história. Basta pensarmos que até meados do século XX ainda tínhamos mais de metade da população analfabeta. Só a partir do início da década de 60 é que passamos a ter menos de metade do total da população sem saber ler, mas ainda assim em percentagens bem elevadas, sem falar da capacidade/qualidade da leitura da outra metade que se considerava saber ler, e que a maior parte das vezes só sabia assinar o nome e tinha uma capacidade de leitura titubeante, além de muito pouco regular. Mas sem dúvida que hoje o potencial é enormíssimo.

Por fim, quanto a ser verdade que a edição nacional é um negócio que vale mais do que o do bacalhau e do chocolate, por outro lado, parece que com o que se factura anualmente não «chegaria para uma centena de quilómetros de auto-estrada» (Jorge Manuel Martins, op. cit., p. 79). O que diverge claramente com o panorama global, onde o sector da edição/comunicação (incluindo editoras, jornais, empresas de produção de conteúdos, as indústrias de entretenimento, como o cinema e as discográficas, e o que de uma forma geral se designa por e-bussiness) surge como o segundo sector económico que mais contribui para a criação de riqueza em todo o mundo. Só é superado… pela indústria de armamento [Castells (2004), A Galáxia Internet. Também não consigo agora especificar em que página em concreto]. É isto que me faz acreditar que estou a investir no negócio certo, o que me vai animando...


De Booktailors - Consultores Editoriais a 11 de Outubro de 2007 às 10:45
Episódios risíveis desses existem, de facto, neste sector.
Como diz e bem, mais ainda do que se julga. É fruto dos atrasos na gestão, na escolha de topos por motivos familiares e não de competência - muitas vezes sem a formação necessária, se se esquecer o contacto constante com aquela indústria, os erros e métodos do passado.

Pergunta-me como faria se fosse do Porto? Faria como eu, que vim para Lisboa em 2001. É pena, mas tem de ser assim, pois o mercado é pequeno. E não é de cá, noutros países existe forte concentração da indústria editorial, basta ver que fora de Londres e Oxford pouco se faz em Inglaterra e, mesmo em Espanha, com todas as políticas regionais de inventivo, edição com força é só em Barcelona, seguida, cada vez mais atrás, por Madrid.

Se, por um lado, muita gente irá ser sacrificada em nome da eficiência, a verdade é que o mercado ainda vai crescer em termos de novos projectos, de maior fôlego do que as actuais micro-editoras, que darão mais corpo ao sector. Já começamos a ver alguns como a Aletheia, Guerra e Paz, Cavalo de Ferro, Saída de Emergência, entre outras que ainda vão surgir.
Vai-me dizer que algumas delas ainda são micro ou nasceram micro. É verdade, como é verdade que alguns destes nomes têm corpo financeiro por trás (como a Aletheia que é participada pela Civilização) mas quase todas entraram com objectivos claros de serem players, e vão ser.

A questão final diz respeito ao que se faz, de facto. Para comprar direitos, mandar traduzir, mandar rever, paginar, imprimir e atirar para um distribuidor, qualquer gráfica faz um trabalho melhor do que uma editora. É preciso é que as editoras comecem a fazer «o seu trabalho», comecem a criar conteúdos, a valorizar conteúdos e produtos. Como ainda outro dia li, «se criar valor, valoriza, não criar valor, desvaloriza».
E o colega - sempre achei a palavra engraçada - bem sabe que em muitos casos nem esse trabalho de gráfica é bem feito, com a qualidade necessária ou suficiente, quanto mais o restante trabalho.

Abraço.

P.S. Se quiser mandar-nos um email esteja à vontade, não perderá o anonimato público e teremos muito prazer em conversar mais consigo, pois partilhamos muitas ideias e julgo que as pessoas se devem juntar para começar a mudar as coisas.


Comentar post

Subscreva a nossa newsletter

* indicates required
Publicações Booktailors
Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem, Sara Figueiredo Costa



PVP: 12 €. Oferta de portes (válido para território nacional).

Fernando Guedes: O decano dos editores portugueses, Sara Figueiredo Costa



PVP: 10,80 €. Preço com 10% de desconto e oferta de portes (válido para território nacional).

A Edição de Livros e a Gestão Estratégica, José Afonso Furtado



PVP: 16,99 €. 10% de desconto e oferta de portes.

Livreiros, ler aqui.

PROMOÇÃO BLOGTAILORS



Aproveite a oferta especial de dois livros Booktailors por 20 €.

Compre os livros Fernando Guedes: O decano dos editores portugueses, de Sara Figueiredo Costa e A Edição de Livros e a Gestão Estratégica, de José Afonso Furtado por 20 €. Portes incluídos (válido para território nacional).

Encomendas através do e-mail: encomendas@booktailors.com.

Clique nas imagens para saber mais.
arquivo

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Etiquetas

acordo ortográfico

adaptação

agenda do livro

amazon

apel

associativismo

autores

bd | ilustração

bertrand

bibliotecas

blogosfera

blogtailors

blogtailorsbr

bookoffice

booktailors

booktrailers

byblos

coleção protagonistas da edição

correntes d'escritas 2009

correntes d'escritas 2010

correntes d'escritas 2011

correntes d'escritas 2012

design editorial

dia do livro

direitos de autor

distribuição

divulgação

e-book

e-books

edição

editoras

editores

emprego

ensaio geral na ferin

entrevista

entrevistas booktailors

estado | política cultural

estatísticas e números

eventos

feira do livro de bolonha 2010

feira do livro de frankfurt 2008

feira do livro de frankfurt 2009

feira do livro de frankfurt 2010

feira do livro de frankfurt 2011

feira do livro de frankfurt 2013

feira do livro de lisboa

feira do livro de lisboa 2009

feira do livro de lisboa 2010

feira do livro do porto

feira do livro do porto 2009

feiras do livro

feiras internacionais

festivais

filbo 2013

fnac

formação

formação booktailors

fotografia | imagem

fusões e aquisições

google

homenagem

humor

ilustração | bd

imagens

imprensa

internacional

kindle

lev

leya

língua portuguesa

literatura

livrarias

livro escolar

livro infantil

livros

livros (audiolivro)

livros booktailors

london book fair

marketing do livro

mercado do livro

notícias

o livro e a era digital

óbito

opinião

opinião no blogtailors

os meus livros

poesia

polémicas

porto editora

prémios

prémios de edição ler booktailors

profissionais

promoção à leitura

revista ler

sítio web

sociologia e hábitos da leitura

tecnologia

top livros

twitter

vídeo

todas as tags