Booktailors
info@booktailors.com

Travessa das Pedras Negras

N.º 1, 3.º Dto.

1100-404 Lisboa
(+351) 213 461 266

Facebook Booktailors
Twitter Booktailors

FourSquare Booktailors



Facebook Bookoffice


Editoras Nacionais
Livrarias Nacionais
Livrarias on-line
Editoras Brasileiras
Imprensa Brasileira
Blogosfera Brasileira
Eventos no Brasil
Imprensa Internacional

Associações e Institutos de Investigação
Feiras internacionais
Seg, 28/Jun/10
Seg, 28/Jun/10
UMA PROFISSÃO DE RISCO NO SÉCULO XXI (parte III),

por Francisco Vale (*)

N. E.: Publicado originalmente no livro Autores, Editores e Leitores (Relógio D’Água), editado em Novembro de 2009.


[Parte I]
[Parte II]


Um novo fôlego?

Na época do digital, o livro impresso tem os inconvenientes da sua natureza material. Exige o abate de certas espécies de árvores, causa poluição fabril, é difícil de transportar, requer espaço e é perecível.
A impressão em offset só consegue custos unitários razoáveis para tiragens elevadas. E como se publica para um mercado incerto, a sobras e pesados custos de armazenamento antecipados nos preços.
A distribuição, venda nas livrarias, devoluções e armazenagem são responsáveis por mais de 60 por cento do preço do livro. O papel e a impressão por cerca de 15 por cento. Por isso, à primeira vista tudo o condena no confronto com a «imaterialidade» dos bits.
Será o livro impresso capaz de uma flexibilidade que o torne mais concorrencial, ao mesmo tempo que preserva a sua particular relação com o leitor? Terá futuro, pelo menos nos géneros que requerem uma leitura sequencial e reflectida, como a literatura e parte dos ensaios?
A própria evolução tecnológica no fabrico de papéis e o digital oferecem novas possibilidades ao livro impresso.
Verifica-se um crescente recurso a papéis reciclados, agora com preços mais acessíveis e gamas variadas. Por outro lado, e tal como se verifica nos escritórios actuais, nada garante que a leitura digital diminua o consumo de papel. Constata-se, aliás, que muitos dos que lêem e-books adquirem depois versões impressas.
O digital pode também dar uma ajuda na redução da incerteza das tiragens e nos custos de transporte e armazenamento. A impressão digital com máquinas industriais permite já, para tiragens inferiores a 700 exemplares, custos por unidade bem inferiores aos de offset. Há vários anos que é usada para imprimir em papel géneros menos vendáveis como a poesia e o teatro ou nas reedições. A impressão a pedido é hoje corrente e em breve estará disponível em livrarias portuguesas. Para os editores, esta tecnologia tem vantagens, permitindo disponibilizar fundos esgotados e reduzir custos de transporte, já que estará acessível nos principais centros urbanos.
Finalmente, esses processos, conjugados com os e-books e vendas na Internet, vão diminuir a dependência em que editores e distribuidores se encontram das livrarias, cujas margens se tornaram excessivas. Estas vão ser forçadas a uma acelerada reconversão e, à imagem do que já fazem as Borders Books, a articular as experiências livreiras tradicionais com a criação de centros digitais (fornecendo materiais como entrevistas com os autores e chats nas suas páginas web, livros on-line e impressão a pedido).
Também os editores deverão atravessar um processo análogo, serem Janus capazes de olhar ao mesmo tempo para o futuro e o passado, conjugando a sua tradicional actividade no livro impresso com o recurso a linguagens para fornecimento de livros on-line, e-books e impressão a pedido. (A obra de José Afonso Furtado, Os Livros e as Leituras, adianta pistas interessantes nesta área.)
Se o livro impresso conseguir baixar em cerca de 20 por cento o seu preço, ser-lhe-á possível, mesmo permanecendo mais caro que o digital, manter as suas vantagens na leitura sequencial, cujo exemplo acabado, para Umberto Eco, é o «policial» (ao mesmo tempo que o digital será preponderante nas leituras selectivas de ensaios, dicionários, enciclopédias, revistas e diários generalistas).
As vantagens do livro impresso, reverso da sua fragilidade, remetem também para a sua natureza material. Esta passa pelo papel, grafismo, formato e marcas do tempo, por um relacionamento singular em contraste com a monótona uniformidade das obras digitais.
É mais fácil imaginar que nas páginas fechadas de um livro impresso, personagens como Antígona, Iago, Fabrício, Natacha, o capitão Flint, Orlando, Corto Maltese ou Herzog continuam a sua existência e esperam o leitor, do que nos píxeis do livro electrónico.
E mesmo a questão do preço não é linear, pois não se pode emprestar um livro digital como o fazemos com uma edição em papel que, além disso, dura mais que uma vida e não consome energia.
Como escreveu Walter Benjamin, em Desembrulhando a Minha Biblioteca, «a existência do coleccionador de livros tem uma relação muito enigmática com a posse» e com os «objectos em que não sublinha o seu valor funcional, utilidade, ou destino prático, antes os considerando e os valorizando como cenário, teatro do seu destino». Daí que, em sua opinião, o coleccionador «como deve ser» mantenha «a mais profunda relação com os objectos: a posse».
Existe uma apropriação do livro impresso que passa pelo olhar, o cheiro e o manuseamento, a possibilidade de o folhear num gesto rápido ou pausado e de compor estantes onde se estabelecem singulares relações de vizinhança.
Daí que uma biblioteca possa ser um cenário quotidiano, algo que se transmite, uma passagem de testemunho entre gerações.
Nada disso tem correspondência em textos digitais.

[Parte IV]
[Parte V]


(*) Francisco Vale foi um dos fundadores da Relógio D’Água em 1983, sendo desde então seu responsável editorial. É autor de dois romances, Cláudia Telefonou Depois e Os Amantes Prendem nos Braços Tudo o Que lhes Dói. Traduziu obras de Virginia Woolf, Katherine Mansfield, Djuna Barnes, Marguerite Yourcenar, Marguerite Duras, Le Clézio, Foucault, Ernesto Sabato, Javier Marías e Fernando Savater.

-
Consulte a oferta de formação da Booktailors na barra lateral do blogue.


por Booktailors às 09:00 | comentar | partilhar

Subscreva a nossa newsletter

* indicates required
Publicações Booktailors
Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem, Sara Figueiredo Costa



PVP: 12 €. Oferta de portes (válido para território nacional).

Fernando Guedes: O decano dos editores portugueses, Sara Figueiredo Costa



PVP: 10,80 €. Preço com 10% de desconto e oferta de portes (válido para território nacional).

A Edição de Livros e a Gestão Estratégica, José Afonso Furtado



PVP: 16,99 €. 10% de desconto e oferta de portes.

Livreiros, ler aqui.

PROMOÇÃO BLOGTAILORS



Aproveite a oferta especial de dois livros Booktailors por 20 €.

Compre os livros Fernando Guedes: O decano dos editores portugueses, de Sara Figueiredo Costa e A Edição de Livros e a Gestão Estratégica, de José Afonso Furtado por 20 €. Portes incluídos (válido para território nacional).

Encomendas através do e-mail: encomendas@booktailors.com.

Clique nas imagens para saber mais.
arquivo

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Etiquetas

acordo ortográfico

adaptação

agenda do livro

amazon

apel

associativismo

autores

bd | ilustração

bertrand

bibliotecas

blogosfera

blogtailors

blogtailorsbr

bookoffice

booktailors

booktrailers

byblos

coleção protagonistas da edição

correntes d'escritas 2009

correntes d'escritas 2010

correntes d'escritas 2011

correntes d'escritas 2012

design editorial

dia do livro

direitos de autor

distribuição

divulgação

e-book

e-books

edição

editoras

editores

emprego

ensaio geral na ferin

entrevista

entrevistas booktailors

estado | política cultural

estatísticas e números

eventos

feira do livro de bolonha 2010

feira do livro de frankfurt 2008

feira do livro de frankfurt 2009

feira do livro de frankfurt 2010

feira do livro de frankfurt 2011

feira do livro de frankfurt 2013

feira do livro de lisboa

feira do livro de lisboa 2009

feira do livro de lisboa 2010

feira do livro do porto

feira do livro do porto 2009

feiras do livro

feiras internacionais

festivais

filbo 2013

fnac

formação

formação booktailors

fotografia | imagem

fusões e aquisições

google

homenagem

humor

ilustração | bd

imagens

imprensa

internacional

kindle

lev

leya

língua portuguesa

literatura

livrarias

livro escolar

livro infantil

livros

livros (audiolivro)

livros booktailors

london book fair

marketing do livro

mercado do livro

notícias

o livro e a era digital

óbito

opinião

opinião no blogtailors

os meus livros

poesia

polémicas

porto editora

prémios

prémios de edição ler booktailors

profissionais

promoção à leitura

revista ler

sítio web

sociologia e hábitos da leitura

tecnologia

top livros

twitter

vídeo

todas as tags