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Blogtailors - o blogue da edição

A traição das traduções – A posição de M. João e resposta de Hugo Xavier

09.03.09
N.E.: Comentário de M. João a negro e resposta de Hugo Xavier a azul.

«Sou mais uma tradutora... há bastante tempo, há que dizê-lo. Responsável por parte da formação de alguns tradutores deste país. E estou de acordo com o que foi dito atrás: muito do que teria a dizer, já foi dito. A responsabilidade do estado de coisas cabe a todos nós: aos tradutores que, com falta de brio, também não têm curiosidade, não lêem, não se informam, não se dispõem a aprender e odeiam ser criticados e/ou revistos; às editoras que dão prazos inenarráveis e preços igualmente abaixo da crítica e que, muitas vezes por razões económicas, aceitam trabalhos de qualquer gato-sapato que esteja disposto a aceitar as incríveis condições que oferecem; ao conceito vigente neste nosso rincão à beira-mar plantado que diz que «para traduzir basta conhecer duas línguas»... e por aí fora; à falta de valorização do profissional de tradução, tanta vez peça fundamental mas «escondida» no panorama editorial e da crítica; à falta de exigência no ensino que ponha as pessoas a ler com interesse e espírito crítico para poderem exercitar a sua relação com a língua... Sei lá, tantas e tantas responsabilidades repartidas!

É um tema que nos levaria a infindáveis debates. Mas já que tem responsabilidades numa editora, sugiro-lhe um grande rigor na escolha dos seus tradutores com a oferta de condições de trabalho condignas e o reconhecimento público do trabalho que fazem. Por exemplo, na forma como apresenta as obras. Como alguém disse há muito pouco tempo: os livros premiados e/ou mais vendidos em Portugal são, muitas vezes, traduções. Porque é que nunca se menciona o nome dos tradutores quando, por exemplo, da atribuição de um prémio? A obra é do autor, é claro. Mas se é lida em Portugal com agrado, é porque alguém a traduziu bem...»

«Cara tradutora,

Não percebo várias coisas: se leu o que escrevi. Acho que não. Se leu a minha resposta ao comentário de outro tradutor. E, sobretudo, se não está a par dos prémios de tradução que existem... É que não há outros para livros traduzidos, que não aqueles que sejam atribuídos aos tradutores.

Hugo Xavier»

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