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Blogtailors - o blogue da edição

Entrevista a Nuno Seabra Lopes e Paulo Ferreira

27.10.10

Leia abaixo a conversa entre Martín Gómez, do blogue [ el ojo fisgón ], e Leroy Gutiérrez, do blogue Sobre Edición, com Nuno Seabra Lopes e Paulo Ferreira, sobre temas como o planeamento e a natureza do projecto Booktailors, a experiência de ambos no campo da consultoria e formação, entre outros. Esta entrevista está englobada num especial sobre formação de editores, elaborado em parceria por Martín Gómez e Leroy Gutiérrez.

 

 

1. ¿Cómo definirían Booktailors?

Como o próprio nome indica, somos uma empresa «tailor-made» para o mercado editorial português. Nessa perspectiva somos especialistas em edição, fornecendo apoio e serviços em quase todos os elos da cadeia de valor do livro. A forma mais precisa que utilizamos para definir o que somos é «consultores editoriais», apesar de não termos só essa faceta. Outro dos elementos que nos caracteriza é a nossa acção junto do sector, onde, como agentes empresariais, temos uma postura activa: procuramos exercer uma acção global que altere o estado das coisas, daí que sejamos agentes de ensino e de divulgação, criadores de prémios e divulgadores de boas-práticas. Achamos que a Booktailors deve servir os editores mas, acima de tudo, o sector da edição em Portugal.

 

2. ¿En qué momento y por qué razón surgió la idea de crear Booktailors?

A ideia foi desenvolvida em finais de 2006 e partiu da uma visão comum do que se poderia fazer neste mercado. A sensação de estarmos numa fase de evolução e transformação, onde não só as oportunidades de negócio são maiores mas também a oportunidade de inovar e exercer uma acção concreta sobre essas transformações estava já subjacente a este projecto, juntamente com o entendimento de que muito havia para fazer e existia um espaço para implementar pequenas acções que trazem fortes melhorias.

 

3. ¿Cuáles fueron las motivaciones de Booktailors para incursionar en el campo de la formación?

A formação é indissociável daquilo que nós fazemos na medida em que procuramos que seja essa mesma formação o factor de transformação do mercado. Desde sempre um sector marcado pelo empirismo, a edição tem vindo a interagir com imensas áreas da investigação com aplicação empresarial e, como tal, vindo a ganhar toda uma componente técnica que auxilia em larga medida o desenvolvimento deste sector. Longe de pretender anular as especificidades da edição, achamos que é possível compreender essas mesmas características e adaptar o conhecimento que já existe para este sector. Também consideramos que é vital fomentar entre os editores o interesse pela formação especializada como forma de transmissão daquilo que fazemos. Achamos que é através da formação que iremos auxiliar o mercado a se desenvolver e fazer ver aos nossos clientes a necessidade que têm dos nossos serivços, como tal, temos vindo a assumir isso como uma parte importante da nossa actividade.

 

4. ¿Cómo se han identificado las áreas del sector del libro en las que existe una necesidad de formación?

Pelas informações que tínhamos (por investigação qualitativa) sabíamos que existia e existe uma necessidade transversal de formação neste sector – não só numa ou noutra área −, pelo que foi necessário fazer, em vez disso, uma selecção. Entre os critérios mais importantes dessa selecção teve a ver com a capacidade de implementação e a disponibilidade de formadores nas diversas áreas e foi assim que acabámos fazer inicialmente um enfoque (formação focalizada para editoriais e assistentes de marketing), dando formação nas matérias de maior necessidade dessas áreas.

 

5. A la hora de crear una oferta de cursos de formación, ¿cuáles han sido los criterios a partir de los cuales se han definido las áreas y los temas que se abordarán en dichos cursos?

Como atrás foi referido, procurámos colmatar as principais falhas que o mercado sente, dentro de um enfoque de funções no sector (assistentes editoriais e de marketing). Posteriormente a termos definido as áreas de intervenção temos vindo a desenvolver a formação de forma vertical (níveis de aprofundamento das matérias) e horizontalmente (matérias paralelas aquelas que já são dadas por nós). No desenvolvimento das matérias propriamente ditas, a ideia foi criar cursos preferencialmente práticos e aplicáveis no dia-a-dia dos formandos. Cursos onde se possa trocar ideias e desenvolver temas de acordo com o interesse dos participantes, esclarecer dúvidas e auxiliar à eliminação dos problemas mais comuns. Ou seja, cursos que sejam práticos e aplicáveis no dia-a-dia dos profissionais, e que toquem matérias de uso mais corrente das suas funções.

 

6. ¿Cuáles son las necesidades de formación que suelen tener quienes asisten a los cursos de formación que ofrece Booktailors?

A necessidade que se detecta é transversal. Desde logo a do entendimento do negócio em si, que para muitos dos profissionais é ainda um problema – em larga medida pela visão dicotómica do produto/livro e pela pouca diversidade de funções executadas diariamente, sempre num determinado elo da cadeia, sem contactos a jusante e a montante. Igualmente se observam dificuldades na definição de standards de função, e de processo. Ou seja, não sabem o que têm de fazer, quais as diferenças entre aquilo que eles fazem e o que fazem os seus colegas de outras empresas, nem têm critérios definidos para as suas acções, seguindo aleatoriamente as «práticas internas» que a empresa foi desenvolvendo implicitamente. Isto é, têm uma falta elevada de competências tácitas, de regras definidas de acção, critérios globais, etc.

 

7. ¿De qué manera contribuyen los cursos de formación que ofrece Booktailors a reforzar aquellos aspectos de los oficios relacionados con la actividad editorial que los profesionales aparentemente sólo pueden aprender mediante la práctica?

Os cursos Booktailors são ferramentas que permitem aos formandos utilizarem-nas para adaptar aquilo que já fazem habitualmente, ou mesmo alterar e redefinir as suas funções de uma forma eficaz. A prática é essencial para a aprendizagem de funções editoriais, mas só com um correcto enquadramento técnico e conceptual é possível perceber aquilo que se está a fazer e tirar rendimento da experiência do dia-a-dia.

 

8. ¿Cuáles son los conocimientos y destrezas fundamentales que debe tener alguien que aspire a insertarse en la industria editorial portuguesa y cómo definirían ustedes el perfil del profesional que éste necesita actualmente?

A definição de um standard correcto da profissão ainda está por se fazer em Portugal, para além de continuar a mudar de uma forma acelerada. Apesar disso, e dependendo da função a efectuar dentro das empresas, é importante ter grandes competências de leitura e gosto pelo sector. Depois disso, é obrigatório ser-se dedicado e ter em mente as especificidades do livro enquanto objecto de trabalho, ser-se tolerante em relação à visão mundana do trabalho diário e não se deixar levar por algum glamour que este sector possa ter. O entendimento de que aquilo que nós fazemos não é para nós, mas é para outros que são, muitas vezes, bastante diferentes de nós, deve ser o argumento principal que nos levará a respeitar o objecto livro de uma forma profissional e não somente como um objecto pessoal de paixão.

 

9. ¿Creen que Booktailors está ofreciéndoles a quienes asisten a sus cursos de formación los conocimientos necesarios para desempeñar los nuevos oficios que están apareciendo gracias a la emergencia de lo digital?

Infelizmente não nos é possível estar em todo o lado em simultâneo e, percebendo isso, temos consciência que não estamos a fornecer ao mercado essas valências. O mercado editorial tem uma falta transversal de formação e a Booktailors está, prioritariamente, a colmatar as falhas centrais do mercado. No entanto, já estamos a trabalhar nesse sentido e futuramente iremos apresentar formação mais direccionadas para as novas funções.

 

10. ¿Qué relación tiene la industria del libro portuguesa con Booktailors?

As melhores relações possíveis. Somos conhecidos e reconhecidos pelo sector e contamos, por exemplo, na nossa formação, com profissionais de quase todas as principais editoras portuguesas, e o Blogtailors é lido pela esmagadora maioria dos profissionais. Damos, igualmente, formação interna a alguns dos grupos editoriais e as nossas acções são bem recebidas por parte da indústria.

 

11. ¿Cómo es la relación entre las industrias del libro portuguesa y brasileña en términos de intercambio comercial, de servicios y de mano de obra?

A relação é muito escassa. Ao longo dos tempos essa relação tem variado e, a partir de finais dos anos 1980, com a crise económica e financeira no Brasil de Fernando Collor de Mello, houve uma ruptura grave nas relações empresariais, com a perda de confiança de várias empresas portuguesas a operar no Brasil. Actualmente a relação tem vindo a ser, progressivamente, reatada, mas existe muita desconfiança de parte a parte e vários problemas de ordem burocrático a resolver. Em termos de serviços e mão-de-obra a relação é ainda mais escassa, pois as diferenças existentes quer geográficas quer linguísticas (muito reduzidas nesta última) são muitas vezes exacerbadas e levam a que os mercados se mantenham bastante fechados em si mesmos.

 

12. ¿De qué manera articula Booktailors su trabajo en las áreas de consultoría editorial y de formación?

São dois sectores paralelos que não se confundem e, até, podem ser complementares em dadas alturas. Por exemplo, existem alguns pareceres que necessitam de formação para a sua boa implementação e, desse modo, a Booktailors tem ao seu dispor ambas as funções. Por outro lado, a formação consolida a nossa imagem perante os editores, dando a confiança necessária para nos procurarem e compreenderem aquilo que lhes propomos.

 

13. ¿Cuáles son las condiciones que favorecen y dificultan la inserción laboral de los profesionales del sector editorial en Portugal?

Julgo que serão as mesmas de todo o lado. O sector é muito reduzido e especializado, e são poucas as necessidades anuais de novos profissionais para as funções actuais. Por outro lado, as alterações operadas no sector (concentração empresarial, utilização extensiva de tecnologias, etc.) levaram a uma redução do número global de profissionais e à necessidade de maior especialização. Isso levou a uma maior rotatividade dos profissionais que já operam na indústria e a maiores barreiras à entrada de novos colaboradores.

 

Ler no [ el ojo fisgón ] e no Sobre Edición.