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Blogtailors - o blogue da edição

Entrevistas Booktailors: Vasco Silva

27.09.12

 

Vasco Silva é um nome indissociável da Ática e de Fernando Pessoa. Não é à toa que é o publisher que mais livros deste autor (e sobre ele) publicou em Portugal e no mundo. Está na edição há mais de duas décadas, sempre à frente de chancelas de prestígio, mas não tem saudades do passado e crê mesmo que a crise pode ser uma boa peneira para as editoras.

 

O Vasco Silva é reconhecido como um construtor de coleções de livros. Acha que essa tradição se está a perder?

Não sei se a tradição de construir uma coleção se está a perder. Sei que um amontoado avulso de títulos não faz um catálogo. Nas editoras mais pequenas (independentes?) ou nas chancelas de prestígio dos grandes grupos, ainda há a preocupação de construir coleções e construir um catálogo.

 

A corrida ao best-seller está a desfocar os editores da visão de conjunto, a visão de catálogo?

Em muitos casos, sim. Nas grandes editoras, o editor deixou de ser o centro da empresa para passar a ser apenas mais uma peça na estrutura. Consequentemente, o catálogo deixou de ser o reflexo de quem o construiu. Mais do que uma visão desfocada dos editores, a corrida ao best-seller resulta de outras miopias.

 

Os autores com obras mais densas, como Agustina Bessa-Luís, correm o risco de desaparecer das livrarias, porque as suas vendas não são compatíveis com a lógica de mercado?

Não, pelo contrário. Com maior probabilidade, algumas livrarias poderão desaparecer por não terem no seu acervo autores de «obra mais densa». Não sei se uma livraria que não tenha, por exemplo, Agustina ainda se poderá chamar livraria. Como escreveu Roland Barthes, «o nome não é a coisa».

 

Já conheceu vários momentos e configurações do meio editorial. O que tem o meio, hoje, de melhor e de pior?

O meio editorial alterou-se profundamente nas últimas décadas. Não está nem melhor nem pior, está diferente. Não tenho saudades do passado.

 

Quais são, na sua perspetiva, os pontos fortes do projeto Babel?

A capacidade de construir o futuro.

 

O que ainda não desistiu de editar na Babel?

Os Ensaios, de Montaigne.

 

Comercialmente, ainda compensa publicar ensaio e filosofia?

Espiritualmente compensa. Comercialmente também.

 

A Babel tem uma estratégia para fazer voltar a identificar, aos olhos do leitor médio, Fernando Pessoa com a Ática?

É impossível falar de Fernando Pessoa sem falar na Ática. Em todos os congressos e conferências de temática pessoana a que tenho assistido, o nome «Ática» é — depois de «Fernando Pessoa» — o mais referido. Desde 1942 que a edição de Fernando Pessoa se confunde com Ática.

 

A crise veio ajudar as editoras a peneirarem melhor o que publicam?

Sim, sem dúvida. Quando se aperta mais a malha, peneira-se melhor.

 

Concorda com a adoção do novo Acordo Ortográfico?

Pessoalmente, não concordo com a reforma ortográfica de 1911, com o Acordo de 1945 e com o Acordo de 1990. Profissionalmente, trabalho com todas as ortografias, por vezes com várias no mesmo livro (por exemplo, em Prosa de Álvaro de Campos).



  

Nasceu em 1958 e foi editor da Ática entre 1990 e 2008. Seguiu-se a Guimarães Editores, onde foi editor durante o ano de 2009, tornando-se editor da Babel desde 2010 até ao presente. Entre os anos de 1997 e 1998, foi diretor e presidente do Conselho de Editores da APEL e diretor da Feira do Livro de Lisboa. Tem uma pós-graduação em Técnicas Editoriais pela Faculdade de Letras de Lisboa, foi o responsável editorial por cerca de mil edições, já publicou cerca de 600 títulos e organizou mais de duas dezenas de antologias. É o publisher que mais títulos de e sobre Fernando Pessoa publicou em Portugal e no mundo.

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