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Blogtailors - o blogue da edição

Entrevistas Booktailors: Adélia Carvalho

15.11.12

 

Falar em Adélia Carvalho é falar do Papa-Livros, um espaço literário infantojuvenil no Porto. Mas, além de livreira, Adélia Carvalho é ainda autora e editora da Tcharan, embora nenhuma destas vertentes entre em conflito, porque a visão que possuem sobre literatura e sobre o que é bom ou não é a mesma. Em entrevista ao Blogtailors, a autora e editora fala da importância da Feira de Bolonha deste ano e das dificuldades inerentes a uma chancela de livros infantis. 


Qual é a maior dificuldade no momento de lançar uma editora de livros infantis?

A maior dificuldade é ter uma distribuição eficaz, que seja capaz de responder a todas as propostas e que consiga fazer uma boa triagem dos melhores espaços para comercializar os livros.

 

O que é mais complicado: gerir uma livraria ou uma editora?                      

Uma livraria, pois lido com várias editoras e distribuidoras em simultâneo, e isso nem sempre é fácil de gerir.

 

A Adélia autora já se irritou com a Adélia editora?

Não, o olhar que temos sobre o que é literatura e o que pensamos dela é o mesmo, por isso acabamos sempre por nos entender nos momentos de maior decisão, que são os que poderiam dar azo a zangas, os outros momentos passam muito depressa e nem sempre a Autora e a Editora estão presentes ao mesmo tempo.

 

A distribuição pode matar uma pequena editora?

Sim, sem dúvida, principalmente se a distribuidora for à falência, por inerência a editora também vai. E depois, ao nível de divulgação, uma distribuidora dá sempre mais destaque aos livros das grandes editoras.

 

O que significou para as editoras de livros infantis o investimento feito na Feira de Bolonha?

Significou mais visibilidade quer ao nível nacional, quer internacional, e simultaneamente reconhecimento do bom trabalho editorial que está a ser desenvolvido em Portugal. Isso foi-nos dito várias vezes por editores de outros países.

 

Como é que um pai consegue avaliar a qualidade de um livro infantil com tanta oferta? Falta algum mecanismo de regulação ou deve haver liberdade absoluta de edição para infância?

Pois, esta pergunta não é nada fácil. Não se pode de repente ostracizar este ou aquele autor; no entanto, sabemos que nem tudo aquilo que é publicado tem qualidade. O que eu aconselho geralmente aos pais é que estejam atentos a tudo o que vai saindo, que estejam sempre atualizados, e depois há nomes que se vão impondo pelo critério de qualidade, e raramente isto falha. Podemos gostar mais ou menos de determinados livros consoante os nossos interesses, mas, quando os autores são bons, este critério é infalível.

 

O Plano Nacional de Leitura veio ajudar a criar hábitos de leitura na infância?

Sim, acho que foi o projeto mais eficaz até hoje para a estimulação e criação de hábitos de leitura. No entanto, sinto que neste momento para muitos pais este é o único critério, e os livros não podem ser rotulados de bons ou maus apenas por terem ou não o símbolo do Ler +.

 

Optar por fazer livros com uma estética tão forte não foi um risco muito grande?

Fazer livros é sempre um risco. No entanto, penso que qualquer produto para se impor no mercado tem de ter esteticamente uma imagem muito forte, uma imagem que transmita qualidade e identidade, e é isso que temos sempre presente nas nossas edições, quer na escolha dos escritores quer na escolha de ilustradores.

 

Já alguma vez lhe apeteceu deixar de falar com um jornalista/crítico na sequência de uma crítica literária?

Já, e já o fiz. Penso que fazer crítica literária é de uma enorme responsabilidade, quando alguém diz que um livro não é bom, ou é fraco, ou está muito aquém… Devem-no justificar, e não simplesmente ficar por aí, como se essa fosse a vontade do crítico, e depois não sabe desenvolver a sua crítica, isso é tudo menos crítica literária. A crítica literária vive de conteúdo e não de vontades, ou interesses de determinados críticos.

 

Teme uma subida do IVA no livro?

Temo uma subida do IVA em tudo, mas muito particularmente nos livros, pois as crianças já têm tantas desculpas para não ler, e tantas distrações, que se aumentarem o preço dos livros vamos estar a retroceder nos bons hábitos implementados até aqui. Se isso acontecer, não haverá Plano Nacional de Leitura que nos valha.

 

A crise já obrigou a repensar o plano editorial da Tcharan?

Sim, com a crise já reduzimos o número de exemplares editados e a quantidade de livros editados. Assim temos de esperar o retorno de uns para publicar outros.

 

 

 

Nasceu em Penafiel. É licenciada em Educação de Infância, pela Escola Superior de Educação do Porto. Tem lecionado em diversas escolas, onde promoveu sempre encontros com escritores e ilustradores. Em novembro de 2008, abriu um espaço literário infantil e juvenil na cidade do Porto, o Papa-Livros, concebido por Gémeo Luís. É editora da Tcharan, dedicada à edição de livros infantis. É autora de diversos livros, nomeadamente: O Livro dos Medos (Trampolim Edições, 2009); Matilde Rosa Araújo: Um Olhar de Menina (Trinta por Uma Linha, 2010); A Crocodila Mandona (Tcharan, 2010).

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