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Blogtailors - o blogue da edição

Fernando Guedes: O decano dos editores portugueses - excertos da obra (II)

30.11.12

 

«Como é que alguém que acompanhou as últimas cinco décadas do setor do livro vê as inovações trazidas pelo livro em suporte digital e as mudanças que isso trouxe à relação das pessoas com a leitura?

Sempre achei que o livro impresso não vai morrer porque não tem condições para morrer. Mas as mudanças foram na leitura e em tudo; esses gadgets todos que aparecem dia sim dia não aplicam‑se a muito mais do que à leitura. O mundo está muito diferente. Mas tudo isso são apenas meios, como o livro é sempre um meio. Agora, o livro impresso, o que se criou nos séculos XV/XVI, é um meio extraordinariamente flexível. Ele resiste porque é muito bom, é ótimo, não é porque as pessoas estejam apegadas a ele. Há até quem diga que fica tranquilo enquanto precisar de ler o livro das instruções para o computador funcionar [risos]. E há outra coisa: aqui na sala ao lado, dos Reservados, temos, dos séculos XIV e XV, algumas obras que você, com o seu curso de Letras e um bocadinho de trabalho, consegue ler, mas não consegue ter uma máquina que leia uma engenhoca de há dez ou 15 anos, como as disquetes, por exemplo. Tudo isso vai passando, e o livro, tranquilo, vai resistindo, com cada vez mais títulos publicados no mundo.

 

Já leu algum livro em suporte digital?

Não e não estou nada interessado. Já me bastam os aborrecimentos que tenho com o meu computador.»


Retirado das páginas 42 e 43 da obra.

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