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Blogtailors - o blogue da edição

Entrevistas Booktailors: António Reis

06.12.12

 

António Reis é jornalista de profissão, mas isso não o impede de reconhecer a fraca presença dos livros nos meios de comunicação social. Adepto da prosa e, cada vez mais, das edições em formato digital, classifica a oferta de autores portugueses como «uma piscina», quando comparada ao «oceano» de autores estrangeiros. Contudo, diz que «o importante é ter onde nadar», e, quanto a isso, não há dúvida de que esse espaço existe.


Como faz as suas escolhas de leitura?

Na maior parte das vezes, os livros vêm ter comigo. Acontece muitas vezes, numa conversa entre amigos, e lá vem o livro tal de tal autor, como alguma coisa que tenho mesmo de experimentar. A coisa corre quase sempre bem, mas já tenho desperdiçado algumas balas…

 

Lê os suplementos de cultura dos jornais para se guiar no momento de comprar livros?

Sempre. Faço por ler todos os suplementos, mas não me guio pelo número de estrelas atribuído pelo crítico. Já tive gratas surpresas e monumentais desgraças, ao deixar-me levar pelos suplementos. Ultimamente prefiro as edições de formato digital. Além da crítica e da entrevista ao autor, permitem a leitura de um excerto do livro, apresentando as primeiras 20 ou 30 páginas.

 

Os meios de comunicação social falam pouco de livros?

Pouquíssimo. As televisões só vão aos best-sellers e aos prémios literários, e quando vão. Nos jornais diários, livro é ave rara, na rádio há uma ou outra entrevista, e agora a TSF faz e muito bem o Livro do Dia.

 

Prefere literatura portuguesa ou estrangeira? E que género prefere?

Prefiro as duas, embora leia muito mais autores estrangeiros. É normal. A oferta estrangeira é um oceano; a portuguesa, uma piscina. O importante é ter onde nadar, e felizmente vamos tendo. Quanto à segunda parte da pergunta, prosa, sempre. Conto, novela, romance, ficção, biografia, desde que seja texto corrido.

 

Na dúvida, a credibilidade da editora ajuda a tomar a decisão de comprar um determinado livro?

Houve tempos em que seguia os catálogos de uma ou outra editora como se tivesse o catecismo na mão. Graças a deus que me deixei disso e passei a concentrar-me exclusivamente nos escritores. Felizmente temos excelentes autores em todas as editoras.

 

Há alguma editora cujo catálogo acompanhe?

Não. Apenas espreito a oferta existente no fim de alguns livros.

 

Frequenta os festivais literários ou o contacto com o escritor não é importante para si?

Não. Às vezes tenho pena de não o fazer. Sobre o contacto com o escritor… É uma situação difícil. Já por duas ou três vezes tive a sensação de estar perante deus ou Maradona, o que pode ser horrível e maravilhoso, e que seguramente tem o seu quê de frustrante. Dizer o quê a deus e a Maradona? O risco de escolher palavras relativamente estúpidas é enorme e por isso prefiro ficar calado.

 

O aspeto gráfico do livro (capa, paginação, tipo de papel) é importante no momento da escolha?

Sim, não e talvez. A paginação, sim. Por exemplo, ando há um tempito a deixar o Correcções, do Jonathan Franzen, na prateleira, porque foi editado numa letra muito miudinha.

 

Os livros são caros?

Se o dinheiro fosse todo para o escritor e o escritor escrevesse só para mim, até que eram baratos. Assim, como as coisas são, são caros. E pior está o caso nas edições digitais, cujo preço considero um assalto. Sem custo de impressão, papel e distribuição, ficam quase ao mesmo preço da edição «normal». É um perfeito disparate.

 

Sente que é importante partilhar as suas leituras com amigos, bem como as conclusões que delas tira?

Fundamental. De que serve uma boa notícia (um bom livro), se não puder ser partilhada(o)?

 

Que livro está a ler neste momento?

Quase quase a terminar Rabos de Lagartixa, do Juan Marsé. E com Uma Viagem à Índia, do Gonçalo M. Tavares em lista de espera, pronto a ser atacado.

 

Qual o livro cuja leitura mais prazer lhe deu?

Há 20 anos, o 1984, do George Orwell. Mais recentemente o 2666, do Roberto Bolaño, o Jerusalém, do Gonçalo M. Tavares, As Travessuras da Menina Má, do Mário Vargas Llosa, e Ernestina e Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia, do José Rentes de Carvalho.

 

Qual o escritor a que não consegue resistir?

Roberto Bolaño.



 

António Reis nasceu em 1974, em Vila Nova de Gaia. É maluco por futebol e por livros, não necessariamente por esta ordem. Jornalista desde 1995, passou por diversas publicações, como o Jornal de Gaia, Maré Viva, Motor, e pela rádio, na TSF. Está na SIC desde abril de 2002. Vive cheio de vontade de lançar na rede uma revista cultural com boas histórias, mais bem contadas.

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