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Blogtailors - o blogue da edição

Reportagem Blogtailors: Conferência ABC da Edição Digital

29.01.13

 

Durante um dia, especialistas em edição, autores, editores, ilustradores, criadores e todos os interessados na criação de livros infantis em formato digital reuniram-se na Fundação Calouste Gulbenkian para discutir o estado da arte e pensar no futuro do género.

 

 

Na abertura da conferência, protagonizada pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Autores e escritor, José Jorge Letria, os receios da extinção do livro impresso foram imediatamente afastados, até porque «nunca nenhum suporte matou realmente o outro». Os diferentes formatos coexistirão no futuro e, talvez por isso, o que realmente importa é a questão dos direitos de autor, que se devem manter e defender, ainda que o suporte se possa alterar e tornar-se mais permeável à pirataria.

 

Jorge Silva, designer, fundador do ateliê Silva Designers, abordou os problemas associados à democratização permitida pela tecnologia, uma vez que hoje «todos são autores em potência». E o que pode parecer uma vantagem transforma-se facilmente em problema, sendo necessário «revalorizar os conteúdos». Esse processo assentará quase inevitavelmente num bom trabalho de promoção. 

 

 

A relevância da promoção foi inclusivamente abordada num painel que decorreu durante a tarde, composto por Ilídio Nunes, consultor de comunicação e estratega de marcas, Carla Oliveira, editora da Orfeu Negro, Humberto Neves, fundador da Ardozia, e com moderação de Sérgio Bastos, da plataforma eBook Portugal. Ilídio Nunes frisou a importância da criação de conteúdos próprios por parte das marcas, o que, no caso específico das editoras, pode auxiliar a gerar diálogo com os leitores.

 

Contudo, ainda durante a manhã, a promoção esteve em destaque no painel dedicado à crítica e divulgação, no qual participaram Paulo Ferreira, da Booktailors, a par de Sara Figueiredo Costa, jornalista, Rute Sousa Vasco, diretora editorial do portal SAPO, e Carla Maia de Almeida, jornalista e escritora, que teve a seu cargo a moderação. A perda de espaço da literatura nos meios de comunicação tradicionais foi alvo de discussão, com Paulo Ferreira a frisar a necessidade de um filtro que permita assegurar a qualidade dos conteúdos divulgados.

 

No painel em que participou, sobre as alterações no processo criativo, Rui Zink, afirmou que, no essencial, não se registam grandes alterações na fórmula. O importante será aproveitar ao máximo as potencialidades do meio digital para a construção de narrativas. Esta ideia foi também reafirmada por Junko Yokota, diretora do Centro para o Ensino através de Livros Infantis da Universidade National Louis (Chicago), não só na sua apresentação, como no painel em que participou juntamente com Neal Hoskins, editor e consultor da Feira do Livro Infantil de Bolonha, e Pedro Monteiro, coordenador de arte digital do grupo Impresa.

 

A criação de novos leitores, permitida pelos novos formatos, foi outro tema debatido durante a conferência. Fernando Pinto do Amaral, comissário do Plano Nacional de Leitura, que participou no debate dedicado ao tema, reconheceu a mais-valia dos livros digitais, embora alertando para as limitações técnicas associadas e para a importância do contacto humano, que nunca se deverá perder.

 

A conferência ABC da Edição Digital, primeira iniciativa do projeto Nave Especial, promovido pelo Pato Lógico e pela Biodroid, foi ainda o espaço escolhido para o anúncio do prémio Nave Especial — Histórias Digitais Ilustradas. O prémio agora instituído pretende estimular a criação de novas narrativas e apoiar o desenvolvimento e a comercialização dos melhores trabalhos a concurso, encontrando-se aberto a ilustradores, escritores e designers.

 

As candidaturas estarão abertas já a partir de fevereiro e brevemente haverá mais informações disponíveis no sítio da Nave Especial, aqui.