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Blogtailors - o blogue da edição

Lançamento do livro Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem

25.10.13

 

Ao final da tarde de ontem, o auditório da biblioteca da sede da Fundação José Saramago recebeu a primeira sessão de lançamento do livro Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem, segundo volume da coleção «Protagonistas da Edição». Tanto a casa cheia quanto a composição da assistência deram azo a alguns comentários bem-humorados, que revelaram o ambiente em que decorreu a sessão, quer porque o conjunto fazia lembrar uma assembleia-geral da APEL (Paulo Ferreira, diretor-geral da Booktailors) quer porque, se a tomada de posse de António Costa não tivesse sido agendada para a mesma data, o lançamento teria sido no Pátio da Galé (Carlos da Veiga Ferreira).

 

 

Criada pela Booktailors com o objetivo de preservar a memória da história da edição em Portugal, a coleção «Protagonistas da Edição» caracteriza-se por ser um testemunho na primeira pessoa, visto que cada volume resulta de uma entrevista feita pela jornalista Sara Figueiredo Costa a uma figura importante da nossa história da edição.

 

 

 

Se o primeiro volume da coleção incidiu sobre Fernando Guedes, o atual sobre Carlos da Veiga Ferreira e o próximo incidirá sobre Guilhermina Gomes, todos editores, o quarto volume terá como protagonista Guilherme de Ayala Monteiro, revisor — ou não fosse uma das intenções da coleção dar também destaque «a protagonistas e figuras que ficam esquecidos», como reconheceu Paulo Ferreira.

 

 

A apresentação da obra esteve a cargo de Nelson de Matos, também editor e amigo de longa data de Carlos da Veiga Ferreira. Segundo Nelson de Matos, este volume tem uma particularidade: do início ao final, faz-nos entender o significado do próprio título. Lembrou as crises, os ataques de toda a ordem e, apesar deles, os editores que souberam continuar, seguindo em frente sem abdicarem dos riscos e das aventuras da profissão. Desses editores faz parte Carlos da Veiga Ferreira, «um homem dinâmico, trabalhador, persistente»: destacou o apresentador a «elegância e argúcia do seu trabalho», cujo catálogo no novo projeto, a Teodolito, «já dá sinais da qualidade que Carlos da Veiga Ferreira imprime a tudo o que faz».

 

 

Carlos da Veiga Ferreira dispensou o microfone para um generoso agradecimento. É pouco provável que alguém tenha ficado excluído, num conjunto de referências que começaram na família, nos sócios da Teorema e em Carlos Araújo (seu criador), e incluíram todos os que lhe permitiram uma carreira de editor livre, bem como a Afrontamento, que o desafiou a criar a Teodolito, todos os colaboradores, agentes com que trabalhou, autores portugueses e estrangeiros, editores estrangeiros e portugueses, meios de comunicação e os seus pares («de alguns deles, gabo-me de ser amigo»). Terminou lembrando brevemente a aventura da União dos Editores Portugueses, que «morreu às mãos de interesses económicos», e acrescentou que, «se entretanto me quiserem fazer alguma pergunta a que este livro não responda, estou e estarei à vossa disposição».

 

 

Como lembrou, no final, um participante da assistência, pode definir-se Carlos da Veiga Ferreira numa palavra: coerência, tanto pelo seu trabalho na Teorema quanto na Teodolito.

 

 

Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem terá uma segunda sessão de apresentação na Biblioteca Municipal de Penafiel, a 15 de novembro, pelas 21.30.