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Blogtailors - o blogue da edição

«Competi com o meu amigo Francisco José Viegas, mas isso já não era eu, era a Teorema/LeYa» — excertos de Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem

21.10.13

© Carlos da Veiga Ferreira — Com Martin Amis e Rui Zink,

na apresentação de Água Pesada, de Martin Amis, c. 2000.

 

«No processo de compra de direitos de um livro, alguma vez se viu na situação de ter de disputar o contrato com alguém seu conhecido ou amigo?

Assim de choque completo, não. Houve uma situação com um grande amigo meu, o Nelson de Matos, quando fiquei com o Quino, porque ele tinha tido o Quino na Dom Quixote, mas foi um amuo que durou oito dias e depois passou. […]

 

Depois competi com o meu amigo Francisco José Viegas, mas isso já não era eu, era a Teorema/LeYa. Foi no último ano em que lá estive, quando o Viegas leva para a Quetzal o [Roberto] Bolaño, o Martin Amis, o Raymond Carver, o Borges em volumes separados e, já depois de eu ter saído, o Sebald. Quando ele começou com essa ofensiva, fui falar com a administração da LeYa e expliquei-lhes o problema, alertando para o facto de a Quetzal estar a tentar ficar com muitos dos nossos autores e tentando perceber como seria, se me iriam dar dinheiro para cobrir as ofertas ou não. E a administração só me autorizou a ir até um certo ponto. Bem sei que não era apenas o Francisco José Viegas, mas a Bertelsmann, que tinha um consultor catalão com grande influência junto dos agentes, mas houve esse pequeno desaguisado com o Francisco, que durante algum tempo ficava um bocado embaraçado quando me encontrava. Até que um dia combinámos almoçar e fomos à Travessa do Rio, ali em Benfica, e as coisas resolveram-se.»

 

Fotografia retirada da página 45 e excerto retirado das páginas 55, 56 e 57 da obra.

 

Livro disponível para encomenda através do e-mail encomendas@booktailors.com

PVP com 10 % desconto: 10,80 € (inclui portes de envio; válido para território nacional).

Impressos de fresco

17.10.13

 

Já chegaram os primeiros exemplares de Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem. Este é o segundo volume da coleção «Protagonistas da Edição», da autoria de Sara Figueiredo Costa. Uma edição Booktailors.

 

Livro disponível para encomenda através do e-mail encomendas@booktailors.com. PVP com 10 % desconto: 10,80 € (inclui portes de envio; válido para território nacional).

A Booktailors apresenta Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem na Fundação José Saramago

17.10.13

 

No próximo dia 24 de outubro, a Booktailors apresenta publicamente, pela primeira vez, o segundo volume da coleção «Protagonistas da Edição». O lançamento de Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem terá lugar pelas 18.30 na Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago. A sessão contará com a presença do entrevistado, Carlos da Veiga Ferreira, da jornalista e autora, Sara Figueiredo Costa, e do diretor-geral da Booktailors, Paulo Ferreira.

 

A apresentação do livro estará a cargo do editor Nelson de Matos.

 

Sobre Carlos da Veiga Ferreira:

Carlos da Veiga Ferreira foi tradutor, mas é como editor, testemunha e participante das mudanças na edição portuguesa que a sua história é fundamental. Durante décadas, foi o editor que deu rosto à Teorema, editora fundada em 1973 e cujo catálogo assumiria a partir de 1985. Através dela, Veiga Ferreira editou grandes nomes da literatura, constituindo o catálogo que o notabilizou. Com a passagem da Teorema para o grupo LeYa, cria em 2011 a Teodolito, na qual continua o trabalho que iniciou há décadas: editar em Portugal alguns dos mais importantes clássicos da literatura mundial.

 

Sobre Sara Figueiredo Costa:

É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas — Estudos Portugueses e mestre em Linguística Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa. Jornalista freelancer, colabora com diversas publicações na área da crítica literária e do jornalismo cultural (LER, Time Out, Expresso e Blimunda). Mantém desde 2007 o blogue Cadeirão Voltaire, sobre livros e edição, e desde 2003 o blogue Beco das Imagens, dedicado à banda desenhada e à ilustração. É um dos membros fundadores da Oficina do Cego, onde leciona os módulos teóricos das formações sobre história do livro e edição.

 

Livro disponível para encomenda através do e-mail encomendas@booktailors.com. PVP com 10% desconto: 10,80 € (inclui portes de envio. Válido para território nacional).

«Foi o próprio Vila-Matas que me propôs mudar-se para a Teorema» — excerto de Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem

14.10.13

© Carlos da Veiga Ferreira — Com Quino e a mulher

na Feira do Livro de Lisboa, c. 2003.

 

«Como é que um autor tão cultuado pelos leitores como Enrique Vila-Matas chegou ao catálogo da Teorema?

O Vila-Matas era muito amigo do [Manuel] Hermínio Monteiro, tal como eu, e já nos conhecíamos, mas o Vila-Matas publicava na Assírio & Alvim. Quando o Hermínio morreu, foi o próprio Vila-Matas que me propôs mudar-se para a Teorema, e desde então tenho sido sempre eu a publicá-lo, agora já na Teodolito. […]

 

E o Quino, como decidiu publicar-lhe a obra, não tendo a Teorema uma tradição na área do cartoon e da banda desenhada?

O Quino foi um dos autores da Teorema que me encheram de alegria publicar e veio parar às minhas mãos de uma forma totalmente aleatória. Publiquei um espanhol chamado Miguel Barroso, que depois se tornou chefe de informação do PSOE antes da vitória do Zapatero, mas nessa altura era o diretor de comunicação da Fnac em Espanha e, mais tarde, ficou responsável pelo mesmo cargo, mas para todo o mundo. E um belo dia, estávamos ambos em Paris, combinei ir jantar com ele, e é ele quem me pergunta se não quero publicar o Quino, porque o autor não tinha editor em Portugal e a mulher dele era, na altura, a agente do Quino para Portugal e Espanha. […]»

 

Fotografia retirada da página 38 e excerto retirado das páginas 36 e 37 da obra.

 

Livro disponível para encomenda através do e-mail encomendas@booktailors.com. PVP com 10% desconto: 10,80 € (inclui portes de envio. Válido para território nacional).

«O contacto pessoal é uma das coisas interessantes de editar livros» — excerto de Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem

10.10.13

© Carlos da Veiga Ferreira — Em Frankfurt, no stand da Tusquets,

com Manuel Alberto Valente, Jorge Herralde (editor da Anagrama) e pessoal da Tusquets, c. 1997.

 

«Hoje há um pouco a ideia de que os editores vão a Frankfurt apenas como uma espécie de ritual, negociando quase tudo por e-mail ou telefone.

Isto é um negócio que, como todos os negócios, se trata entre pessoas, e conhecer as pessoas é muito importante. Vão-se criando laços de amizade e de uma certa interdependência. Por exemplo, com o Wylie, com quem tive aquele começo que podia ter acabado mal, mas que resultou num belíssimo casamento, eu era o editor português com quem tinha mais contratos, mais de uma centena. E isso era muito facilitado pelas relações que eu tinha. O [Antonio] Tabucchi, antes de morrer, mudou para a agência Wylie por meu intermédio. Em Frankfurt, na festa dos 60 anos de um editor francês chamado Paul Otchakovsky-Laurens, da P.O.L., o Wylie veio perguntar-me se eu conhecia o Tabucchi porque ele gostava de ser agente dele. E eu disse-lhe que quando o encontrasse lhe perguntaria se podia passar os contactos dele para que ambos falassem. […]

 

Confirma-se, então, que conhece todos os editores e agentes deste mundo?

Quase, pelo menos a minha geração e a geração seguinte. Agora há muitos miúdos, porque eu já tenho 64 anos. Mas a gente da minha idade e os que têm por volta de 40, esses conheço todos. Os mais novos, vou conhecendo, até porque acabam por estar com editores mais velhos que eu já conheço. E este contacto pessoal é uma das coisas interessantes de editar livros.»

 

Fotografia retirada da página 52 e excerto retirado das páginas 60-62 da obra.

 

Livro disponível para encomenda através do e-mail encomendas@booktailors.com

PVP com 10% desconto: 10,80 € (inclui portes de envio. Válido para território nacional).

Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem já pode ser adquirido

09.10.13

 

Encontra-se disponível, em pré-venda, o segundo volume da coleção «Protagonistas da Edição», editada pela Booktailors.

 

Já é possível encomendar o livro Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem através do e-mail encomendas@booktailors.com. As encomendas serão expedidas a partir do dia 24 de outubro, após confirmação de pagamento. O livro custará 10,80 €, já com desconto de 10 por cento e oferta de portes incluídos (válido para território nacional).


Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem é o resultado de uma série de entrevistas feitas pela jornalista Sara Figueiredo Costa a Carlos da Veiga Ferreira, editor que deu rosto à Teorema durante décadas e que criou em 2011 a Teodolito.

 

O livro tem lançamento marcado para dia 24 de outubro, em Lisboa, na Casa dos Bicos, às 18.30, e para dia 15 de novembro, em Penafiel, na Biblioteca Municipal de Penafiel às 21.30.

Booktailors lança Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem em Lisboa e Penafiel

08.10.13

 

 

O segundo volume da coleção «Protagonistas da Edição», editada pela Booktailors, será lançado em Lisboa, no próximo dia 24 de outubro, e em Penafiel, a 15 de novembro.

 

Em Lisboa, a apresentação do livro estará a cargo de Nelson de Matos, pelas 18.30, na Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago.

Em Penafiel, pelas 21.30, na Biblioteca Municipal de Penafiel, o escritor e presidente da Assembleia Municipal de Penafiel, Alberto Santos, apresentará o livro que homenageia o conterrâneo Carlos da Veiga Ferreira.


Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem é uma grande entrevista com o editor que foi durante décadas o rosto da Teorema e que criou, em 2011, a Teodolito. Através destas editoras, Carlos da Veiga Ferreira traduziu e editou alguns dos mais importantes clássicos da literatura mundial em Portugal.

Booktailors apresenta Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem

03.10.13

 

A Booktailors anuncia a publicação do segundo volume da série «Protagonistas da Edição», uma coleção composta por entrevistas com personalidades fulcrais da edição em Portugal, conduzidas pela jornalista Sara Figueiredo Costa e editadas pela Booktailors.

 

O segundo volume desta coleção, Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem, é dedicado ao editor que publicou grande parte dos autores que fizeram do catálogo da Teorema uma referência. Criada em 1973, Carlos da Veiga Ferreira colaborou de início com a Teorema com a realização de traduções. No entanto, é como editor e rosto da editora  que se notabiliza, passando a ser o único responsável pelo catálogo em 1985. Depois da venda da Teorema ao grupo LeYa, criou em 2011 a Teodolito, na qual continua o trabalho que começou há décadas: editar em Portugal alguns dos mais importantes nomes da literatura mundial.

 

O livro será lançado no dia 24 de outubro, pelas 18.30, na Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago, com apresentação de Nelson de Matos, e no dia 15 de novembro, pelas 21.30, na Biblioteca Municipal, em Penafiel, estando a apresentação da obra a cargo de Alberto Santos.

Fernando Guedes: O decano dos editores portugueses — excertos da obra (V)

18.02.13

 

«Já no fim dos anos 80, surge a coleção dos dicionários bilingues, em colaboração com a Oxford e a Hachette. Eram obras que, na altura, faltavam no mercado?

Bom, a Porto Editora não diria que faziam falta, porque eles tinham dicionários. Eu é que achava que havia mercado para outros dicionários, e sobretudo associados aos nomes da Oxford e da Hachette. E havia. Dá muito trabalho, fazer um dicionário, mas funcionou muito bem. E os dicionários continuam a existir, mas não sei se os contratos se mantêm válidos atualmente.

 

Esses dicionários foram feitos por uma equipa da própria Verbo?

Sim, foi tudo interno, com uma equipa de linguistas, lexicógrafos, etc.

 

Na década de 90 destacam‑se a coleção universitária, em parceria com a Universidade Católica, e os CD‑ROM, uma coisa inovadora na altura.

Sim, mas com os CD‑ROM não acertámos muito. Fizemos umas coisas, em parceria com uma empresa dessa área, mas estava tudo muito no início, e nunca passámos de amadores. Porque naquela altura, mais até do que agora, passar além do amadorismo em que nós estivemos era muito caro. Hoje talvez já não seja tanto. E tudo aquilo que, naquela altura, pensámos que se iria aguentar e que iria dominar está ultrapassado, claro. Hoje, verdadeiramente, só temos a Porto Editora a fazer muita coisa nessa área.»

 

Excerto retirado das páginas 83 a 85 da obra.

 

O livro encontra-se disponível para encomenda através do e-mail encomendas@booktailors.com. O livro custa 10,80 euros, já com 10% de desconto e oferta de portes (válido para território nacional).

Fernando Guedes: O decano dos editores portugueses - excertos da obra (IV)

18.12.12

 

«Em 1972, a Ulisseia passa a integrar a Verbo.

Sim, comprámos a Ulisseia, que pertencia à casa Abel Pereira da Fonseca, depois de já ter passado por outras mãos na sequência da falência.

 

E foi a hipótese de a Verbo desenvolver a área da ficção, que estava por trabalhar.

Foi. Mas depois as coisas começaram a ser complicadas, porque os grandes autores mais recentes já estavam tomados e nós, durante muito tempo, também não demos a devida importância àquilo.

 

Mas editaram uma série de autores. Estou a lembrar‑me do Jack Kerouac…

Mas isso foi uma reedição, porque a Ulisseia tinha um fundo editorial magnífico quando a comprámos. E foi um fundo criado pelo Joaquim Figueiredo de Magalhães, um homem notável, um grande editor. O que eu não sabia e só descobri há pouco tempo é que o Joaquim Figueiredo de Magalhães foi casado com a Rosa Lobato de Faria, que ainda trabalhou na CrediVerbo. Ele faz a Ulisseia por volta dos anos 40, por aí, e não havia grande autor que não estivesse na Ulisseia. Aquele catálogo era espetacular. Claro que entretanto aquilo estoirou. O Joaquim Figueiredo de Magalhães era um ótimo editor, mas desconfio que era um mau gestor e não devia estar muito interessado em contas e valores, e tudo rebentou. Mas, enquanto não rebentou, a verdade é que ele criou um catálogo que nenhum editor daquela época conseguiu criar. Mesmo a Portugália, do Agostinho Fernandes, não tinha nada que se pudesse comparar com o que tinha a Ulisseia. O Kerouac, entre muitos outros, era dele, e agora imagine o que era publicar o Pela Estrada Fora naquela altura; era qualquer coisa. Era formidável. Nunca conheci o Figueiredo de Magalhães, mas tenho por ele a maior admiração e consideração como editor. E a verdade é que o dinheiro que demos pela Ulisseia, recuperámo‑lo em pouco tempo, porque com o que ele tinha de stock de todos esses grandes autores fizemos várias coleções que se venderam no crediário, encadernadas.»

 

Excerto retirado das páginas 74 e 75 da obra.


O livro encontra-se disponível para encomenda através do e-mail encomendas@booktailors.com. O livro custa 10,80 euros, já com 10% de desconto e oferta de portes (válido para território nacional).