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Blogtailors - o blogue da edição

BI da Edição: Madalena Escourido, Grupo LeYa

05.02.14
© Madalena Escourido

 

Madalena Escourido é a terceira entrevistada da rubrica «BI da Edição». A assistente editorial no Departamento de Novos Autores Portugueses do grupo LeYa afirma que o afeto pelos livros a prendeu «voluntariamente» à edição, depois de um mestrado em Edição de Texto. Ainda tentou ser professora, mas sente-se privilegiada por pertencer a este meio. Aos 28 anos, seis deles na edição, gosta de «trabalhar na sombra», onde há «problemas menos complicados» e se conhecem «personagens interessantes».

 

Há quantos anos trabalha em edição?

Há cerca de 6 anos (quase 4 na Leya e, antes disso, 2 na QuidNovi).

 

Onde começou a trabalhar em edição?

Depois do mestrado, o Rui Zink (meu orientador na aventura) propôs-me estagiar na QuidNovi, uma pequena editora onde fiquei a trabalhar por algum tempo. Vim mais tarde trabalhar para o grupo Leya com a Maria do Rosário Pedreira.

 

O que a levou a ingressar na edição de livros?

Já não conseguir (nem querer) controlar mais o meu gosto pelo objeto/ideia livro e pela possibilidade de fazer parte do processo de dar a ler. E as pessoas dos livros, essas, fascinam-me e justificam algumas dores de cabeça. Depois, ter tarefas concretas de que gosto muito e sentir-me privilegiada por poder levantar-me de manhã e ter tudo isto à minha espera.

 

Em que consiste a sua função? Como é o seu dia-a-dia?

Sou assistente de uma editora especial, a Maria do Rosário Pedreira. A função desta equipa de duas é receber originais (de todos os lados, por correio, mail, conhecidos e desconhecidos, nem imaginam a confusão e a quantidade), lê-los (alguns só em parte porque não se justifica avançar e passo ao seguinte) com o objetivo de encontrar algo que valha a pena publicar e ir assim descobrindo novos autores portugueses. É uma tarefa morosa e demora bastante a dar frutos, às vezes lê-se 300 páginas (vezes 300 originais) e, apesar de não estar mal escrito, não há ali nada que crie apego no leitor, temos de ponderar muita coisa. Faço essa triagem inicial.

 

Depois disso, há trabalho com os autores que demonstraram potencial: comentários, anotações, sugestões (este trabalho é da Rosário, tenho aprendido muito ao observá-la). E, a seguir, a produção do livro – que coordeno desde a preparação do original para paginação, a revisão das provas, etc. Muitas vezes é ainda fundamental o acompanhamento do livro e do autor, para que não se percam no mar de novidades: agendar sessões, gerir páginas de Facebook, por exemplo, enviar exemplares para concorrer a prémios literários, fazer a ponte com agentes internacionais e outros. Também há alguns afazeres burocráticos e necessários, faz parte. Acompanho o processo desde o início (o texto que alguém escreveu e propôs publicar) até quase à chegada do livro às mãos do leitor (é uma visão um pouco ingénua mas acredito nisso).

 

Eu e a Rosário dividimos tarefas e comunicamos muito bem, e fazemos os possíveis para que aquilo que descobrimos como primeiras-leitoras possa chegar ao maior número de pessoas possível. Depois há ainda os autores que já trabalham connosco há mais livros e que publicam com regularidade, é fundamental continuar a trabalhar com o mesmo rigor e dedicação com eles. No nosso dia a dia temos de tentar equilibrar as duas tarefas, ainda que nos incomode termos consciência de que temos pessoas à espera da nossa resposta, contrabalançamos isso com o compromisso de que vamos ler e responder a tudo, mesmo que demore tempo.

 

O que lhe dá mais prazer no seu trabalho?

Ler livros. É tão simples quanto isso: ler os originais, as várias versões e perceber o crescimento do livro, reler as últimas provas e ficar satisfeita com o resultado final. E conhecer as pessoas, a edição é feita de e por gente e não nos devemos esquecer disso – claro que estamos cá para editar livros, mas este é um objeto muito particular.

 

Qual é o livro da sua vida e porquê?

Irritam-me perguntas com limites e não me consigo comprometer com um só (esqueci-me de dizer acima que tenho mau-feitio). Gosto de ficção, de livros sobre livros, de livros que sejam um jogo e um desafio para o leitor, encanto-me com livros infantis ilustrados e até os coleciono.

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