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Blogtailors - o blogue da edição

Entrevistas Booktailors: Manuel Portela

28.05.14

 

O entrevistado do Blogtailors no mês de maio é poeta, tradutor e professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde dirige o programa de doutoramento em Materialidades da Literatura. Manuel Portela é também o investigador que coordena o projeto do Arquivo Digital do Livro do Desassossego, adiantando que deverá estar concluído no verão de 2015.

 

Lidera, neste momento, a constituição do arquivo digital do Livro do Desassossego (LdoD). Originalmente, de onde partiu a ideia do projeto? E porquê o Livro do Desassossego?

A ideia tem origem na investigação que realizei desde o início da década de 2000 sobre edições e arquivos digitais de obras do património literário impresso. Pelo menos desde meados da década de 90 que um conjunto significativo de projetos de investigação desenvolveu modelos de edição digital a partir da consciência de que uma parte significativa do património cultural da humanidade iria ser progressivamente digitalizado à medida que a comunicação digital em rede instituía um novo espaço de publicação. No caso da literatura, muitos desses projetos pioneiros chegaram a um modelo de edição que passava pela reconstituição digital do arquivo das obras, isto é, do conjunto de documentos da sua história material.

 

Igualmente importante para a conceptualização deste projeto foi a ideia de que o meio digital poderia ser usado não só para efeitos de representação textual (dos autógrafos e das edições já existentes), mas também para efeitos de simulação dos próprios processos literários de ler, escrever e editar, tirando partido da processabilidade e da natureza dinâmica e colaborativa da Web 2.0. O Arquivo LdoD terá assim um conjunto de funcionalidades de virtualização do LdoD que permitirão aos leitores assumirem diferentes papéis no estudo, manipulação e apropriação da obra. Porquê o Livro do Desassossego? Pela sua natureza material de obra inacabada e fragmentária, e pelo seu grande apelo imaginativo para inúmeros leitores em todo o mundo, o LdoD surgiu como a obra ideal para levar a cabo esta experiência conceptual e técnica.

 

O projeto teve início em março de 2012 e tem a sua conclusão prevista para o fim de fevereiro de 2015. Quais as fases que atravessou? E qual a fase em que está no momento?

O projeto tem três componentes de investigação: uma de natureza textual, que implica a análise dos documentos autorais e análise das quatro edições principais da obra (Jacinto do Prado Coelho, 1982; Teresa Sobral Cunha [1990–91] 2013; Richard Zenith [1998] 2012; Jerónimo Pizarro [2010] 2013); outra de natureza computacional, que passa pela construção de um modelo de codificação eletrónica XML para todos os textos do LdoD e pelo desenvolvimento da programação adequada ao conjunto de funcionalidades do modelo de virtualização concebido; e uma terceira, de natureza teórica, que pretende investigar a relação entre escrita e livro nas práticas modernistas, incorporando nessa investigação os conhecimentos obtidos no processo de remediação digital da obra. Se tudo correr bem, o Arquivo LdoD será publicado no verão de 2015.

 

Como é que os suportes e as materialidades da literatura a influenciam? A máxima de Marshall MacLuhan «o meio é a mensagem» aplica-se de alguma forma à literatura?

Este projeto parte precisamente da análise material e textual dos documentos autógrafos, tal como aconteceu com as quatro edições principais ao fazerem as suas transcrições, seleções e organizações particulares dos elementos do livro. O projeto parte ainda da exploração da processabilidade simulatória do meio digital para criar um espaço de virtualização que permita compreender simultaneamente os processos de construção autoral e de construção editorial do LdoD. A relação particular entre meio e mensagem pode observar-se nos modos de construção material e social da obra enquanto livro impresso, por um lado, e enquanto arquivo digital, por outro. Um exemplo: a edição sob a forma impressa obriga a uma tomada de decisão sobre a ordenação relativa dos fragmentos; no entanto, esta ordenação pode tornar-se flexível e reconfigurável no espaço digital, dando origem a um conjunto diferente de princípios editoriais. Se usarmos a linguagem de MacLuhan, podemos dizer que a recriação do arquivo autoral e das edições do LdoD em meio digital altera a escala das nossas interações com os textos.

 

Está postulado como sendo um dos objetivos do arquivo digital «representar a dinâmica dos atos de escrita e de edição na produção do LdoD». Quanto a isso, qual é o balanço da dinâmica da edição da obra?

No que se refere à dinâmica da edição da obra, observamos quatro modelos distintos de construção do LdoD. Poderíamos resumi-la deste modo: um modelo que procura associar os fragmentos combinando afinidade temática e proximidade cronológica; um modelo que considera dois períodos e heterónimos diferenciados (Vicente Guedes e Bernardo Soares) e que, dentro de cada um deles, tenta reforçar a unidade discursiva dos fragmentos, por exemplo através da eliminação da numeração ou da reordenação interna do texto de alguns manuscritos fragmentários; um terceiro modelo, que coloca a produção de Bernardo Soares como eixo da obra e intercala os restantes fragmentos de modo que haja preponderância da voz Soares, relegando para uma parte final os grandes trechos; finalmente, um modelo que reconstitui crítica e geneticamente a cronologia dos fragmentos, aproximando o livro do arquivo da obra. É claramente observável o modo como as edições lutam entre si para legitimarem os seus modos particulares de construção do LdoD a partir do arquivo de Pessoa. Uma luta que reflete também a dinâmica comercial de concorrência no mercado do livro. Ou seja, as variações na forma textual interna do LdoD não dependem só dos critérios explícitos invocados pelos organizadores de cada uma das edições, mas também de um conjunto de fatores socioliterários implícitos.

 

Como descreve a abrangência do doutoramento em Materialidades da Literatura, criado pela Universidade de Coimbra?

O doutoramento em Materialidades da Literatura surgiu a partir do trabalho de investigação  desenvolvido ao longo da última década, que, no meu caso, incidiu especialmente sobre as questões da história e da materialidade do livro, assim como sobre a criação literária e artística em meio digital. Enquanto área de investigação, este doutoramento resulta da interseção do trabalho de vários investigadores, a trabalhar sobre problemas como a voz, a escrita, o cinema e a imagem técnica em geral; a história e as tecnologias de virtualização; e as teorias materiais da cultura — problemas com uma forte incidência na teorização literária da última década. Por outro lado, este contexto de investigação local ocorre num contexto internacional de expansão dos estudos comparados dos média e de uma teorização das mudanças sistémicas em curso nas tecnologias de inscrição e de literacia em consequência da crescente digitalização das formas culturais e dos processos sociais.

 

Nos 17 projetos de doutoramento em curso, é possível observar a emergência de uma constelação de problemas de investigação centrados na questão da materialidade e das tecnologias mediais de inscrição e comunicação na sua relação com a significação literária. Este é provavelmente o aspeto principal da reorientação metodológica que nos permitiu construir objetos de investigação diferentes daqueles que têm tido como base apenas a articulação entre literatura e cultura. A perspetiva do programa tende a ser interdisciplinar e intermedial, procurando integrar múltiplos contextos culturais, sociais e linguísticos. 

 

Portugal é um país que ainda não privilegia a leitura de livros em formato digital, quando comparado com outros países. Em que é que isto nos pode tornar diferentes de outros países na compreensão da leitura?

Independentemente dos formatos vistos como «livro digital» num sentido restrito, o facto importante a assinalar é o de que a leitura é hoje predominantemente digital e que é feita em rede, ou seja, segundo uma lógica hipertextual, que salta de documento em documento e de género em género, sem respeitar as fronteiras discursivas impostas pelos limites materiais dos meios analógicos.

A pergunta parece referir-se essencialmente à transposição da experiência do códice impresso para os tabletes digitais, cuja portabilidade permitiu que assumissem nos últimos anos a condição de principais emuladores do livro, como se neste dispositivo se tivesse consolidado um vínculo entre hardware e software que o tornasse apto a ser percebido como a reencarnação digital do livro. De facto, a publicação e a distribuição simultânea de livros nos dois formatos, que já se generalizou em alguns mercados livreiros, está ainda pouco desenvolvida em Portugal. No entanto, não vejo que decorra daí qualquer diferença na compreensão da leitura, já que a diferença específica das literacias atuais é determinada pela leitura multimodal em rede e que essa experiência caracteriza as nossas interações com os dispositivos, interfaces gráficas e conteúdos digitais, nas suas diferentes configurações, independentemente de uma distribuição de ficheiros chamados «livros» para serem lidos em e-book readers. A identificação tradicional entre leitura e livro impede-nos de perceber um conjunto vasto de outras práticas de leitura que têm lugar quer no universo impresso quer no universo digital que não dependem do «livro» enquanto formato específico.

 

Quais os principais desafios das humanidades perante a era digital?

As tendências de investigação recentes neste campo epistemológico mostram dois conjuntos de respostas diferentes no processo de remediação digital dos objetos e dos métodos das humanidades. Um grupo de respostas incorpora as ferramentas digitais, muitas das quais concebidas em domínios científicos com uma natureza fortemente instrumental, procurando transformar os métodos da disciplina em causa de modo a conformar-se à lógica da ferramenta. Disso são exemplos projetos de prospeção e visualização de dados em grandes quantidades de texto ou de imagem ou de imagem em movimento. Trata-se de adotar metodologias quantitativas no domínio da análise da linguagem, da literatura, da história, da cultura e das artes, que suplementam ou desafiam as práticas de análise hermenêutica de objetos singulares ou de pequenos conjuntos de objetos. Um segundo grupo de respostas procura conceber as próprias ferramentas digitais de acordo com os protocolos de conhecimento das práticas das humanidades, isto é, com a consciência da dimensão interpretativa e intersubjetiva do conhecimento humanístico. Por outras palavras, trata-se de usar as capacidades da tecnologia digital de modo infletido que consiga incorporar categorias como a temporalidade, a historicidade e a subjetividade específica das representações e dos seus códigos próprios. A configuração futura das «Humanidades Digitais» resultará da dinâmica entre a componente humanística e a componente digital. Creio que o principal desafio consiste na apropriação dos instrumentos computacionais para modificar os métodos das disciplinas, mas também para desenvolver métodos computacionais reflexivos e conscientes da natureza interpretativa e construída dos seus objetos.

 

A literatura está dependente da era digital? Como encarar a atitude de alguns autores de permanecerem apenas do lado de uma criação física, em papel?

Esta pergunta tem várias respostas: num certo sentido, a literatura já está dependente da era digital desde que os processos de escrita, composição tipográfica, paginação e impressão incorporaram o computador. A maior parte das obras produzidas desde a década de 1980 são digitais, mesmo quando a sua distribuição final é feita sob a forma de códice impresso. A história do processador de texto e a história dos programas de paginação demonstram que a digitalização da literatura precede a sua distribuição eletrónica em rede, que tende a constituir para nós, hoje, a perceção tipificadora dessa transformação tecnológica. Outra resposta possível: à medida que a experiência de leitura se torna predominantemente hipertextual e se centra no ecrã, a experiência literária passará a ocorrer também (e, eventualmente, sobretudo) nesse meio. Esta experiência literária digital, por sua vez, pode ser pensada de dois modos: ou como transposição dos formatos impressos para formatos digitais que mantêm a modularidade do impresso e a maior parte das suas convenções; ou como a criação de formas programadas e com origem no próprio meio digital, como acontece com a chamada «literatura eletrónica» ou «literatura digital», que incorpora como elemento da sua retórica literária a programabilidade e outras propriedades materiais do meio digital.

 

Uma terceira resposta possível, uma das que poderia ser dada pelos autores que querem permanecer do lado do papel: a intensidade da atenção e do envolvimento que o livro de papel implica, na sua ergonomia de leitura, é um elemento essencial da leitura e da experiência literária. Para estes autores, a atenção interrompida, extrospetiva, multimedial e descontínua da hiperleitura não seria compatível com a leitura contínua, introspetiva e intensa que define a experiência literária. Quer dizer que a defesa da leitura em papel é, muitas vezes, a defesa desta prática de leitura e da perceção desta prática como essencial à produção do literário enquanto tal. A meu ver, mais do que pensar na concorrência e na oposição entre digital e papel, devemos pensar na interação criativa entre papel e digital, e entre digital e papel. É isso que alguns escritores têm feito, tentando inventar experiências literárias digitais ou experiências literárias no códice intensificadas pelo uso de meios digitais. Claro que persiste o problema de saber qual será a forma típica da experiência literária na nova ecologia medial, em que a interrupção da atenção e a multimodalidade se tornam modos de interação privilegiados.

Uma pergunta possível seria esta: quais as formas e práticas que reconheceremos como experiências literárias no meio digital? Aquelas em que reconhecemos um vínculo com experiências de leitura das operações de linguagem intensificadas pelo códice? Aquelas em que reconheceremos uma profunda consciência do novo meio e das suas modalidades próprias de inscrição? Outra pergunta ainda: qual o lugar relativo da escrita e dos processos de uso e transformação da linguagem verbal na produção da experiência literária em meio digital? Poderá a experiência literária sobreviver à desvinculação entre «letra» e «literatura», permitindo-nos reconhecer «literatura» também em formas sem mediação dos códigos da escrita (formas sonoras, visuais, audiovisuais, cinéticas)? Residirá a experiência literária na apropriação do espaço eletrónico como espaço de escrita e leitura através da construção explícita e socializada de ligações entre os objetos que entendemos ler como literários? A «literatura» como categoria tem de ser produzida: não decorre da simples vinculação a determinada forma ou formato material.

 

 

 

Manuel Portela é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses e Ingleses, pela Universidade de Coimbra, e é doutorado em Cultura Inglesa pela mesma universidade. É professor auxiliar com agregação no Departmento de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Coimbra, onde dirige o programa doutoral em Estudos Avançados em Materialidades da Literatura. É investigador do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. É o investigador responsável do projecto «Nenhum Problema Tem Solução: Um Arquivo Digital do Livro do Desassossego» (Universidade de Coimbra, 2012–15). Dos seus muitos ensaios, destaque para os livros Scripting Reading Motions: The Codex and the Computer as Self-Reflexive Machines (MIT Press, 2013), e O Comércio da Literatura: Mercado e Representação (Antígona, 2003).Traduziu para português Laurence Sterne, William Blake e Samuel Beckett. Em 1998 recebeu o Grande Prémio de Tradução pela tradução de The Life and Opinions of Tristram Shandy.

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Entrevistas Booktailors: Ana Saldanha

23.04.14

 

Ana Saldanha é a entrevistada do Blogtailors no mês de abril. A escritora, que se destaca pela vasta obra no domínio infantojuvenil e que é também tradutora, nomeia o livro que traduziu, mas que gostava de ter escrito.

 

Os jovens portugueses estão a ler mais? Há motivos para ter esperança?

Estão a ler mais e melhor. A leitura de obras de ficção e de não-ficção e a leitura e a escrita dos mais variados textos em todo o tipo de suporte têm agora um papel mais importante e abrangem um número muito maior de jovens do que na minha juventude.

 

A adolescência é mais parecida com um western ou com um centro comercial?

A adolescência é uma aventura com os perigos e os conflitos de um western e com as tentações e as alienações de um centro comercial. Em Texas, Uma Aventura no Faroeste, a protagonista está à espera dos amigos no Texas, um centro comercial fictício que aparece noutros livros meus.

 

Nos seus romances juvenis e contos, tem abordado temas fortes como a pedofilia, a gravidez na adolescência, a diabetes. É importante pôr os mais novos a refletir sobre esses temas através da leitura?

Não abordo esses temas com intenções didáticas explícitas. Também não pretendo veicular uma mensagem específica. É claro que as minhas reflexões e opiniões estão no texto e que quero estabelecer um diálogo com os meus leitores e proporcionar-lhes uma oportunidade para refletirem sobre esses tópicos.

 

Há temas tabu? E devem os pais controlar as leituras dos mais novos?

Não há temas tabu, mas há formas de tratar os temas que são mais adequadas a determinadas faixas etárias. Embora não defenda a censura, acredito que, como os pais e os encarregados de educação têm uma enorme responsabilidade na formação das crianças e dos jovens a seu cargo, têm também deveres e direitos na seleção do que lhes é apresentado. O ideal seria que os adultos lessem os livros previamente.

 

O humor é determinante para agarrar os leitores mais novos?

É determinante para agarrar todos os leitores, mas não é obrigatório que provoque gargalhadas; basta que provoque um sorriso de reconhecimento do absurdo de certos comportamentos ou diálogos, por exemplo. Mesmo nas situações mais trágicas é possível encontrar momentos de comédia. Uma frase que ouvi na rua: «Aproveitaram o funeral do avô para batizar a Teresinha.»

 

Discute-se muito o isolamento das crianças, que já não convivem tanto entre elas, fechando-se nas redes sociais e videojogos. Será que a leitura se pode pôr nesse mesmo patamar de convite ao isolamento?

É uma falácia dos nossos tempos, a do isolamento dos mais novos causado pelas novas tecnologias. As redes sociais, os videojogos, a Internet em geral podem propiciar esse isolamento, mas não são uma causa direta. Convidam ao convívio e à partilha. A leitura, muito menos: não isola, integra.

 

Leitora, tradutora e escritora: onde se sente mais feliz?

São três atividades que se complementam e me completam. Custa-me imaginar a minha vida sem uma delas — e menos ainda sem as três.

 

Que pergunta deveríamos ter feito e não fizemos?

Dos livros que já traduziu, qual gostaria de ter escrito? A resposta: Colheita, de Jim Crace, publicado pela Presença.

 

 

© Ana Saldanha

 

Ana Saldanha nasceu no Porto, em 1959. Tem uma licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e fez um mestrado em Literatura Inglesa e um doutoramento sobre a obra de Rudyard Kipling e Teoria da Tradução no Reino Unido. Entre as obras que traduziu destacam-se Longo Caminho para a Liberdade, a autobiografia de Nelson Mandela (Campo das Letras) e Uma História da Leitura, de Alberto Manguel (Presença). Escreveu cerca de três dezenas de livros para crianças e jovens, dos quais se destacam Três Semanas com a AvóUma Questão de CorO Papão no DesvãoPara Maiores de Dezasseis e O Galo que Nunca Mais Cantou. O seu livro mais recente é o romance juvenil Texas, Uma Aventura no Faroeste.

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Entrevistas Booktailors: Margarida Fonseca Santos

26.03.14

 

Margarida Fonseca Santos é a entrevistada do Blogtailors na semana em que estreia o espetáculo Cantastórias — De Cor e Salteado, no qual assume a autoria do texto, das músicas e das letras. Dedica-se à escrita a tempo inteiro desde 2005, tendo desde aí publicado quase 70 títulos. Com uma obra voltada especialmente para o público infantojuvenil, Margarida Fonseca Santos ainda encontra tempo para se dedicar ao romance e às aulas de escrita criativa.

 

O espetáculo Cantastórias — De Cor e Salteado tem estreia marcada para o próximo dia 29. Não é o seu primeiro trabalho no género, e é novamente escrito inteiramente por si. É uma forma de conjugar a sua formação musical com a escrita?

Sim, junto uma das minhas paixões, escrever canções para crianças, com a paixão da escrita para teatro, que sempre me interessou. Claro, o espetáculo não seria a mesma coisa sem as orquestrações e direção musical do Francisco Cardoso, a sua colaboração é essencial para o sucesso deste projeto. Mas é muito gratificante construir o texto já com as canções, música e letra, na cabeça.

 

Nos últimos anos, tem escrito mais de dez livros por ano. Como descreve o seu processo criativo?

Uma pergunta difícil… Bom, primeiro que tudo, tenho de sentir a ideia. Pode ser uma frase, um assunto, algo que vejo. Este processo é muito mais emocional do que racional, pois ando com a ideia dentro de mim até a sentir como história. Só quando a sinto pronta, e quando digo pronta não digo «com palavras», é com emoções, escrevo-a. Costumo ser rápida nesta fase. O maior trabalho chega depois, na reescrita, no apurar das frases, das emoções descritas, nas mensagens ditas de tal forma que deixem espaço para o leitor concordar, discordar e aproveitar apenas aquilo que, no momento em que lê, faz sentido para si.

 

A maioria da sua obra é direcionada para o público infantojuvenil. Quais os livros que mais gostou de escrever? Que lugar tem o romance na sua obra?

Há livros que, para mim, são fundamentais, não só na minha escrita como na minha vida. O Aprendiz de Guerreiro (e todos os livros de O Reino de Petzet) é talvez a obra que mais tem de mim, que me emociona quando nela penso ou quando a releio. Servi-me de um mundo fantástico para falar da amizade, solidariedade, da luta por objetivos na sociedade, enquanto se fala de técnicas mentais que nos podem ajudar no dia-a-dia. Outros livros que me marcaram foram Uma Questão de Azul-escuro, O Boião Mágico e Miguel Contra-ataca (dos 7 Irmãos). É difícil escolher só uns.

De Nome. Esperança marca uma viragem que me modificou, tanto como pessoa como enquanto escritora. Gosto de viajar no silêncio dos que sofrem, dar-lhes voz e retirar da solidão o leitor. Por isso surgiu Deixa-me Entrar na Tua Vida e o próximo, De Zero a Dez. Todos eles abordam temáticas concretas: a perturbação mental, o alcoolismo e a codependência, a vida com dor crónica.

 

Trabalha para o público infantojuvenil, mas também faz várias formações para adultos, nomeadamente no âmbito da escrita criativa. Trabalhar com crianças cria pontes para trabalhar com adultos?

Talvez, nunca tinha pensado nestes termos. As formações que dou a adultos podem ser para professores ou para quem quer escrever melhor. Sendo obrigada a ponderar essa ligação, acho que posso dizer que se aprende, ao trabalhar com crianças, a ser sincero e apaixonado por aquilo que transmitimos. Levando para os adultos essa postura, talvez consiga que cada um, à sua maneira, me acompanhe e se deixe apaixonar, conseguindo ser mais sincero no que faz.

 

Como é que compara o grau de dificuldade de escrever um livro para crianças ao de escrever um livro para adultos?

A responsabilidade (não tanto a dificuldade) de escrever para crianças é enorme. A parte mais complicada é, como já referi, ser capaz de provocar o pensamento, a possibilidade de pôr a criança a concordar ou discordar, a pensar por si, a emocionar-se com as situações. Os textos moralistas não servem, a meu ver. Precisamos de ser mais abrangentes, mais impulsionadores do pensamento.

Ao escrever para adultos, em textos normalmente muito mais longos e, por isso, implicando um processo mais demorado, essa preocupação pode desaparecer. Os adultos defendem-se do que leem, são capazes de rejeitar o que não lhes diz nada. Embora tente sempre não impor a minha visão do mundo aos leitores, mas sim provocar neles um pensamento e uma consciência sobre o assunto, sinto-me mais livre na escrita. Contudo, seria incapaz de deixar de escrever para crianças.

 

Quantos trabalhos, no domínio da escrita, tem previstos para 2014?

Para já, o romance De Zero a Dez, a sair em breve; um livro da coleção 7 Irmãos, que escrevo com Maria João Lopo de Carvalho; e três livros infantis.

 

Que pergunta não fizemos e deveríamos ter feito?

Mais uma rasteira… Vou partilhar então uma convicção. Um dia, num encontro com vários escritores, perguntavam-nos se achávamos que podíamos salvar o mundo com a literatura. Respondi o que sinto: se conseguirmos salvar um bocadinho do mundo de cada leitor com a nossa escrita, estaremos sempre a melhorar o mundo de todos. É esse o meu objetivo ao escrever: ao partilhar o que sinto e o que me emociona com os meus leitores, mesmo que sejam muito poucos, estarei a cumprir essa função. Idealista? Talvez, mas é assim que vejo a minha relação com quem me lê.

 

 

© Margarida Fonseca Santos

 

Margarida Fonseca Santos nasceu em 1960, em Lisboa. A paixão por ensinar é algo que atravessa toda a sua atividade profissional. Começou a escrever aos 33 anos, um pouco por acaso. Desde 2005 que dedica por inteiro à escrita, mas sem ter abandonado por completo as aulas, agora de Escrita Criativa, para jovens, professores, adultos e professores. Há vários livros seus no Plano Nacional de Leitura, como Uma Questão de Azul-EscuroO Peixe Azul, e a coleção «O Reino de Petzet». Em coautoria, escreve a coleção «7 irmãos» (com Maria João Lopo de Carvalho) e As Aventuras de Colombo (com Maria Teresa Maia Gonzalez). Além da prosa e das canções para o público infantojuvenil, escreve igualmente para teatro e sobre escrita criativa, área em que se destacam Quero Ser Escritor! (em coautoria com Elsa Serra, 2007) e Escrita em Dia (2013). Na ficção para adultos, publicou em 2011 o romance De Nome, Esperança e, em 2013, Deixa-me Entrar na Tua Vida.

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Entrevista Booktailors: Jerónimo Pizarro

26.02.14

 

Jerónimo Pizarro é um dos mais jovens e promissores investigadores da obra de Fernando Pessoa. Foi, em 2013, comissário da presença portuguesa na Feira Internacional do Livro de Bogotá, tendo sido posteriormente condecorado pelo Presidente da República com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Também em 2013, o colombiano, que adquiriu nacionalidade portuguesa, recebeu o prémio Eduardo Lourenço. Acerca de Pizarro, o filósofo terá afirmado que este se tornou o «mais jovem dos heterónimos pessoanos». O investigador explica porquê.

 

Disse numa entrevista que o seu deslumbramento foi sempre a literatura portuguesa. O que tem de específico e especial a literatura portuguesa?

Não posso caracterizar a literatura portuguesa na sua totalidade sem ser injusto. É uma das perguntas a que tentei fugir durante a FILBo 2013, em que Portugal foi o país convidado de honra. Mas o esplendor verbal dessa literatura, que só se faz maior desde que há mais países lusófonos, e a capacidade de ser marcante desde a periferia (porque até José Saramago, em Lanzarote, e Jorge Amado, na Bahia, foram algo periféricos), é notável. Contudo, também poderíamos afirmar, fugindo às caracterizações, que nao há literaturas mas a literatura, como um todo; e, se for assim, devo dizer que muitos nomes portugueses conformam o que, para mim, leitor de autores de muitas tradições, é a literatura, ou melhor, os livros que mais me interessa reler, traduzir, discutir, revisitar, adaptar, etc.

 

Na Universidade dos Andes, onde ensina literatura portuguesa, ensina outros autores portugueses. Esqueçamos por instantes Fernando Pessoa: que outras referências da literatura portuguesa tem?

Novamente não quero ser injusto, e todos temos preferências. Mas tenho uma inclinação profissional pelo século XX e gostaria de ter o tempo para me perder por anos na vida e na obra de certos autores: Pessoa pode ser um labirinto, mas também o Almada ou o O’Neill. E para já espero homenagear, a partir da academia, muitos dos autores que admiro. As minhas traduções denunciar-me-ão... Já traduzi Ana Pessoa e José Eduardo Agualusa, por exemplo. Estou a traduzir Carla Maia de Almeida… E faltam-me planetas inteiros da Planeta Tangerina e de outras editoras que merecem todo o nosso reconhecimento.

 

Declarou um dia querer traduzir obras como O Retorno, de Dulce Maria Cardoso, e O que diz Molero, de Dinis Machado. Porquê estas obras? E que outras gostaria de traduzir?

Eu gostaria de traduzir todas as obras que me transportaram para uma nova realidade que ainda não esqueço durante umas horas ou dias; e essas fizeram-no com uma força invulgar. Quero crer que antes de escritores somos leitores, e a minha bússola são as minhas leituras. Na lista de traduções futuras ainda estão muitos poetas, entre eles José Tolentino Mendonça. Há dias em que eu gostaria de ser uma editora e que a minha obra fosse o meu catálogo: esse é o sonho de todo o grande editor…

 

Além de José Saramago, o que ficaram mais a conhecer os colombianos da literatura portuguesa depois da Filbo — Feira Internacional do Livro de Bogotá 2013?

Essa é uma «pergunta capciosa». Responderia que todos os autores convidados e traduzidos: Júdice, Amaral, Peixoto, Almeida, Carvalho 1, Carvalho 2, Letria, Pina, Cruz, Moura, e assim sim nomes, com dois números e esquecendo muitos outros… Preocupa-me mais definir os que ainda não são conhecidos. Faltam muitos.

 

Numa conferência na Universidade de Coimbra, falou na «tentação do abismo» presente na obra pessoana. É aí que reside o fascínio universal pela obra do poeta?

Fernando Pessoa cada dia será mais ninguém, como todos nós depois de desaparecermos. Ontem reli um poema de Pessoa que um dos meus alunos adora e quer pendurar na porta do seu quarto («Se te queres matar, porque não te queres matar?»):

 

Só és lembrado em duas datas, anniversariamente:

Quando faz annos que nasceste, quando faz annos que morreste.

Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.

Duas vezes no anno pensam em ti.

Duas vezes no anno suspiram por ti os que te amaram,

E uma ou outra vez suspiram se por acaso se falla em ti.

 

Com a passagem do tempo, Fernando Pessoa será mais um símbolo e duas datas do que o homem que foi; e somos nós e as gerações futuras que ocuparemos esse «coração de ninguém».

 

Está a constituir-se, na Universidade de Coimbra, um arquivo digital sobre o Livro do Desassossego. Numa entrevista, afirmou que os arquivos físicos por explorar dos autores conferem mais «densidade» aos textos. Como é que o físico e o digital se articulam no seu trabalho de crítico textual?

Para mim a literatura está perante duas vidas: a das humanidades tradicionais e a das humanidades digitais. E todos os autores deviam ter uma vida dupla, em papel e em ecrã. Nas bibliotecas «reais» continuaremos na Idade da Pedra, mais tangível; nas bibliotecas «virtuais» na Idade da Nuvem, mais intangível. E temos de tender, mais e mais, a ter essas duas vidas e a fornecer essas duas vidas a certos autores, Nenhuma editora parece hoje capaz de publicar o espólio completo de Fernando Pessoa; cada uma quer partes, e o resto podia ficar na net. 

 

Venceu a 9.ª edição do prémio Eduardo Lourenço, e terá sido este filósofo a afirmar que se tornou o «mais jovem dos heterónimos pessoanos». Sente-se heterónimo?

Sinto-me um autor fictício de Pessoa, sim, como todos os seus leitores, editores, críticos e tradutores. Pessoa inventa-nos; nós inventamos Pessoa. O múltiplo multiplica-se… Lourenço foi um dos primeiros — e também mais jovens — heterónimos pessoanos há algumas décadas. E muitos mais hão de vir.

 

Disse não saber se teria «uma porta de saída» depois de ter entrado no espólio de Fernando Pessoa. Pensa se quer devotar toda a sua investigação ao autor?

Nao, isso está claro: não quero. A minha investigação académica nunca poderá ser pessoana apenas; e a humana também não. Simplesmente Pessoa deixou um espólio para milhares de anos e pessoas, e sei que esse espólio é muito mais vasto do que os anos que eu ainda possa viver. Darei um contributo, uma série de contributos, e pouco mais.

 

A imagem que temos hoje de Fernando Pessoa pode vir a mudar com aquilo que está por descobrir no espólio?

Com certeza, até porque, se não mudar, vamos aborrecer-nos muito. Já não consigo reler certos versos e certas linhas…

 

Se tivesse oportunidade, que pergunta faria a Fernando Pessoa?

Outra pergunta que costumo elidir; nem sei o que perguntaria à minha avó se a reencontrasse um dia… Mas talvez lhe perguntasse se já leu alguma da bibliografia publicada depois de 1935… Gostaria de ver o seu sorriso.

 

 

© Jerónimo Pizarro

 

Jerónimo Pizarro é professor da Universidade dos Andes, titular da Cátedra de Estudos Portugueses do Instituto Camões na Colômbia e doutor pelas Universidades de Harvard (2008) e de Lisboa (2006), em Literaturas Hispânicas e Linguística Portuguesa. No âmbito da Edição Crítica das Obras de Fernando Pessoa, publicadas pela INCM, já contribuiu com sete volumes, sendo o último a primeira edição crítica de Livro do DesasocegoPizarro coordenou ainda duas novas séries da Ática (1. Fernando Pessoa | Obras; 2. Fernando Pessoa | Ensaística). Em 2013, assumiu funções de comissário da presença portuguesa na FILBo – Feira do Livro de Bogotá (Colômbia) e foi distinguido com o Prémio Eduardo Lourenço. Em abril do mesmo ano, foi agraciado pelo presidente da República com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Já em 2013, editou Eu Sou Uma Antologiae uma nova edição do Livro do Desassossego (Tinta da China). Jerónimo Pizarro é um autor Bookoffice.

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Entrevista Booktailors: Fátima Vila Maior

13.11.13

 

Na semana em que arranca o Festival IN, a Booktailors entrevista a diretora da Área de Feiras da FIL e responsável, nesta primeira edição do festival, pelo setor da Edição e Criação Literária. O que tem o Festival IN a oferecer aos autores portugueses? «Dar início ao processo de internacionalização» é a prioridade, nas palavras de Fátima Vila Maior.

 

Quais os principais objetivos do Festival IN no setor de Criação Literária?

A Fundação AIP (Associação Industrial Portuguesa), consciente do seu compromisso para com as empresas e os empreendedores portugueses, criou este festival para que pessoas de diversos quadrantes tenham um espaço de aprendizagem, interação, networking e partilha de experiências. Durante quatro dias, autores, artistas, pintores, produtores, músicos, publicitários, designers, programadores informáticos, enfim, criadores, sonhadores e empreendedores vão estar num único local para promoção dos seus negócios e projetos. Tanto para o setor de Criação Literária como para qualquer um dos outros 14 setores representados no Festival IN, o objetivo é o de dar início ao processo de internacionalização das indústrias criativas e culturais portuguesas e em concreto dos autores portugueses ou da língua lusófona.

 

Que participantes pretende o festival atrair neste setor?

O Festival IN pretende atrair todos os portugueses que se considerem empreendedores, sonhadores e criativos. Mas também os investidores vão estar presentes no maior encontro sobre indústrias culturais e criativas realizado em Portugal.

O Festival IN surge como rampa de lançamento e afirmação das indústrias culturais e criativas portuguesas no contexto internacional. Em Portugal vão estar alguns dos mais importantes investidores nas mais diversas áreas. Esta é uma oportunidade única para todos os portugueses que tenham uma pequena ou média empresa, ou até mesmo para as grandes empresas presentes no Festival IN, apresentarem os seus projetos a quem está disponível para investir.

 

O que poderão os participantes neste festival ganhar ao entrar nesta iniciativa?

Dar a conhecer os seus projetos aos 60.000 visitantes é o mínimo garantido a cada um dos participantes. O Festival IN distribui-se pelos quatro pavilhões da FIL e contará, no seu programa, com speed conferencesworkshops, espaços de networkingshowcases e áreas para os empreendedores exporem as suas ideias e os seus projetos. A FIL será, por isso, um ponto de encontro entre diferentes agentes até então desencontrados (criadores, investidores e consumidor final) que permitirá não só fomentar negócio como oferecer, às empresas, uma nova forma de encontrar ideias e soluções inovadoras. O Festival IN apresenta-se como um evento inovador, ancorando experiências sensoriais (interações físicas e virtuais) nos mais diversos setores, que têm a sua origem na criatividade individual, habilidade e talento — Cultura, Artes, Multimédia, Telecoms e Tecnologias da Informação, Comunicação, Design e Artes Performativas.

 

Como avaliaria a atual situação do mercado editorial em Portugal?

O mercado das indústrias culturais e criativas está também, e naturalmente, a sofrer o efeito da crise económica e financeira que assola o país. É sabido por todos que a aquisição de bens culturais tem vindo a baixar ao longo dos últimos anos mas a palavra «crise» tem de dar lugar à palavra «oportunidade» e devem ser encontrados novos modelos de negócio e de proteção intelectual, por exemplo, que protejam todos os intervenientes neste setor.

 

O que pode este festival trazer de novo para o setor editorial nacional?

O Festival IN pretende, acima de tudo, ser um ponto de encontro para todos os interessados, direta ou indiretamente, nas indústrias culturais e criativas. Não nos podemos esquecer que, num único espaço, vão estar pessoas de diferentes setores e que esta será uma oportunidade única para criar sinergias e alavancar projetos entre áreas que andam, na maior parte do tempo, distantes umas das outras.

 

 

© Fátima Vila Maior

  

Fátima Vila Maior é licenciada em economia, entrou para a Associação Industrial Portugal — Feira Internacional de Lisboa, em 1984. Atualmente desempenha as funções de Directora de Área de Feiras da FIL — AIP — Feiras, Congressos e Eventos, e tem sob a sua direção a organização dos eventos BTL, Festival IN, Alimentaria & Horexpo, PET Festival e FIL Outlet e a coorganização portuguesa na Feira Internacional de Cabo Verde.

Foi, durante o seu percurso, no âmbito da FIL, responsável pela Filmoda, Ceramex, Interiores, FIL Antiguidades, SIL entre outros projetos.

Dentro da AIP, passou pelos departamentos de economia, publicidade e protocolo, associativismo e direção de marketing, até assumir as funções que tem hoje.

Entre 2005 e 2009 foi diretora da Área de Relações Internacionais da AIP.

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Nova campanha de descontos. Novidades 2013: [Lisboa] Marketing do LivroEscrevi um livro. E agora?.

Entrevista Booktailors: Nuno Camarneiro

16.10.13

 

É o segundo Prémio LeYa de nacionalidade portuguesa e de formação em engenharia. O que à partida parece uma fórmula para ganhar, afinal «tem muito de arbitrariedade». Talvez porque é simplesmente «um masoquista das ideias», atreveu-se a escrever e continua a autoflagelar-se, agora pela terceira vez. Um dia depois de ter passado o testemunho a Gabriela Ruivo Trindade, vencedora do Prémio LeYa 2013, Nuno Camarneiro fala do que mudou com o prémio e de um novo livro que, a manter-se o ritmo, talvez esteja terminado ainda durante o próximo ano.

 

É o segundo escritor a vencer o prémio LeYa que estudou engenharia. Há alguma fórmula física que contenha a solução para escrever livros premiáveis?

Não me pus o problema de escrever um livro premiável e portanto também não procurei uma solução. Há uma grande dose de arbitrariedade nos prémios literários, como na mecânica quântica.

 

A vida muda depois de um prémio LeYa? (Além da conta no banco e dos impostos, claro.)

A vida mudou um pouco, sim, passei a ter mais compromissos, alguns agradáveis, outros menos. 

 

Tem alguma ideia sobre o que fazer aos 100 mil euros do prémio?

Ainda não me decidi. Talvez gaste tudo em livros e dê entrada para uma casa onde os possa albergar.

 

Ser premiado com o prémio LeYa ao segundo romance não o faz sentir o peso da pressão na escrita do terceiro?

Há sempre tantas pressões para a escrita de um romance que essa é apenas mais uma. Preocupam-me mais as outras, que são internas e por vezes insondáveis.

 

Foi convidado este ano para a Bienal do Rio e, ainda antes do final do ano, regressará a terras de Vera Cruz. Depois disto, o objetivo é o prémio PT?

Não tenho qualquer objetivo que passe por ganhar um prémio. Escrevo pelo prazer e pela dor que a escrita me traz, sou um masoquista das ideias.

 

Como tem sido recebido no outro lado do Atlântico?

Muito bem. Fiquei agradado por perceber que a minha linguagem funciona lá também. Ainda não tenho um público brasileiro, mas começo a ter alguns leitores fiéis.

 

Nota alguma diferença entre os leitores brasileiros e os portugueses?

Não consigo ter essa noção de conjunto. Haverá diferenças entre os leitores de Braga e de Faro? Os leitores de literatura não costumam encaixar bem em estereótipos.

 

Mantém o blogue Acordar Um Dia, onde publica habitualmente poesia. Para quando um livro deste género literário?

Quando achar que faz sentido e me convidarem para o fazer. Com os romances, tenho a preocupação de os publicar, para que terminem e me veja livre deles; os poemas são bichos amigos que não me importo que andem lá por casa.

 

Para quando podemos esperar um próximo livro?

Se mantiver o ritmo de escrita, é provável que termine o próximo romance a meio de 2014.

 

Envolverá escritores falecidos em diferentes locais ou diferentes personagens num mesmo espaço?

Envolverá personagens vivas em diferentes locais e pelo menos um escritor falecido.

 

Que pergunta não fizemos e deveríamos ter feito?

Que pergunta fizemos e não devíamos ter feito? 

 

 

© Helena Belo

 

Nuno Camarneiro nasceu na Figueira da Foz em 1977. Licenciou-se em Engenharia Física pela Universidade de Coimbra, trabalhou no CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear) e doutorou-se em Ciência Aplicada ao Património Cultural pela Universidade de Florença. Atualmente desenvolve a sua investigação na Universidade de Aveiro e é docente no Departamento de Ciências da Educação e do Património da Universidade Portucalense. Em 2011 publicou o seu primeiro romance, No Meu Peito Não Cabem Pássaros, saudado pela crítica, publicado também no Brasil e cuja tradução francesa está prevista para breve. Foi o primeiro autor escolhido pela Biblioteca Municipal de Oeiras, parceira portuguesa da iniciativa, para participar no Festival do Primeiro Romance de Chambéry, França. Publicou um texto na prestigiada Nouvelle Revue Française na rubrica «Un mot d’ailleurs» e tem diversos contos em revistas nacionais e estrangeiras.

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Nova campanha de descontos. Novidades 2013: [Lisboa]  Revisão de Texto - nível inicialProdução e Orçamentação Gráfica, Marketing do LivroEscrevi um livro. E agora?[Porto] Escrevi um livro. E agora?.

Entrevistas Booktailors: Francesco Valentini [parte II]

13.12.12

 

[Parte I]


Há ainda muitos autores que Francesco Valentini, da Nova Delphi, gostaria de publicar. No entanto, tratando-se de um projeto a longo prazo, haverá tempo para os incluir no catálogo, apesar das dificuldades que o mercado português impõe a uma editora com a dimensão da Nova Delphi, nomeadamente o eterno problema da distribuição. Mas haja ideias para contornar as dificuldades, e isso é algo que não falta a Francesco Valentini.

 

A crise já obrigou a repensar o plano editorial?

Se pensar que nós começámos a publicar em 2010, quando a crise estava já muito presente… Sim, fizemos alguns ajustes, mas nada que alterasse profundamente o nosso plano inicial.

 

Que escritor gostava de poder editar e ainda não o fez?

Somos uma editora com um projeto de longo prazo. A maioria dos escritores vivos de que nós gostamos, obviamente, ainda não foi publicada por nós, mas ficaríamos muito satisfeitos se, talvez dentro dos próximos 20 anos, conseguíssemos publicar pelo menos uma pequena parte deles.

 

Gosto de pensar que a vida de uma editora possa ser representada como se fosse um livro, em que cada coleção realizada possa representar os capítulos do livro e as histórias dos autores publicados são as histórias dos protagonistas de cada capítulo. Com base nesta metáfora, a Nova Delphi ainda não terminou de escrever o primeiro capítulo. Esta é a única resposta sensata que posso dar.

 

Tem tablet? Ou não se imagina a ler e-books?

Tenho e já li e-books. Antes do tablet tive um e-reader. Não têm nada a ver, mas isto para dizer que tenho acompanhado as novas tendências, as novas formas de ler, os novos suportes. É uma área pela qual me interesso e à qual dedico muitas horas de leitura e estudo.

 

Além disso, a Nova Delphi apostou desde o início em ter todos os seus livros publicados no formato tradicional e em e-book, em vários formatos para facilitar a leitura nos diversos suportes que existem no mercado. Por exemplo, os nossos e-books estão disponíveis no formato ePub e mobi (para o Kindle).

 

O que é que um editor tem de saber para sobreviver no mercado português?

A pergunta é intrigante, mas vou tentar responder desta forma: existem duas grandes barreiras à entrada de um novo editor no mercado editorial português, sobretudo se for pequeno. A primeira barreira – que é comum a todos os mercados editoriais ocidentais que conheço – é a da distribuição. A distribuição em Portugal é mal organizada, a situação financeira dos distribuidores independentes é péssima. Na realidade, o que acontece é que o distribuidor gere indevidamente a tesouraria dos seus clientes editores mantendo-os pela garganta… A única distribuição que funciona é a que pertence aos grandes grupos editoriais que todos nós conhecemos, que, obviamente — e eu acho que com razão —, privilegiam as suas próprias marcas editoriais. A segunda barreira — na minha opinião, ainda mais grave do que a primeira — é a total ausência de informação estatística organizada sobre as várias fases da fileira editorial. Bom, na realidade esta informação existe, mas o acesso a ela está sujeito a um preço elevado, o que não permite que editores mais pequenos, que queiram entrar no mercado ex novo, possam ter uma ideia prévia do funcionamento do mercado editorial, de como é estruturado e de quais as tendências editoriais atuais e quais serão as tendências futuras. Consequentemente, existem muitas dificuldades na conceção de estratégias editoriais ganhadoras e direcionadas para identificar nichos de mercado a ser explorados.

 

As considerações acimas referidas são mais interessantes, e explicam muitas coisas, se considerarmos que a indústria editorial em Portugal no período 2008-2011 (no pior período de crise) representou um dos poucos setores da economia, baseada no mercado interno, que apresentou dados anticíclicos. Em suma, estamos perante um setor económico, o editorial, que realizou um volume de negócios positivo, aumentou em vez de diminuir. Então, talvez essa pergunta — e digo isto com alguma ironia — deve ser reformulada da seguinte forma: o que pode fazer uma editora em Portugal para sobreviver? E porquê sobreviver em vez de viver de facto, quando há espaço à conta do crescimento do setor?

 

Dê-nos uma boa ideia para o setor editorial português.

Como eu sou muito generoso, quero fornecer duas boas ideias… que espero que sejam úteis:

1) Criar uma plataforma digital e uma base de dados estatísticos comuns a todos os operadores do setor editorial, os editores e não só, plataforma que possa ser adquirida a preços baixos e onde encontrar todas as estatísticas do mundo do livro, do autor ao leitor. Na Itália existe (ver aqui: http://www.ie-online.it/sx/sx.html) e ajuda principalmente as pequenas e médias empresas da fileira editorial, pois assim conseguem cruzar dados e ajustar a oferta à procura. Aproveito para fazer um convite à APEL, em particular, para fazer o acompanhamento desta iniciativa, sem medo, todos nós precisamos;

 

2) Criar, por parte do mundo editorial em colaboração com os meios de comunicação de massa tradicionais (televisão), e com os novos media digitais (redes sociais), programas culturais e formatos que permitam explicar aos jovens que ler (e ler livros tanto em versão em papel quanto digital, não importa… o importante é ler) é bom para a saúde, melhora a vida, diminui o stresse. Citando indevidamente Umberto Eco, acho que existem duas experiências religiosas que dão a vertigem de prazer, uma é o sexo, a outra é a leitura, a primeira faz vibrar o corpo, a outra a mente: se nós pusermos os assuntos nesses termos, ainda conseguimos um percurso mais persuasivo com o objetivo da formação cultural dos jovens.

 

O que distingue o mercado editorial português do italiano?

O mercado editorial italiano e o português são mercados que estruturalmente se assemelham: oligopólios consolidados com severas restrições sobre a concorrência na distribuição do livro. Há uma diferença quantitativa, que se transforma em qualitativa, como muitas vezes acontece: a população italiana, embora inclinada a ler tanto quanto a portuguesa, é cerca de seis vezes a população lusitana; portanto, tenho a sensação de que em Itália há mais espaço para os pequenos e médios editores sobreviverem com dignidade; isso é o que também me foi confirmado pelo Dr. Germano Panettieri, diretor editorial da filial italiana da Nova Delphi (http://www.novadelphi.it). Apenas para ter uma ideia, eis alguns dados disponíveis postos online no mês de outubro de 2012 pela associação italiana AIE (http://www.aie.it/), homóloga da APEL:

 

• Títulos publicados: (2010) 57 558; (2011) 63 800 (10,8%);

• Mercado (total) e volume de negócio com base o preço de capa:

- (2010) 3 470 779 mil euros (0,5%);

- (2011) 3 309 713 mil euros (-3,4%);

• Compradores de pelo menos um livro durante o ano de 2011: 22,8 milhões (44% da população com idade acima de 14 anos).

 

Finalmente um desejo: espero que ambos os mundos editoriais, o italiano e o português, com uma língua e uma literatura tão ricas, possam, no futuro, encontrar-se não só para avaliar o que os diferencia e enriquecê-los mas também para descobrir as fundações que partilham e que lhes dão origem.

 

 

 

Francesco Valentini nasceu em Gorizia, Itália, em 1966. Licenciou-se em Direito, área onde exerce até hoje a sua atividade profissional enquanto advogado de negócios internacionais e perito em direito fiscal e comercial internacional. Vive no Funchal, Madeira, com a família desde 1995. Em 1996 partilhou a vida profissional com o ensino em várias universidades. Foi docente dos mestrados em Direito Tributário, Direito da Economia e da Empresa em universidades públicas (Bolonha, Bari, Roma, Lisboa) e organizações privadas (Milão, Roma, Bolonha, Bari). No final de 2009, concretizou um sonho antigo ao fundar uma editora, a Nova Delphi, que tem sede no Funchal e uma filial em Roma. O desafio era, e continuará a ser, conjugar um setor empresarial tradicional com as novas tecnologias e, por outro lado, promover eventos culturais como o Festival Literário da Madeira, que se concretiza em parceria com a Booktailors. Em 2010, traduziu O Banqueiro Anarquista, de Fernando Pessoa, para a língua italiana, obra publicada em Itália pela Nova Delphi.

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Coleção «Protagonistas da Edição», 1.º volume Fernando Guedes: O decano dos editores portugueses disponível para encomenda através do e-mail encomendas@booktailors.com, por 10,80 €, com portes de envio incluídos (válido para território nacional).

Entrevistas Booktailors: Francesco Valentini [parte I]

11.12.12

 

[Parte II]


Entre Portugal e Itália, Francesco Valentini escolheu a Madeira para concretizar um sonho antigo: fundar uma editora. Nasceu assim a Nova Delphi, em finais de 2009, que, apesar da sua juventude, revela maturidade em termos de catálogo e inovação, tendo, desde o início, procurado publicar todos os seus livros em todos os formatos disponíveis para a leitura. Mas nem só da edição de livros vive a Nova Delphi, que, em parceria com a Booktailors, organiza o Festival Literário da Madeira, que conhecerá em 2013 a sua terceira edição.


Quais são as grandes dificuldades de uma pequena editora com sede numa ilha como a Madeira?

Não serão muito diferentes das dificuldades de uma pequena editora sediada em Trás-os-Montes, Faro, ou até em Lisboa.

As pequenas editoras sentem as mesmas dificuldades que as grandes editoras sentem nesta altura em que há uma maior contenção, mas com uma diferença: é que as grandes editoras têm por detrás grandes grupos que lhes proporcionam a colocação e permanência nas livrarias com uma agressividade que as editoras mais pequenas não conseguem. Mas hoje a Internet veio dar uma ajuda na exposição dos livros, dos autores, e permitir outras facilidades de venda além do prazo de validade imposto pelo mercado.

Todo o trabalho editorial que fazemos pode ser feito em qualquer sítio, desde que tenhamos um computador e um telefone. Portanto, a localização geográfica é secundária para este trabalho. Em contrapartida, não estarei muito errado se disser que, se estivéssemos sediados em Lisboa, estaríamos mais perto dos grandes eventos, da imprensa, e que teríamos outras facilidades para os lançamentos, que teríamos (talvez) outras facilidades que o contacto direto proporciona.

 

Organizar um festival literário na Madeira é uma teimosia ou um serviço público?

Foi um sonho motivado por uma oportunidade que, neste caso, a Madeira oferecia. É uma região muito ativa culturalmente, mas fazia falta um evento que concentrasse e mobilizasse durante vários dias a atenção especificamente em torno dos livros, dos autores, da reflexão em torno de temas da atualidade, e que proporcionasse um contacto entre estes e o público de uma forma direta. O Festival Literário proporciona momentos de descontração e de grande proximidade entre escritores e leitores; sentam-se lado a lado nas sessões, conversam nos intervalos, até podem cruzar-se nos eventos noturnos, que já se tornaram uma marca deste Festival. Tudo isto é possível e decorre com grande naturalidade. Um espaço em que se falasse e respirasse cultura durante vários dias era um momento que queríamos muito criar. E, de facto, aconteceu.

Se existisse algo semelhante, possivelmente não o faríamos. Mas, desde o início da nossa atividade, a Nova Delphi sempre assumiu três áreas, que se entrecruzam mas que são trabalhadas autonomamente, o livro em papel, o livro digital e os eventos culturais. Portanto, é uma teimosia que está na nossa génese.

O FLM é serviço público? Não nos colocamos nesse patamar. Este será sempre um projeto empresarial, que está pensado a vários anos. Por exemplo, nunca escondemos que haverá um momento em que as entradas para o evento terão de ser pagas. Só não o fizemos ainda porque estamos numa fase de criação e fidelização de público, e o facto de ser gratuito é assumido como uma forma de promoção do próprio evento. O Festival foi concebido desde o início com o objetivo de criar um modelo, não só cultural mas também económico, ou seja, um evento que pudesse tornar-se, a partir do quinto ano, financeiramente autossuficiente. Para nós, cada ano que passa é importante porque nos permite aperfeiçoar o modelo de sustentabilidade económica do evento festival.

A ida às escolas é também uma promoção do FLM. Às escolas, interessa que os seus alunos tenham este contacto com escritores nacionais (um momento raro); ao FLM, interessam as oportunidades que esta iniciativa cria, ou seja, promoção direta do evento junto de um público potencialmente interessado, mas também uma formação a longo prazo de novos públicos. É tudo um investimento. Investir em cultura é uma mais-valia para nós e para a região.

Tudo isto para dizer que, além do interesse cultural para a região, um contributo que está pensado desde o primeiro momento, além da promoção da Nova Delphi como organizadora de eventos, este é um projeto sustentado e sustentável a longo prazo. Não o poderíamos fazer sozinhos. Tivemos apoios públicos e privados das mais diversas espécies. Contamos com o envolvimento voluntário de uma série de pessoas, contamos com empresas que não se limitaram a dar o apoio pedido, foram parceiros porque se envolveram no projeto, deram sugestões e estiveram em todo o processo de organização.

Por fim, e porque gostaria de fazer um destaque especial, tivemos o apoio inestimável da Booktailors desde a primeira hora. Fomos parceiros desde o primeiro momento no sonho, na forma como se construiu a ideia, como se desenvolveu. Antes de tudo o mais, se acreditar numa ideia é teimosia, fomos teimosos até ao fim.

O FLM vai agora para a sua 3.ª edição. Se tudo correr bem, como esperamos, 2013 será o ano em que a marca FLM se consolidará e se afirmará. Estamos apostados em dar uma dimensão cada vez mais internacional a fim de tornar este um evento de interesse nacional, mas que tem a particularidade de se realizar na Madeira.

 

Tem sentido um maior envolvimento da comunidade em torno do festival?

É curiosa a forma como as pessoas nos abordam para saber novidades da próxima edição e como aproveitam esse momento para dar sugestões de autores. Perguntam-nos se virá este ou aquele autor, querem saber onde e quando vai acontecer… À medida que o tempo passa, o contacto e o envolvimento das pessoas é mais fácil porque já conhecem, sabem como funciona e quais as potencialidades. Além das escolas que nos acolhem, os espaços que recebem os vários momentos do FLM também se esforçam por alargar a participação a outras pessoas, publicitam o evento de forma autónoma. Quer isto dizer que se sentem, de facto, envolvidos.

Aliás, esse é um dos objetivos do Festival. Tem sido uma preocupação constante tornar este Festival um evento que pertença à ilha, que se possa confundir com a ilha e com as suas gentes, com a cidade do Funchal, o berço do FLM. O Funchal tem uma importância histórica que queremos destacar, é um ponto de passagem nas viagens transatlânticas, é porto de abrigo, recebe navegadores, exploradores, viajantes, pessoas do mundo. Hoje, a porta de entrada na ilha já não é essencialmente por mar, mas porque não o Funchal e a ilha da Madeira se tornarem uma passagem obrigatória no mar de cultura literária que produzimos? Não falo apenas do que produzimos em Portugal, mas do que se escreve e publica pelo mundo. Porque não apostar em reunir em Portugal, no meio do Atlântico, na ilha da Madeira, um Festival que pense e discuta temas que interessam ao Homem, independentemente da sua língua? O Festival pode e deve confundir-se com a ilha e a ilha com o Festival. O FLM não é de quem o organiza, mas de quem o vive.

 

Que autores gostava de ver numa das próximas edições do festival?

Há tantos! Há alguns que, temo, podem vir a ser traídos pelo tempo.

 

Editorialmente, quais são propósitos da Nova Delphi?

Somos uma editora média-pequena que ambiciona tornar-se grande. Temos sete coleções ativas, o que, em pouco mais de dois anos, não me parece pouco. Respetivamente, (i) «Mnemosyne», coleção de literatura clássica, que inclui clássicos literários nacionais e internacionais; (ii) «Clio», coleção de literatura contemporânea, até agora representada apenas por importantes autores estrangeiros traduzidos em Português (autores portugueses, por favor, cheguem-se à frente, estamos à espera das vossas propostas!); (iii) «Pandora», coleção de ensaio contemporâneo, onde já publicamos Naomi Wolf e publicaremos Z. Bauman; (iv) «Pallas Athenas» é uma coleção de não-ficção de género, em relação à questão da diferença cultural, que também inclui o feminismo; (v) «Cadernos de Madeira» é uma coleção em homenagem ao lugar onde estamos sediados e que tem como objetivo oferecer um olhar diferente e transversal ao microcosmo e aos problemas económicos e sociais dum arquipélago ultraperiférico; (vi) uma coleção a que chamamos «Fora de série», que abriga todos os livros que não resistimos a publicar, mas que não cabiam de forma nítida em nenhuma das coleções já em fase de desenvolvimento; e, finalmente, (vii) a chancela «As Joaninhas», que só começou em 2011, e é onde se concentra a nossa produção de livros para crianças e jovens. Em dois anos e meio de atividade, conseguimos o total de 27 livros.

As nossas intenções para o próximo ano passam por consolidar as coleções que já estão ativas e manter uma velocidade de cruzeiro em termos de números de novas publicações de, pelo menos, 20 títulos por ano (ou 40, se pensarmos que as publicações em papel têm também formato digital).

Finalmente, além da consolidação acima referida, estamos a trabalhar no projeto de duas novas coleções para o 2.º semestre de 2013, as quais — diria eu — vão representar uma novidade absoluta no panorama editorial português e que, à conta disso, não me permite revelar mais pormenores por medo da concorrência (!!).

 

O feminismo ainda vende livros?

A pergunta encerra uma afirmação… Pressupõe que em algum momento «o feminismo» vendeu muitos livros. Tem dados? É que eu não os consegui…

Bom, naturalmente que a venda dos livros é um fator a ter em conta; no entanto, na coleção «Pallas Athenas», feminismo não foi um ponto decisivo, sendo que tínhamos estimativas. Tínhamos um dado mais importante, que para nós foi o suficiente. O interesse por esta área tão específica tem crescido na sociedade, ao mesmo tempo que crescem os estudos feministas e de género. Havia muitos livros essenciais nesta área que não estavam disponíveis em língua portuguesa. Por outro lado, tem havido muita produção nas nossas universidades e que não estava a ser publicada. Nesta equação muito simples, só havia um resultado, criar uma coleção bem delimitada que servisse de repositório e de base para os estudos feministas e de género.

 

 

 

Francesco Valentini nasceu em Gorizia, Itália, em 1966. Licenciou-se em Direito, área onde exerce até hoje a sua atividade profissional enquanto advogado de negócios internacionais e perito em direito fiscal e comercial internacional. Vive no Funchal, Madeira, com a família desde 1995. Em 1996 partilhou a vida profissional com o ensino em várias universidades. Foi docente dos mestrados em Direito Tributário, Direito da Economia e da Empresa em universidades públicas (Bolonha, Bari, Roma, Lisboa) e organizações privadas (Milão, Roma, Bolonha, Bari). No final de 2009, concretizou um sonho antigo ao fundar uma editora, a Nova Delphi, que tem sede no Funchal e uma filial em Roma. O desafio era, e continuará a ser, conjugar um setor empresarial tradicional com as novas tecnologias e, por outro lado, promover eventos culturais como o Festival Literário da Madeira, que se concretiza em parceria com a Booktailors. Em 2010, traduziu O Banqueiro Anarquista, de Fernando Pessoa, para a língua italiana, obra publicada em Itália pela Nova Delphi.

 

Esta entrevista continua quinta-feira, dia 13 de dezembro.

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Coleção «Protagonistas da Edição», 1.º volume Fernando Guedes: O decano dos editores portugueses disponível para encomenda através do e-mail encomendas@booktailors.com, por 10,80 €, com portes de envio incluídos (válido para território nacional).

Entrevistas Booktailors: António Reis

06.12.12

 

António Reis é jornalista de profissão, mas isso não o impede de reconhecer a fraca presença dos livros nos meios de comunicação social. Adepto da prosa e, cada vez mais, das edições em formato digital, classifica a oferta de autores portugueses como «uma piscina», quando comparada ao «oceano» de autores estrangeiros. Contudo, diz que «o importante é ter onde nadar», e, quanto a isso, não há dúvida de que esse espaço existe.


Como faz as suas escolhas de leitura?

Na maior parte das vezes, os livros vêm ter comigo. Acontece muitas vezes, numa conversa entre amigos, e lá vem o livro tal de tal autor, como alguma coisa que tenho mesmo de experimentar. A coisa corre quase sempre bem, mas já tenho desperdiçado algumas balas…

 

Lê os suplementos de cultura dos jornais para se guiar no momento de comprar livros?

Sempre. Faço por ler todos os suplementos, mas não me guio pelo número de estrelas atribuído pelo crítico. Já tive gratas surpresas e monumentais desgraças, ao deixar-me levar pelos suplementos. Ultimamente prefiro as edições de formato digital. Além da crítica e da entrevista ao autor, permitem a leitura de um excerto do livro, apresentando as primeiras 20 ou 30 páginas.

 

Os meios de comunicação social falam pouco de livros?

Pouquíssimo. As televisões só vão aos best-sellers e aos prémios literários, e quando vão. Nos jornais diários, livro é ave rara, na rádio há uma ou outra entrevista, e agora a TSF faz e muito bem o Livro do Dia.

 

Prefere literatura portuguesa ou estrangeira? E que género prefere?

Prefiro as duas, embora leia muito mais autores estrangeiros. É normal. A oferta estrangeira é um oceano; a portuguesa, uma piscina. O importante é ter onde nadar, e felizmente vamos tendo. Quanto à segunda parte da pergunta, prosa, sempre. Conto, novela, romance, ficção, biografia, desde que seja texto corrido.

 

Na dúvida, a credibilidade da editora ajuda a tomar a decisão de comprar um determinado livro?

Houve tempos em que seguia os catálogos de uma ou outra editora como se tivesse o catecismo na mão. Graças a deus que me deixei disso e passei a concentrar-me exclusivamente nos escritores. Felizmente temos excelentes autores em todas as editoras.

 

Há alguma editora cujo catálogo acompanhe?

Não. Apenas espreito a oferta existente no fim de alguns livros.

 

Frequenta os festivais literários ou o contacto com o escritor não é importante para si?

Não. Às vezes tenho pena de não o fazer. Sobre o contacto com o escritor… É uma situação difícil. Já por duas ou três vezes tive a sensação de estar perante deus ou Maradona, o que pode ser horrível e maravilhoso, e que seguramente tem o seu quê de frustrante. Dizer o quê a deus e a Maradona? O risco de escolher palavras relativamente estúpidas é enorme e por isso prefiro ficar calado.

 

O aspeto gráfico do livro (capa, paginação, tipo de papel) é importante no momento da escolha?

Sim, não e talvez. A paginação, sim. Por exemplo, ando há um tempito a deixar o Correcções, do Jonathan Franzen, na prateleira, porque foi editado numa letra muito miudinha.

 

Os livros são caros?

Se o dinheiro fosse todo para o escritor e o escritor escrevesse só para mim, até que eram baratos. Assim, como as coisas são, são caros. E pior está o caso nas edições digitais, cujo preço considero um assalto. Sem custo de impressão, papel e distribuição, ficam quase ao mesmo preço da edição «normal». É um perfeito disparate.

 

Sente que é importante partilhar as suas leituras com amigos, bem como as conclusões que delas tira?

Fundamental. De que serve uma boa notícia (um bom livro), se não puder ser partilhada(o)?

 

Que livro está a ler neste momento?

Quase quase a terminar Rabos de Lagartixa, do Juan Marsé. E com Uma Viagem à Índia, do Gonçalo M. Tavares em lista de espera, pronto a ser atacado.

 

Qual o livro cuja leitura mais prazer lhe deu?

Há 20 anos, o 1984, do George Orwell. Mais recentemente o 2666, do Roberto Bolaño, o Jerusalém, do Gonçalo M. Tavares, As Travessuras da Menina Má, do Mário Vargas Llosa, e Ernestina e Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia, do José Rentes de Carvalho.

 

Qual o escritor a que não consegue resistir?

Roberto Bolaño.



 

António Reis nasceu em 1974, em Vila Nova de Gaia. É maluco por futebol e por livros, não necessariamente por esta ordem. Jornalista desde 1995, passou por diversas publicações, como o Jornal de Gaia, Maré Viva, Motor, e pela rádio, na TSF. Está na SIC desde abril de 2002. Vive cheio de vontade de lançar na rede uma revista cultural com boas histórias, mais bem contadas.

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Entrevistas Booktailors: André Letria

04.12.12

 

O Pato Lógico, mais do que uma editora de livros infantis, é, segundo André Letria, «uma necessidade lógica e inadiável», fruto da vontade de um ilustrador que quis fazer livros «à sua maneira». E, como tal, é perfeitamente lógico que desenvolva projetos como a Nave Especial, dedicados à criação de histórias para plataformas digitais, para perceber o que é, afinal, um livro digital. 

 

Lançar uma editora neste momento é um gesto de pato ou é perfeitamente lógico?

É perfeitamente lógico, quando se acorda imbuído de um espírito aventureiro e empreendedor. Mais lá para o meio da tarde estes impulsos tendem a esmorecer e começa a crescer o pato que há em nós. Normalmente, estas alturas coincidem com as conversas sobre contabilidade ou distribuição. Tirando isso, lançar uma editora foi uma necessidade lógica e inadiável de um ilustrador que quis começar a fazer os seus livros à sua maneira. Há coisas às quais não se consegue fugir.

 

Há mercado para livros de ilustração, com um cuidado gráfico apurado?

Há um mercado que se trabalha diariamente, cativando amigos e não clientes. É um mercado que faz chegar coisas, que não são só livros, às pessoas. Dá-lhes ideias, propostas para olhar o mundo de forma diferente, fazendo-as sentir que pertencem a um grupo que tem interesses semelhantes. 

 

O que é a Nave Especial?

A Nave Especial é digital, inovadora, criativa e portuguesa. Está a chegar e vem à procura de histórias. Quando as descobrir, vai escolher as melhores para as transformar em aplicações digitais ilustradas. Tem aos comandos duas empresas que se interessam pelas plataformas digitais — o Pato Lógico e a Biodroid — e que querem ver o que os criadores portugueses têm para oferecer nesta área.

Além de um concurso, é também uma conferência — ABC da Edição Digital, A 1.ª Conferência em Portugal sobre Edição Digital de Livros para Crianças —, que vai acontecer a 28 de janeiro, na Gulbenkian, e que pretende ser um espaço de discussão que envolverá alguns dos maiores especialistas nacionais e internacionais nesta área. Para a organização desta conferência contamos com a ajuda do Neal Hoskins, entre outras coisas, conselheiro da Feira de Bolonha para os assuntos digitais.

 

Ao contrário dos livros para um público mais adulto, os livros infantis têm muito a ganhar com as plataformas digitais?

Os livros infantis, ou pelo menos aqueles a que chamamos álbuns ilustrados, dependem muito da imagem para a sua eficácia narrativa. Aqueles que foram imaginados para o papel e que se transformam em objetos digitais, às vezes, ficam a perder, porque não foram pensados para funcionar dessa maneira. Não basta transformá-los em coisas que se leem com um ecrã pelo meio. É fácil cair na tentação de os transformar em jogos, ou animações. Acho que ainda estamos todos a tentar perceber o que deve ser um livro digital, se é que se pode chamar assim. Talvez até deixe de ser um livro. Espero que a Nave Especial (prémio e conferência) nos ajude a perceber mais coisas sobre assunto.

 

A pirataria não deveria inibir o investimento na edição digital?

Haverá sempre pirataria e a necessidade de a combater com originalidade.

 

O que é mais complicado: ilustrar ou gerir uma editora?

Ilustrar os livros da editora que se gere é ainda mais complicado. Mas, se não fosse assim, como seria? Já não me apetece pensar de outra maneira.

 

O André autor já se irritou com o André editor?

São os dois muito tolerantes.

 

A distribuição pode matar uma pequena editora?

Não, se não se depender dela. As editoras como o Pato Lógico, a que se chama independentes, ou simplesmente pequenas editoras, não podem depender de um sistema que já deu o que tinha a dar. Têm de funcionar noutros circuitos, mais próximos dos leitores, sem intermediários. Os nossos livros estarão sempre nas livrarias, mas tem de haver outras formas de os levar às pessoas. Vamos a escolas fazer ateliês sobre os livros e organizamos festas à volta dos livros. Também temos livros digitais que nunca passarão pelas livrarias e que obrigam a repensar a forma como os damos a conhecer.

 

O que é que significou para as editoras de livros infantis o investimento feito na Feira de Bolonha?

Não sei exatamente o que aconteceu com os nossos colegas de stand. No nosso caso foi muito proveitoso. Temos quatro contratos assinados para a venda dos direitos do Se Eu Fosse Um Livro. Um deles já está publicado em norueguês, e estamos prestes a receber o livro em coreano. Fomos convidados para falar do nosso projeto e pôr em prática as nossas oficinas pedagógicas num festival em Roma e estabelecemos contactos que hão de dar frutos brevemente.

 

Como é que um pai consegue avaliar a qualidade de um livro infantil com tanta oferta? Falta algum mecanismo de regulação ou deve haver liberdade absoluta de edição para infância?

Liberdade, sempre. Para regulação, devia bastar que um pai conheça o seu filho e tenha uma ideia daquilo que quer transmitir-lhe. A nós, interessa-nos fazer os livros como queremos, pelo gozo.

 

O Plano Nacional de Leitura veio ajudar a criar hábitos de leitura na infância?

Não sei. Veio facilitar a escolha de quem não se quer preocupar muito a escolher e, pelo que sei, traduz-se em apoio financeiro às escolas para a compra de livros. Já não é mau. Ainda bem que existe.

 

Teme uma subida do IVA no livro?

Temo, pois. 

 

A crise já obrigou a repensar o plano editorial do Pato Lógico?

O Pato Lógico sempre viveu em crise. Nasceu de um sonho de um ilustrador, o que já por si não augura um grande futuro comercial, e durante os seus dois anos de existência tem visto muita coisa a afundar-se à sua volta. Editamos muito poucos livros por ano, porque não temos muito dinheiro, mas também porque precisamos de tempo para os fazer. O nosso plano editorial está sempre pensado em dois níveis: o ideal, que conseguiríamos cumprir se fôssemos ricos e os dias tivessem 48 horas; e o pragmático, que usa uma parte do anterior, à medida das possibilidades. Assim estamos sempre contentes.

Apesar da incerteza, ou por causa dela, temos ganhado uma grande capacidade de adaptação, aproveitando oportunidades que nascem muitas vezes da associação a parceiros e da vontade de descoberta constante que nos move.

 

 

 

Nasceu em Lisboa em 1973. Frequentou o curso de Pintura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Trabalha como ilustrador desde 1992, ilustrando regularmente livros para crianças e colaborando com diversas publicações periódicas. Recebeu diversos prémios, de entre os quais se destacam o Prémio Nacional de Ilustração, em 2000; o prémio Gulbenkian, em 2004; e um Award of Excellence for Illustration, atribuído pela Society for News Design (EUA). Está publicado em diversos países, como EUA, Inglaterra, Espanha ou Turquia. Participou em exposições na área da ilustração infantil, como a Bienal de Bratislava, em 1995 e 2005; Bolonha, em 2002; Sarmede, em 1999; ou Ilustrarte, em 2003, 2005 (Menção Especial) e 2009. Está incluído na secção «Children’s Books» da edição de 2009 do anuário de ilustração 3x3, tendo ganhado uma medalha de prata com uma das séries apresentadas. Trabalhou como cenógrafo para a Companhia Teatral do Chiado, de 2000 a 2005. Realizou a curta-metragem Zé Pimpão, o «Acelera», baseada no livro com o mesmo nome, de José Jorge Letria, com a qual ganhou o prémio Melhor Filme Português no Festival Animatu 2007. Realizou e escreveu a série de animação Foxy & Meg, baseada numa coleção de livros e personagens com o mesmo nome. Criou e coorganiza o Farol de Sonhos — Encontro sobre o Livro e o Imaginário Infantil.

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